Café e chá com cafeína: o que o novo estudo realmente mostra sobre proteção do cérebro
- 10 de fev.
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Um estudo recente publicado na revista científica JAMA trouxe novas evidências sobre a relação entre o consumo de bebidas com cafeína e a saúde cerebral. Os resultados indicam que beber café ou chá com cafeína diariamente pode estar associado a uma redução modesta no risco de demência e a melhor desempenho cognitivo ao longo do tempo.
Apesar dos achados encorajadores, os próprios pesquisadores reforçam que o efeito observado é pequeno e que o consumo dessas bebidas deve ser entendido como parte de um conjunto mais amplo de hábitos de vida saudáveis.
Como o estudo foi realizado?
A pesquisa analisou dados de aproximadamente 132 mil adultos norte-americanos, acompanhados ao longo de quatro décadas. As informações sobre consumo de café e chá foram obtidas por meio de questionários periódicos, permitindo avaliar o impacto do consumo habitual dessas bebidas ao longo do tempo.
Os participantes foram comparados de acordo com o nível de ingestão diária de cafeína, permitindo observar associações entre consumo e desfechos cognitivos.
Principais resultados
Os dados mostraram que:
Pessoas com maior consumo de café com cafeína apresentaram 18% menor risco de desenvolver demência em comparação com aquelas que consumiam menos;
O grupo com maior ingestão relatou uma redução de quase 2 pontos percentuais na percepção de problemas de memória ou raciocínio;
Os resultados foram semelhantes para o chá com cafeína;
Bebidas descafeinadas não apresentaram o mesmo efeito.
Além das avaliações subjetivas, os participantes que consumiam café com cafeína também demonstraram melhor desempenho em alguns testes objetivos de função cognitiva.
Qual foi a quantidade associada aos benefícios?
Os efeitos mais evidentes foram observados em níveis moderados de consumo:
2 a 3 xícaras de café com cafeína por dia;
1 a 2 xícaras de chá com cafeína por dia.
Isso reforça um ponto importante: o benefício está relacionado à moderação, não ao consumo excessivo.
O papel da genética
Um dos achados relevantes do estudo foi a análise do risco genético para demência. Os pesquisadores observaram que:
Os resultados foram semelhantes em pessoas com alto e baixo risco genético;
Isso sugere que o consumo de cafeína pode ter um efeito potencialmente benéfico independentemente da predisposição hereditária.
Por que a cafeína pode ajudar?
Os mecanismos ainda não estão completamente esclarecidos, mas algumas hipóteses incluem a ação de compostos bioativos presentes no café e no chá:
Cafeína, que modula neurotransmissores e melhora a atividade cerebral;
Polifenóis, com efeito antioxidante;
Redução da inflamação;
Proteção contra danos às células nervosas;
Possível redução do estresse oxidativo.
Esses fatores estão associados à menor progressão de processos relacionados ao envelhecimento cerebral.
O que o estudo não prova
Apesar dos resultados positivos, é fundamental destacar as limitações:
O estudo é observacional, ou seja, mostra associação, não causalidade;
Não é possível afirmar que a cafeína, isoladamente, previne demência;
O efeito observado é modesto;
Outros fatores de estilo de vida podem ter influenciado os resultados.
Segundo os autores, o consumo de café ou chá deve ser visto como “uma peça do quebra-cabeça”, e não como uma estratégia isolada de prevenção.
O que realmente protege o cérebro?
Evidências científicas mais robustas mostram que os principais fatores associados à preservação da função cognitiva incluem:
Atividade física regular;
Alimentação equilibrada;
Sono adequado;
Controle de doenças crônicas;
Estímulo cognitivo e social.
Dentro desse contexto, o consumo moderado de bebidas com cafeína pode ser um hábito complementar.
Conclusão
O novo estudo sugere que o consumo moderado de café ou chá com cafeína pode estar associado a uma pequena redução no risco de demência e a melhor desempenho cognitivo ao longo do tempo. No entanto, os efeitos são limitados e não substituem estratégias comprovadas de proteção da saúde cerebral.
Para a prática clínica e orientação ao paciente, a mensagem principal é clara: moderação no consumo e foco em um estilo de vida saudável como um todo continuam sendo as medidas mais eficazes para o envelhecimento cerebral saudável.
Fonte: G1



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