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Café e chá com cafeína: o que o novo estudo realmente mostra sobre proteção do cérebro

  • 10 de fev.
  • 3 min de leitura
Café e chá com cafeína

Um estudo recente publicado na revista científica JAMA trouxe novas evidências sobre a relação entre o consumo de bebidas com cafeína e a saúde cerebral. Os resultados indicam que beber café ou chá com cafeína diariamente pode estar associado a uma redução modesta no risco de demência e a melhor desempenho cognitivo ao longo do tempo.

Apesar dos achados encorajadores, os próprios pesquisadores reforçam que o efeito observado é pequeno e que o consumo dessas bebidas deve ser entendido como parte de um conjunto mais amplo de hábitos de vida saudáveis.

Como o estudo foi realizado?

A pesquisa analisou dados de aproximadamente 132 mil adultos norte-americanos, acompanhados ao longo de quatro décadas. As informações sobre consumo de café e chá foram obtidas por meio de questionários periódicos, permitindo avaliar o impacto do consumo habitual dessas bebidas ao longo do tempo.

Os participantes foram comparados de acordo com o nível de ingestão diária de cafeína, permitindo observar associações entre consumo e desfechos cognitivos.

Principais resultados

Os dados mostraram que:

  • Pessoas com maior consumo de café com cafeína apresentaram 18% menor risco de desenvolver demência em comparação com aquelas que consumiam menos;

  • O grupo com maior ingestão relatou uma redução de quase 2 pontos percentuais na percepção de problemas de memória ou raciocínio;

  • Os resultados foram semelhantes para o chá com cafeína;

  • Bebidas descafeinadas não apresentaram o mesmo efeito.

Além das avaliações subjetivas, os participantes que consumiam café com cafeína também demonstraram melhor desempenho em alguns testes objetivos de função cognitiva.

Qual foi a quantidade associada aos benefícios?

Os efeitos mais evidentes foram observados em níveis moderados de consumo:

  • 2 a 3 xícaras de café com cafeína por dia;

  • 1 a 2 xícaras de chá com cafeína por dia.

Isso reforça um ponto importante: o benefício está relacionado à moderação, não ao consumo excessivo.

O papel da genética

Um dos achados relevantes do estudo foi a análise do risco genético para demência. Os pesquisadores observaram que:

  • Os resultados foram semelhantes em pessoas com alto e baixo risco genético;

  • Isso sugere que o consumo de cafeína pode ter um efeito potencialmente benéfico independentemente da predisposição hereditária.

Por que a cafeína pode ajudar?

Os mecanismos ainda não estão completamente esclarecidos, mas algumas hipóteses incluem a ação de compostos bioativos presentes no café e no chá:

  • Cafeína, que modula neurotransmissores e melhora a atividade cerebral;

  • Polifenóis, com efeito antioxidante;

  • Redução da inflamação;

  • Proteção contra danos às células nervosas;

  • Possível redução do estresse oxidativo.

Esses fatores estão associados à menor progressão de processos relacionados ao envelhecimento cerebral.

O que o estudo não prova

Apesar dos resultados positivos, é fundamental destacar as limitações:

  • O estudo é observacional, ou seja, mostra associação, não causalidade;

  • Não é possível afirmar que a cafeína, isoladamente, previne demência;

  • O efeito observado é modesto;

  • Outros fatores de estilo de vida podem ter influenciado os resultados.

Segundo os autores, o consumo de café ou chá deve ser visto como “uma peça do quebra-cabeça”, e não como uma estratégia isolada de prevenção.

O que realmente protege o cérebro?

Evidências científicas mais robustas mostram que os principais fatores associados à preservação da função cognitiva incluem:

  • Atividade física regular;

  • Alimentação equilibrada;

  • Sono adequado;

  • Controle de doenças crônicas;

  • Estímulo cognitivo e social.

Dentro desse contexto, o consumo moderado de bebidas com cafeína pode ser um hábito complementar.

Conclusão

O novo estudo sugere que o consumo moderado de café ou chá com cafeína pode estar associado a uma pequena redução no risco de demência e a melhor desempenho cognitivo ao longo do tempo. No entanto, os efeitos são limitados e não substituem estratégias comprovadas de proteção da saúde cerebral.

Para a prática clínica e orientação ao paciente, a mensagem principal é clara: moderação no consumo e foco em um estilo de vida saudável como um todo continuam sendo as medidas mais eficazes para o envelhecimento cerebral saudável.


Fonte: G1

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