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Ceratomalacia: quando a deficiência de vitamina A ameaça a visão

Ceratomalacia

A ceratomalacia é uma condição grave caracterizada pela amolecimento progressivo da córnea, geralmente causada por deficiência avançada de vitamina A. Trata-se de um quadro oftalmológico emergencial, capaz de levar à perfuração da córnea, infecções secundárias e cegueira irreversível.

Embora seja mais comum em regiões com desnutrição severa, pode ocorrer também em indivíduos com doenças que afetam a absorção de nutrientes. Reconhecer sinais precoces e iniciar tratamento imediato é fundamental para preservar a visão e evitar complicações graves.

O que é ceratomalacia

A ceratomalacia é uma forma avançada de xeroftalmia, na qual ocorre desintegração e amolecimento do tecido corneano. A falta prolongada de vitamina A compromete a renovação celular ocular, tornando a superfície da córnea extremamente frágil.

Essa fragilidade leva à quebra do epitélio, ulceração profunda e risco de perfuração.

Alguns sinais ajudam a identificar o problema desde os estágios iniciais:

  • dificuldade de enxergar à noite;

  • ressecamento ocular intenso;

  • manchas espumosas na conjuntiva (manchas de Bitot);

  • sensação de areia nos olhos;

  • dor ocular;

  • fotofobia;

  • piora rápida de visão.

Quando não tratado, o quadro evolui rapidamente.

Por que a deficiência de vitamina A causa ceratomalacia

A vitamina A é essencial para a saúde ocular. Ela participa da formação do pigmento visual da retina, da integridade das mucosas e da renovação das células epiteliais da córnea.

Quando a ingestão é insuficiente ou o organismo não consegue absorvê-la adequadamente, a córnea perde sua capacidade de cicatrização e defesa.

O olho passa por estágios progressivos:

  1. Xeroftalmia inicial – ressecamento da conjuntiva;

  2. Manchas de Bitot – acúmulo de queratina;

  3. Ulceras de córnea – perda de camadas superficiais;

  4. Ceratomalacia – amolecimento profundo e risco de perfuração.

A rapidez de evolução depende da gravidade da deficiência.

Principais causas da deficiência de vitamina A que levam à ceratomalacia

A deficiência de vitamina A pode ser causada por ingestão inadequada, problemas de absorção ou doenças crônicas.

As causas mais frequentes incluem:

  • desnutrição severa;

  • dietas extremamente restritivas;

  • alcoolismo crônico;

  • doenças que afetam o fígado;

  • síndrome de má absorção intestinal;

  • doença celíaca não tratada;

  • fibrose cística;

  • pós-cirurgias bariátricas.

Crianças, lactantes e idosos são mais vulneráveis.

Como identificar ceratomalacia na fase inicial

O diagnóstico precoce depende da observação de sintomas e sinais clínicos antes que a córnea entre em colapso. A presença de manchas de Bitot, dificuldade para enxergar no escuro ou ressecamento intenso devem ser valorizados.

As pistas clínicas mais importantes são:

  • perda rápida da transparência corneana;

  • presença de ulcerações;

  • secreção mucosa espessa;

  • manchas secas na conjuntiva;

  • afinamento evidente da córnea;

  • perda de brilho na superfície ocular.

Exames oftalmológicos confirmam o grau de dano.

Complicações graves associadas à ceratomalacia

Sem tratamento imediato, a ceratomalacia pode levar a dano irreversível. A córnea pode sofrer necrose, perfuração e infeção grave, levando à perda permanente da visão.

As principais complicações incluem:

  • perfuração corneana;

  • ulcerações profundas;

  • infecções bacterianas ou fúngicas;

  • endoftalmite;

  • cegueira irreversível;

  • cicatrizes extensas na córnea.

O tempo é um fator crítico: quanto antes o tratamento é iniciado, maior a chance de recuperação.

Como é feito o diagnóstico da ceratomalacia

O diagnóstico é baseado na avaliação clínica, exame oftalmológico completo e na história nutricional do paciente.

Os exames mais utilizados incluem:

  • lâmpada de fenda para avaliar córnea e conjuntiva;

  • exame de acuidade visual;

  • avaliação da espessura corneana;

  • testes de lágrima;

  • dosagem de vitamina A no sangue;

  • investigação de doenças que afetam absorção.

A associação entre quadro clínico e deficiência nutricional direciona o diagnóstico final.

Tratamento da ceratomalacia

A ceratomalacia é uma emergência oftalmológica. O tratamento baseia-se na reposição imediata de vitamina A, geralmente por via oral ou intramuscular, dependendo da gravidade.

Além da reposição vitamínica, o paciente pode necessitar de terapias adicionais para proteger a córnea.

As principais estratégias terapêuticas incluem:

  • administração urgente de vitamina A;

  • lubrificação intensa dos olhos;

  • uso de antibióticos para prevenir infecção;

  • oclusão ocular protetora;

  • lente terapêutica de contato;

  • transplante de córnea em casos avançados.

A resposta ao tratamento depende da rapidez com que ele é iniciado.

Prevenção: o papel da alimentação e da saúde intestinal

Como a causa primária é a deficiência de vitamina A, a prevenção depende de uma dieta equilibrada e da correção de doenças que atrapalham a absorção.

Os alimentos mais ricos em vitamina A incluem:

  • fígado;

  • gema de ovo;

  • leite integral;

  • cenoura;

  • abóbora;

  • manga;

  • batata-doce;

  • espinafre.

A educação nutricional e o tratamento de doenças digestivas são essenciais em populações de risco.

Conclusão

A ceratomalacia é uma condição grave, causada principalmente por deficiência severa de vitamina A, que compromete a córnea e pode levar à cegueira irreversível quando não tratada imediatamente. Embora rara em algumas regiões, continua sendo um problema relevante em áreas com desnutrição e em indivíduos com dificuldades de absorção intestinal.

A reposição rápida de vitamina A e o cuidado oftalmológico emergencial são fundamentais para preservar a visão. Reconhecer os sinais iniciais, manter alimentação adequada e tratar condições que afetam a absorção são passos essenciais para prevenir esse quadro devastador.


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