Hipogonadismo: quando o corpo produz menos hormônios sexuais do que deveria
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O Hipogonadismo é uma condição em que as gônadas — testículos nos homens e ovários nas mulheres — produzem hormônios sexuais em quantidade insuficiente. Nos homens, o principal hormônio envolvido é a testosterona. Nas mulheres, geralmente o problema está relacionado à redução de estrogênio e, em alguns casos, também de outros hormônios ovarianos.
Esses hormônios participam de funções importantes, como desenvolvimento puberal, fertilidade, massa muscular, saúde óssea, disposição, ciclo menstrual, produção de espermatozoides e bem-estar geral. Por isso, quando estão baixos, os sintomas podem variar bastante conforme a idade, o sexo e a causa do problema.
O Hipogonadismo pode estar presente desde o nascimento, surgir na puberdade ou aparecer na vida adulta. Em homens, a Mayo Clinic define Hipogonadismo masculino como uma condição em que o corpo não produz testosterona suficiente, espermatozoides suficientes ou ambos.
O que é Hipogonadismo?
O termo Hipogonadismo significa redução da função das gônadas. Isso pode acontecer porque os próprios testículos ou ovários não funcionam adequadamente, ou porque o cérebro não envia estímulos hormonais suficientes para que essas glândulas trabalhem.
O eixo hormonal funciona de forma integrada:
Estrutura | Função principal |
Hipotálamo | Produz sinais que estimulam a hipófise |
Hipófise | Produz LH e FSH, hormônios que estimulam testículos e ovários |
Testículos | Produzem testosterona e espermatozoides |
Ovários | Produzem estrogênio, progesterona e óvulos |
Quando há falha em qualquer ponto desse eixo, pode surgir Hipogonadismo.
Tipos de Hipogonadismo
O Hipogonadismo pode ser classificado em primário ou secundário, dependendo da origem do problema.
Tipo | Onde está a alteração | O que acontece |
Hipogonadismo primário | Testículos ou ovários | As gônadas não respondem adequadamente ao estímulo hormonal |
Hipogonadismo secundário ou hipogonadotrófico | Hipotálamo ou hipófise | O cérebro não produz estímulo suficiente para as gônadas |
Hipogonadismo funcional | Relacionado a doenças, obesidade, estresse metabólico ou medicamentos | Pode melhorar quando a causa de base é tratada |
No Hipogonadismo masculino, por exemplo, o problema pode estar nos testículos, na hipófise ou no hipotálamo. A Cleveland Clinic descreve o baixo nível de testosterona como uma condição que pode ser causada por alterações nos testículos, na hipófise ou no hipotálamo.
Quais são os sintomas do Hipogonadismo em homens?
Os sintomas variam conforme o momento em que o Hipogonadismo aparece. Quando ocorre antes ou durante a puberdade, pode prejudicar o desenvolvimento das características sexuais secundárias. Quando surge na vida adulta, costuma causar sintomas físicos, sexuais, metabólicos e emocionais.
Em homens adultos, os sintomas podem incluir:
Redução da libido;
Disfunção erétil;
Infertilidade;
Cansaço persistente;
Redução de massa muscular;
Aumento de gordura corporal;
Perda de pelos corporais;
Ginecomastia;
Queda de energia;
Alterações de humor;
Diminuição da densidade óssea;
Maior risco de Osteoporose.
A MedlinePlus lista como manifestações do Hipogonadismo masculino sintomas como ginecomastia, infertilidade, perda de massa muscular, baixa libido, redução de pelos corporais e desenvolvimento puberal incompleto quando ocorre antes da puberdade.
Quais são os sintomas do Hipogonadismo em mulheres?
Nas mulheres, o Hipogonadismo pode se manifestar principalmente por alterações menstruais, sintomas de deficiência estrogênica e dificuldade para engravidar.
Os sintomas podem incluir:
Menstruação irregular;
Ausência de menstruação;
Ondas de calor;
Suores noturnos;
Ressecamento vaginal;
Redução da libido;
Infertilidade;
Alterações de humor;
Sono ruim;
Fadiga;
Redução da massa óssea;
Maior risco de Osteoporose.
A MedlinePlus descreve que, quando o Hipogonadismo ocorre após a puberdade em mulheres, podem surgir ondas de calor, mudanças de energia e humor, além de irregularidade ou interrupção da menstruação.
Em mulheres com menos de 40 anos, uma causa importante de Hipogonadismo é a Insuficiência Ovariana Primária, condição em que os ovários deixam de funcionar adequadamente antes da idade esperada. A Mayo Clinic explica que essa condição ocorre quando os ovários param de funcionar como deveriam antes dos 40 anos, produzindo menos estrogênio e liberando óvulos de forma irregular.
Hipogonadismo é a mesma coisa que menopausa?
Não exatamente.
A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, marcada pelo fim dos ciclos menstruais e pela queda fisiológica dos hormônios ovarianos. Já o Hipogonadismo pode ocorrer fora do momento esperado, inclusive em mulheres jovens, adolescentes ou pessoas com doenças que afetam ovários, hipófise ou hipotálamo.
Quando a queda hormonal ocorre antes dos 40 anos, pode indicar Insuficiência Ovariana Primária e merece investigação. A MedlinePlus informa que a Insuficiência Ovariana Primária acontece quando os ovários param de funcionar normalmente antes dos 40 anos, podendo causar irregularidade menstrual e redução da fertilidade.
Quais são as causas do Hipogonadismo?
As causas são variadas e dependem do tipo de Hipogonadismo.
