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Hemorragia Intracraniana em Prematuros: causas, sinais e acompanhamento

  • 2 de jun.
  • 7 min de leitura
Hemorragia Intracraniana

A Hemorragia Intracraniana em Prematuros é um sangramento que pode ocorrer dentro ou ao redor das estruturas do cérebro do recém-nascido, sendo mais comum em bebês muito prematuros e de muito baixo peso. Uma das formas mais conhecidas é a Hemorragia Intraventricular, que acontece nos ventrículos cerebrais ou próximos a eles. Em muitos casos, o bebê não apresenta sinais evidentes no início, por isso o ultrassom transfontanelar é importante para diagnóstico e acompanhamento.


O que é Hemorragia Intracraniana em Prematuros?

A Hemorragia Intracraniana em Prematuros é o sangramento que ocorre dentro do crânio do recém-nascido prematuro. O tipo mais comum nesse grupo é a Hemorragia da Matriz Germinativa com extensão ou não para os ventrículos cerebrais.

A matriz germinativa é uma região do cérebro em desenvolvimento, muito vascularizada e delicada. Em bebês prematuros, esses vasos ainda são imaturos e podem se romper com mais facilidade.

Quando o sangramento atinge os ventrículos, que são espaços cheios de líquido dentro do cérebro, o quadro é chamado de Hemorragia Intraventricular.

Em resumo, Hemorragia Intracraniana em Prematuros pode indicar uma complicação neurológica da prematuridade, especialmente em recém-nascidos muito pequenos, instáveis ou internados em UTI neonatal.

Quais são as principais causas?

A principal causa da Hemorragia Intracraniana em Prematuros é a imaturidade dos vasos sanguíneos cerebrais. Quanto mais prematuro é o bebê, mais frágeis tendem a ser esses vasos.

O risco também aumenta quando há instabilidade clínica nos primeiros dias de vida, período em que o cérebro do recém-nascido ainda está se adaptando à vida fora do útero.

Entre os principais fatores associados estão:

  • prematuridade extrema;

  • muito baixo peso ao nascer;

  • idade gestacional menor;

  • instabilidade respiratória;

  • necessidade de ventilação mecânica;

  • oscilações de oxigênio e gás carbônico;

  • variações da pressão arterial;

  • infecções;

  • sepse;

  • distúrbios de coagulação;

  • parto complicado;

  • sofrimento fetal;

  • ausência ou insuficiência de corticoide antenatal em algumas situações;

  • alterações no fluxo sanguíneo cerebral.

A Hemorragia Intraventricular raramente está presente ao nascimento. Quando ocorre, costuma aparecer nos primeiros dias de vida, especialmente em bebês muito prematuros.

Quais sintomas merecem atenção?

Muitos prematuros com Hemorragia Intracraniana não apresentam sintomas claros. Em vários casos, o diagnóstico é feito durante o rastreamento por ultrassom craniano na UTI neonatal.

Quando há sintomas, eles podem variar conforme a gravidade do sangramento e o estado clínico do bebê.

Sinais que podem aparecer incluem:

  • piora respiratória;

  • apneias;

  • queda da saturação;

  • bradicardia;

  • palidez;

  • sonolência excessiva;

  • redução da atividade;

  • dificuldade para mamar;

  • hipotonia;

  • irritabilidade;

  • convulsões;

  • fontanela abaulada;

  • piora súbita do estado geral.

Em bebês prematuros, sinais neurológicos podem ser discretos. Por isso, mudanças no padrão respiratório, no comportamento ou na estabilidade clínica precisam ser avaliadas pela equipe neonatal.

Situação

Pode observar com cuidado

Procurar avaliação imediata

Prematuro em UTI neonatal

Monitoramento contínuo pela equipe

Alteração súbita do estado geral

Apneias leves já conhecidas

Quando monitoradas e esperadas

Se aumentam em frequência ou gravidade

Sonolência

Pode ocorrer em prematuros

Se houver piora ou baixa resposta

Dificuldade de mamar

Pode ter várias causas

Se for nova ou progressiva

Convulsões

Não devem ser observadas em casa

Atendimento urgente

Fontanela abaulada

Sinal de alerta

Avaliação imediata

Quando procurar atendimento médico?

Em recém-nascidos prematuros internados, a avaliação é feita continuamente pela equipe da UTI neonatal. A família deve comunicar qualquer mudança percebida, mesmo que pareça pequena.

