Ceratomalacia: quando a deficiência de vitamina A ameaça a visão
- medicinaatualrevis
- 20 de nov. de 2025
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A ceratomalacia é uma condição grave caracterizada pela amolecimento progressivo da córnea, geralmente causada por deficiência avançada de vitamina A. Trata-se de um quadro oftalmológico emergencial, capaz de levar à perfuração da córnea, infecções secundárias e cegueira irreversível.
Embora seja mais comum em regiões com desnutrição severa, pode ocorrer também em indivíduos com doenças que afetam a absorção de nutrientes. Reconhecer sinais precoces e iniciar tratamento imediato é fundamental para preservar a visão e evitar complicações graves.
O que é ceratomalacia
A ceratomalacia é uma forma avançada de xeroftalmia, na qual ocorre desintegração e amolecimento do tecido corneano. A falta prolongada de vitamina A compromete a renovação celular ocular, tornando a superfície da córnea extremamente frágil.
Essa fragilidade leva à quebra do epitélio, ulceração profunda e risco de perfuração.
Alguns sinais ajudam a identificar o problema desde os estágios iniciais:
dificuldade de enxergar à noite;
ressecamento ocular intenso;
manchas espumosas na conjuntiva (manchas de Bitot);
sensação de areia nos olhos;
dor ocular;
fotofobia;
piora rápida de visão.
Quando não tratado, o quadro evolui rapidamente.
Por que a deficiência de vitamina A causa ceratomalacia
A vitamina A é essencial para a saúde ocular. Ela participa da formação do pigmento visual da retina, da integridade das mucosas e da renovação das células epiteliais da córnea.
Quando a ingestão é insuficiente ou o organismo não consegue absorvê-la adequadamente, a córnea perde sua capacidade de cicatrização e defesa.
O olho passa por estágios progressivos:
Xeroftalmia inicial – ressecamento da conjuntiva;
Manchas de Bitot – acúmulo de queratina;
Ulceras de córnea – perda de camadas superficiais;
Ceratomalacia – amolecimento profundo e risco de perfuração.
A rapidez de evolução depende da gravidade da deficiência.
Principais causas da deficiência de vitamina A que levam à ceratomalacia
A deficiência de vitamina A pode ser causada por ingestão inadequada, problemas de absorção ou doenças crônicas.
As causas mais frequentes incluem:
desnutrição severa;
dietas extremamente restritivas;
alcoolismo crônico;
doenças que afetam o fígado;
síndrome de má absorção intestinal;
doença celíaca não tratada;
fibrose cística;
pós-cirurgias bariátricas.
Crianças, lactantes e idosos são mais vulneráveis.
Como identificar ceratomalacia na fase inicial
O diagnóstico precoce depende da observação de sintomas e sinais clínicos antes que a córnea entre em colapso. A presença de manchas de Bitot, dificuldade para enxergar no escuro ou ressecamento intenso devem ser valorizados.
As pistas clínicas mais importantes são:
perda rápida da transparência corneana;
presença de ulcerações;
secreção mucosa espessa;
manchas secas na conjuntiva;
afinamento evidente da córnea;
perda de brilho na superfície ocular.
Exames oftalmológicos confirmam o grau de dano.
Complicações graves associadas à ceratomalacia
Sem tratamento imediato, a ceratomalacia pode levar a dano irreversível. A córnea pode sofrer necrose, perfuração e infeção grave, levando à perda permanente da visão.
As principais complicações incluem:
perfuração corneana;
ulcerações profundas;
infecções bacterianas ou fúngicas;
endoftalmite;
cegueira irreversível;
cicatrizes extensas na córnea.
O tempo é um fator crítico: quanto antes o tratamento é iniciado, maior a chance de recuperação.
Como é feito o diagnóstico da ceratomalacia
O diagnóstico é baseado na avaliação clínica, exame oftalmológico completo e na história nutricional do paciente.
Os exames mais utilizados incluem:
lâmpada de fenda para avaliar córnea e conjuntiva;
exame de acuidade visual;
avaliação da espessura corneana;
testes de lágrima;
dosagem de vitamina A no sangue;
investigação de doenças que afetam absorção.
A associação entre quadro clínico e deficiência nutricional direciona o diagnóstico final.
Tratamento da ceratomalacia
A ceratomalacia é uma emergência oftalmológica. O tratamento baseia-se na reposição imediata de vitamina A, geralmente por via oral ou intramuscular, dependendo da gravidade.
Além da reposição vitamínica, o paciente pode necessitar de terapias adicionais para proteger a córnea.
As principais estratégias terapêuticas incluem:
administração urgente de vitamina A;
lubrificação intensa dos olhos;
uso de antibióticos para prevenir infecção;
oclusão ocular protetora;
lente terapêutica de contato;
transplante de córnea em casos avançados.
A resposta ao tratamento depende da rapidez com que ele é iniciado.
Prevenção: o papel da alimentação e da saúde intestinal
Como a causa primária é a deficiência de vitamina A, a prevenção depende de uma dieta equilibrada e da correção de doenças que atrapalham a absorção.
Os alimentos mais ricos em vitamina A incluem:
fígado;
gema de ovo;
leite integral;
cenoura;
abóbora;
manga;
batata-doce;
espinafre.
A educação nutricional e o tratamento de doenças digestivas são essenciais em populações de risco.
Conclusão
A ceratomalacia é uma condição grave, causada principalmente por deficiência severa de vitamina A, que compromete a córnea e pode levar à cegueira irreversível quando não tratada imediatamente. Embora rara em algumas regiões, continua sendo um problema relevante em áreas com desnutrição e em indivíduos com dificuldades de absorção intestinal.
A reposição rápida de vitamina A e o cuidado oftalmológico emergencial são fundamentais para preservar a visão. Reconhecer os sinais iniciais, manter alimentação adequada e tratar condições que afetam a absorção são passos essenciais para prevenir esse quadro devastador.



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