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Estrias são cicatrizes? Entenda o que acontece na pele

  • 7 de mai.
  • 5 min de leitura

As estrias são muito comuns e costumam gerar dúvidas: afinal, elas são manchas, cicatrizes ou apenas marcas superficiais da pele?

A resposta mais correta é: estrias são alterações semelhantes a cicatrizes, formadas quando há ruptura ou reorganização das fibras de colágeno e elastina na derme, camada mais profunda da pele. Elas aparecem quando a pele sofre estiramento rápido, como pode acontecer na gravidez, crescimento acelerado na adolescência, ganho de peso, aumento de massa muscular ou uso prolongado de corticoides.

Apesar de serem muito associadas à estética, as estrias não representam, na maioria das vezes, um problema grave de saúde. Elas não são contagiosas, não indicam falta de higiene e não significam que a pele esteja “doente”. Em muitos casos, são apenas uma resposta natural do corpo a mudanças de volume, hormônios e elasticidade da pele.

O que são estrias?

As estrias, também chamadas de estrias distensas, são linhas que surgem na pele quando há uma espécie de “esticamento” maior do que a estrutura cutânea consegue acompanhar.

Elas podem aparecer em regiões como:

  • Abdome;

  • Coxas;

  • Quadris;

  • Glúteos;

  • Mamas;

  • Braços;

  • Costas;

  • Ombros.

Na prática, a pele passa por uma tensão. Quando essa tensão é intensa ou rápida, as fibras de sustentação da derme podem se romper ou se reorganizar de forma irregular. O resultado é uma marca linear, que pode mudar de cor e textura com o tempo.

Por isso, muita gente percebe primeiro estrias avermelhadas ou arroxeadas. Depois, com o passar dos meses, elas podem ficar mais claras, esbranquiçadas e discretas.

Estrias são cicatrizes mesmo?

De forma simplificada, sim. As estrias podem ser entendidas como um tipo de cicatriz atrófica, ou seja, uma marca em que há afinamento e alteração da estrutura da pele.

Mas elas são diferentes de uma cicatriz comum causada por corte, queimadura ou cirurgia. Nas estrias, não há necessariamente uma ferida aberta. O processo acontece “por dentro”, na derme, a partir do estiramento da pele.

Veja a diferença:

Tipo de marca

Como surge

Característica principal

Cicatriz comum

Após corte, ferida, cirurgia ou trauma

Resultado de reparo da pele após lesão externa

Estria

Após estiramento rápido da pele

Alteração das fibras da derme sem ferida aberta

Mancha

Alteração de pigmentação

Mudança de cor, sem necessariamente alterar a textura

Flacidez

Perda de sustentação da pele

Pele mais frouxa, sem linhas definidas obrigatórias

Essa diferença é importante porque ajuda a entender por que cremes simples nem sempre conseguem “apagar” estrias. Como a alteração está em uma camada mais profunda, o tratamento costuma exigir tempo, estímulo de colágeno e expectativas realistas.

Quais são os tipos de estrias?

As estrias costumam ser classificadas de acordo com a fase em que estão.

Estrias vermelhas ou arroxeadas

São as estrias mais recentes. Podem ter coloração rosada, avermelhada, violácea ou arroxeada. Essa fase costuma ter maior atividade inflamatória e vascularização local.

Em geral, são as estrias com melhor resposta aos tratamentos, justamente por serem mais recentes.

Estrias brancas

São estrias mais antigas. Costumam ser mais claras, finas, brilhantes e com aspecto levemente afundado.

Nessa fase, a marca já passou por um processo de cicatrização mais consolidado. Por isso, o tratamento pode melhorar textura e aparência, mas dificilmente elimina completamente.

Por que algumas pessoas têm mais estrias?

Nem todo mundo desenvolve estrias da mesma forma. Algumas pessoas têm maior predisposição genética, pele menos elástica ou resposta diferente ao estiramento cutâneo.

Entre os fatores associados estão:

  • Crescimento rápido na adolescência;

  • Gravidez;

  • Ganho ou perda rápida de peso;

  • Aumento de massa muscular em curto período;

  • Uso prolongado de corticoides;

  • Alterações hormonais;

  • Predisposição familiar;

  • Algumas doenças endócrinas, como Síndrome de Cushing.

Na adolescência, por exemplo, as estrias podem aparecer mesmo em pessoas magras, principalmente em costas, quadris, coxas e mamas. Isso acontece porque o corpo cresce rapidamente e a pele precisa acompanhar essa mudança.