Procure atendimento imediato se o bebê já recebeu alta e apresentar:

  • dificuldade para respirar;

  • pausas respiratórias;

  • sonolência intensa;

  • dificuldade importante para mamar;

  • convulsões;

  • alteração do olhar;

  • choro muito diferente do habitual;

  • irritabilidade intensa;

  • vômitos repetidos;

  • fontanela muito abaulada;

  • palidez ou coloração arroxeada;

  • piora súbita do comportamento.

A avaliação médica é importante porque bebês prematuros podem apresentar complicações neurológicas, respiratórias e infecciosas de forma rápida. Não é recomendado aguardar em casa quando há sinais de piora.

Como é feito o diagnóstico?

O principal exame para detectar Hemorragia Intracraniana em Prematuros é o ultrassom transfontanelar, também chamado de ultrassom craniano. Ele é realizado pela fontanela, a “moleira” do bebê, e pode ser feito à beira do leito na UTI neonatal.

Esse exame é muito útil porque não usa radiação, pode ser repetido e permite acompanhar a evolução do sangramento e o tamanho dos ventrículos.

A literatura médica descreve o ultrassom craniano como ferramenta essencial para diagnóstico e seguimento da Hemorragia da Matriz Germinativa e Hemorragia Intraventricular em prematuros.

Dependendo do caso, também podem ser utilizados:

  • avaliação neurológica;

  • exames de sangue;

  • monitoramento de hemoglobina;

  • avaliação da coagulação;

  • ressonância magnética em situações selecionadas;

  • acompanhamento seriado do perímetro cefálico;

  • avaliação do desenvolvimento ao longo do tempo.

A ressonância magnética pode ser útil para avaliar melhor algumas lesões cerebrais, mas nem sempre é necessária na fase inicial. A escolha depende da estabilidade do bebê e da suspeita clínica.

Quais são os graus da Hemorragia Intraventricular?

A Hemorragia Intraventricular em prematuros costuma ser classificada em graus, de acordo com a localização e extensão do sangramento.

De forma simplificada:

  • Grau I: sangramento limitado à matriz germinativa;

  • Grau II: sangue dentro dos ventrículos, sem dilatação importante;

  • Grau III: sangue nos ventrículos com dilatação ventricular;

  • Grau IV: sangramento associado a lesão do tecido cerebral ao redor.

Os graus mais leves tendem a ter melhor prognóstico. Os graus mais graves podem estar associados a maior risco de hidrocefalia, alterações motoras, atraso do desenvolvimento e outras complicações neurológicas.

Essa classificação deve ser explicada pela equipe médica com base no exame do bebê, porque o prognóstico depende não apenas do grau, mas também da idade gestacional, peso, estabilidade clínica e presença de outras complicações.

Como é o tratamento?

Não existe um tratamento único que “retire” o sangramento já ocorrido. O cuidado é voltado para estabilizar o bebê, prevenir piora e tratar complicações.

As medidas podem incluir:

  • suporte respiratório adequado;

  • controle de oxigenação;

  • controle da pressão arterial;

  • tratamento de infecções;

  • correção de distúrbios de coagulação;

  • controle de convulsões, quando presentes;

  • acompanhamento do tamanho dos ventrículos;

  • monitoramento do perímetro cefálico;

  • suporte nutricional;

  • cuidados intensivos em UTI neonatal;

  • avaliação neurológica e neurocirúrgica em casos selecionados.

Quando a Hemorragia Intraventricular causa dilatação progressiva dos ventrículos, pode ocorrer hidrocefalia pós-hemorrágica. Nesses casos, a equipe pode considerar procedimentos para drenar o líquido em excesso, conforme a gravidade e a evolução.

O tratamento deve ser conduzido por equipe neonatal especializada, muitas vezes com participação de neurologia pediátrica, neurocirurgia, fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.

Quais podem ser as consequências?

As consequências variam muito. Alguns bebês com hemorragias leves evoluem bem, sem grandes sequelas. Outros, principalmente com sangramentos extensos ou complicações, podem precisar de acompanhamento prolongado.

Possíveis consequências incluem:

  • hidrocefalia;

  • atraso no desenvolvimento motor;

  • alterações do tônus muscular;

  • maior risco de paralisia cerebral;

  • dificuldades de alimentação;

  • atraso na linguagem;

  • alterações visuais ou auditivas;

  • dificuldades de aprendizagem no futuro;

  • necessidade de reabilitação.