Entre as causas possíveis estão:
Alterações genéticas;
Lesões nos testículos ou ovários;
Cirurgias;
Radioterapia ou quimioterapia;
Doenças autoimunes;
Tumores de hipófise;
Hiperprolactinemia;
Doenças crônicas;
Obesidade;
Desnutrição;
Exercício físico excessivo;
Estresse intenso;
Uso de alguns medicamentos;
Infecções;
Envelhecimento, em alguns casos.
No Hipogonadismo hipogonadotrófico, a alteração está no estímulo hormonal vindo do hipotálamo ou da hipófise. A MedlinePlus descreve que esse tipo pode causar baixa libido em homens, ausência de menstruação em mulheres, baixa energia, alterações de humor, infertilidade e perda de massa muscular.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico não deve ser feito apenas com base em sintomas isolados. Muitos sinais do Hipogonadismo, como cansaço, desânimo, redução da libido e ganho de peso, também podem ocorrer em Anemia, Hipotireoidismo, Depressão, distúrbios do sono, estresse, Diabetes e outras condições.
Por isso, o diagnóstico exige avaliação clínica e exames laboratoriais.
Em geral, a investigação pode incluir:
Dosagem de testosterona total e livre, em homens;
LH e FSH;
Prolactina;
Estradiol, em mulheres;
Avaliação da função tireoidiana;
Exames metabólicos;
Avaliação da fertilidade, quando necessário;
Ressonância de hipófise em casos selecionados;
Densitometria óssea quando há risco de perda óssea.
A Endocrine Society recomenda diagnosticar Hipogonadismo masculino apenas em homens com sintomas e sinais compatíveis associados a níveis de testosterona consistentemente baixos, confirmados por exames adequados.
Como é o tratamento do Hipogonadismo?
O tratamento depende da causa, da idade, dos sintomas, do desejo reprodutivo e dos riscos individuais.
Em homens, a reposição de testosterona pode ser indicada em alguns casos de deficiência comprovada, mas não deve ser usada sem diagnóstico correto. A Endocrine Society recomenda terapia com testosterona para homens com Hipogonadismo sintomático, com o objetivo de induzir e manter características sexuais secundárias e corrigir sintomas de deficiência hormonal.
No entanto, a reposição de testosterona não é indicada para todos. Ela pode reduzir a produção de espermatozoides e prejudicar a fertilidade em homens que desejam ter filhos. Também exige avaliação de contraindicações, acompanhamento médico e monitoramento.
Em mulheres, o tratamento depende da causa. Na Insuficiência Ovariana Primária, por exemplo, a terapia hormonal pode ser indicada para reduzir sintomas e proteger a saúde óssea, quando não houver contraindicações. O MSD Manual descreve que a Insuficiência Ovariana Primária costuma ser tratada com terapia combinada de estrogênio e progestagênio.
Reposição hormonal deve ser feita por conta própria?
Não. Esse é um ponto essencial.
Hormônios não devem ser usados apenas para aumentar energia, melhorar estética corporal, acelerar ganho de massa muscular ou “rejuvenescer”. O uso sem indicação pode causar efeitos adversos importantes e mascarar doenças que precisam de diagnóstico.
A reposição hormonal deve considerar:
Sintomas;
Exames confirmatórios;
Causa do Hipogonadismo;
Idade;
Risco cardiovascular;
Saúde da próstata, em homens;
Saúde das mamas e útero, em mulheres;
Fertilidade;
Risco de trombose;
Saúde óssea;
Doenças associadas.
Quando o Hipogonadismo é secundário a outra condição, como obesidade, tumor hipofisário, hiperprolactinemia ou uso de medicamentos, tratar a causa pode ser tão importante quanto corrigir os hormônios.
Quais complicações podem ocorrer sem tratamento?
O Hipogonadismo não tratado pode afetar diferentes áreas da saúde.
Possíveis complicações incluem:
Infertilidade;
Redução da massa óssea;
Osteopenia ou Osteoporose;
Maior risco de fraturas;
Perda de massa muscular;
Alterações metabólicas;
Dificuldade de desenvolvimento puberal em adolescentes;
Impacto na qualidade de vida;
Sintomas persistentes de fadiga e baixa disposição.
Em adolescentes, atraso puberal, ausência de menstruação, falta de desenvolvimento esperado ou crescimento inadequado merecem avaliação médica.
Quando procurar atendimento médico?
Procure avaliação se houver sintomas persistentes ou alterações hormonais suspeitas.
Sinais de atenção incluem:
Puberdade atrasada;
Ausência de menstruação;
Menstruação que para sem explicação;
Infertilidade;
Redução importante da libido;
Disfunção erétil;
Cansaço persistente sem causa clara;
Perda de massa muscular;
Ginecomastia;
Ondas de calor fora do período esperado;
Fraturas ou suspeita de Osteoporose precoce.
O mais importante é não interpretar qualquer queda de energia como “falta de hormônio”. A investigação correta evita tratamentos desnecessários e ajuda a identificar causas reais.
Conclusão
O Hipogonadismo é uma condição em que o corpo produz menos hormônios sexuais do que deveria. Pode afetar homens e mulheres, surgir em diferentes fases da vida e ter causas nos testículos, ovários, hipófise ou hipotálamo.
Os sintomas variam, mas podem incluir alterações menstruais, infertilidade, baixa libido, cansaço, redução de massa muscular, ondas de calor, perda óssea e atraso puberal.
O diagnóstico precisa unir sintomas e exames laboratoriais. A reposição hormonal pode ser necessária em alguns casos, mas nunca deve ser feita por conta própria. O tratamento correto depende da causa, do perfil do paciente e dos objetivos, especialmente quando há desejo de preservar fertilidade.



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