Estrias coçam ou doem?

As estrias podem coçar, principalmente quando estão surgindo. Essa coceira costuma estar relacionada ao estiramento da pele, ao ressecamento e à fase inicial da alteração.

Dor não é o sintoma mais comum. Quando há dor intensa, feridas, secreção, inflamação importante ou surgimento muito rápido e extenso de marcas, é recomendado procurar avaliação médica.

Também merece atenção o aparecimento de estrias muito largas, arroxeadas e em grande quantidade, especialmente quando associadas a ganho de peso rápido, fraqueza muscular, pressão alta, aumento de pelos ou alterações hormonais. Nesses casos, o médico pode investigar causas endócrinas.

Creme elimina estrias?

Essa é uma das dúvidas mais comuns. A resposta é: cremes podem ajudar na hidratação e na textura da pele, mas não costumam eliminar estrias completamente.

Hidratantes ajudam a melhorar a barreira cutânea, reduzir ressecamento e aliviar coceira. Alguns ativos, como ácido hialurônico, centella asiática, ácido glicólico ou retinoides, podem ser usados em determinados casos, sempre com orientação profissional.

A tretinoína, um derivado da vitamina A, pode ser indicada em algumas situações, principalmente em estrias recentes, mas não deve ser usada por gestantes ou pessoas tentando engravidar sem orientação médica. Tratamentos devem ser individualizados, porque tipo de pele, fase da estria, sensibilidade cutânea e histórico de saúde influenciam na escolha.

Quais tratamentos podem melhorar as estrias?

As estrias não precisam obrigatoriamente de tratamento, pois são benignas e, muitas vezes, tornam-se menos visíveis com o tempo. Quando a pessoa se incomoda, alguns procedimentos dermatológicos podem melhorar a aparência, mas nenhum tratamento garante desaparecimento completo em todos os casos.

Entre as opções usadas em consultório estão:

  • Microagulhamento;

  • Laser fracionado;

  • Luz intensa pulsada;

  • Radiofrequência;

  • Peelings químicos;

  • Bioestimuladores, em alguns casos;

  • Associação de tratamentos tópicos e procedimentos.

O objetivo desses tratamentos é estimular remodelação da pele, produção de colágeno e melhora da textura. A resposta varia de pessoa para pessoa. Estrias recentes tendem a responder melhor do que estrias antigas.

Dá para prevenir estrias?

Nem sempre é possível prevenir totalmente, especialmente quando há predisposição genética, gravidez ou crescimento rápido.


Ainda assim, alguns cuidados podem ajudar a manter a pele mais saudável:

  • Hidratar a pele regularmente;

  • Evitar ganho ou perda de peso muito rápida;

  • Manter alimentação equilibrada;

  • Consumir água ao longo do dia;

  • Evitar uso de corticoides sem indicação médica;

  • Praticar atividade física com progressão adequada;

  • Procurar orientação médica em mudanças corporais muito rápidas.

É importante reforçar: ter estrias não significa descuido. Muitas vezes, elas surgem mesmo em pessoas que cuidam bem da pele.

Quando procurar um dermatologista?

A avaliação dermatológica é recomendada quando as estrias causam incômodo, aparecem de forma muito rápida, são muito extensas ou estão associadas a outros sinais no corpo.

Também vale procurar atendimento quando há:

  • Estrias largas e arroxeadas sem causa aparente;

  • Uso prolongado de corticoides;

  • Alterações hormonais;

  • Coceira intensa;

  • Dúvidas sobre tratamentos;

  • Interesse em procedimentos para melhorar textura e aparência.

O dermatologista pode diferenciar estrias de outras alterações da pele e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.

Conclusão

Estrias são marcas semelhantes a cicatrizes que surgem quando a pele passa por estiramento rápido e há alteração das fibras da derme. Elas são muito comuns, benignas e podem aparecer em diferentes fases da vida.

Embora sejam permanentes em muitos casos, podem ficar mais discretas com o tempo. Tratamentos dermatológicos ajudam a melhorar textura, cor e aparência, especialmente quando iniciados nas fases mais recentes, mas é importante ter expectativas realistas.

Mais do que tentar “apagar” a pele, o cuidado deve ser individualizado, seguro e orientado por profissionais. Estrias fazem parte da história do corpo e, quando tratadas, o objetivo deve ser melhorar a saúde e o conforto da pele, não perseguir uma perfeição impossível.

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