A Hemorragia Intraventricular é considerada uma complicação importante da prematuridade e pode ter impacto no desenvolvimento neurológico, especialmente nos casos mais graves.

É importante lembrar que risco não significa certeza. Muitos prematuros precisam apenas de acompanhamento atento para detectar cedo qualquer atraso e iniciar intervenções quando necessário.

Como é feito o acompanhamento após a alta?

O acompanhamento após a alta é essencial, principalmente em bebês muito prematuros ou que tiveram hemorragia moderada ou grave.

Esse acompanhamento pode incluir:

  • consultas com pediatra;

  • seguimento com neonatologista;

  • neurologista pediátrico;

  • avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor;

  • fisioterapia;

  • fonoaudiologia;

  • terapia ocupacional;

  • acompanhamento nutricional;

  • avaliação auditiva;

  • avaliação oftalmológica;

  • exames de imagem quando indicados.

A família deve observar marcos do desenvolvimento, como sustentar a cabeça, sorrir, acompanhar objetos, rolar, sentar, engatinhar, interagir e evoluir na alimentação.

Em prematuros, muitos marcos são avaliados pela idade corrigida, não apenas pela idade cronológica. Isso deve ser explicado pela equipe que acompanha o bebê.

Hemorragia Intracraniana em Prematuros pode ser prevenida?

Nem todos os casos podem ser prevenidos, porque a prematuridade por si só já aumenta o risco. Porém, alguns cuidados antes e depois do nascimento ajudam a reduzir a chance de complicações.

Medidas importantes incluem:

  • pré-natal adequado;

  • prevenção do parto prematuro quando possível;

  • uso de corticoide antenatal quando indicado;

  • assistência ao parto em serviço preparado para prematuros;

  • clampeamento oportuno do cordão, quando aplicável;

  • cuidado com estabilidade respiratória e hemodinâmica;

  • controle de infecções;

  • manejo cuidadoso na UTI neonatal;

  • monitoramento por ultrassom em bebês de risco.

Essas decisões são médicas e dependem da idade gestacional, condição materna, condição fetal e estrutura do serviço de saúde.

Resumo rápido

  • Hemorragia Intracraniana em Prematuros é um sangramento dentro do crânio do recém-nascido prematuro.

  • A forma mais comum é a Hemorragia da Matriz Germinativa e Intraventricular.

  • O risco é maior quanto menor a idade gestacional e o peso ao nascer.

  • Muitos casos não apresentam sintomas e são detectados por ultrassom transfontanelar.

  • Casos graves podem causar hidrocefalia e alterações do desenvolvimento.

  • O acompanhamento após a alta é essencial para identificar atrasos e iniciar reabilitação precoce.

Perguntas frequentes sobre Hemorragia Intracraniana em Prematuros

Hemorragia Intracraniana em Prematuros é grave?

Pode ser grave, principalmente quando o sangramento é extenso ou causa dilatação dos ventrículos. Hemorragias leves podem evoluir bem, mas todos os casos precisam de acompanhamento médico.

Todo bebê prematuro pode ter Hemorragia Intraventricular?

O risco é maior em prematuros extremos e bebês de muito baixo peso. Nem todo prematuro terá hemorragia, mas os mais vulneráveis costumam ser rastreados com ultrassom craniano.

Quais são os sintomas de Hemorragia Intracraniana em bebê prematuro?

Muitos bebês não têm sintomas evidentes. Quando aparecem, podem incluir apneias, piora respiratória, sonolência, dificuldade para mamar, convulsões, fontanela abaulada e piora súbita do estado geral.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico geralmente é feito com ultrassom transfontanelar, um exame realizado pela fontanela do bebê. Ele pode ser repetido para acompanhar a evolução do sangramento.

Hemorragia Intraventricular deixa sequelas?

Depende da gravidade. Casos leves podem evoluir bem. Casos moderados ou graves podem aumentar o risco de hidrocefalia, atraso do desenvolvimento, alterações motoras e necessidade de reabilitação.

O que a família deve observar após a alta?

A família deve observar alimentação, respiração, comportamento, crises convulsivas, crescimento da cabeça e marcos do desenvolvimento. O seguimento com pediatra e especialistas é essencial.


Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.


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