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Leishmaniose : a ferida que não cicatriza e precisa de atenção

  • 4 de mai.
  • 6 min de leitura
Leishmaniose Tegumentar

A Leishmaniose Tegumentar é uma doença infecciosa que pode causar lesões na pele e, em alguns casos, atingir mucosas como nariz, boca e garganta. Apesar de muitas pessoas associarem feridas persistentes apenas a machucados, alergias ou infecções comuns da pele, uma lesão que não cicatriza depois de semanas precisa ser avaliada com cuidado.

A doença é causada por parasitas do gênero Leishmania e transmitida pela picada de flebotomíneos infectados, popularmente conhecidos como mosquito-palha, tatuquira ou birigui, dependendo da região. A Leishmaniose Tegumentar não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra pelo contato com a ferida. A transmissão ocorre por meio do inseto vetor.

O problema é que a lesão inicial pode parecer simples. Muitas vezes, começa como uma pequena elevação na pele, parecida com uma picada ou caroço. Com o tempo, pode evoluir para uma ferida aberta, de bordas elevadas e crescimento progressivo. Como nem sempre há dor intensa, algumas pessoas demoram a procurar atendimento.

O que é Leishmaniose Tegumentar?

A Leishmaniose Tegumentar é uma forma de Leishmaniose que acomete principalmente a pele. Em alguns casos, também pode comprometer mucosas, especialmente na região nasal, oral e faríngea. Essa forma mucosa costuma ser mais delicada, pois pode causar sintomas persistentes e alterações locais importantes se não for tratada adequadamente.

A doença faz parte de um grupo de infecções chamadas leishmanioses. No Brasil, as principais formas são:

  • Leishmaniose Tegumentar, que afeta pele e mucosas;

  • Leishmaniose Visceral, também conhecida como calazar, que compromete órgãos internos e tem apresentação clínica diferente.

No artigo de hoje, o foco é a Leishmaniose Tegumentar, especialmente aquela ferida na pele que não cicatriza e pode passar despercebida no início.

Como acontece a transmissão?

A transmissão da Leishmaniose Tegumentar ocorre quando o mosquito-palha infectado pica uma pessoa. Esse inseto costuma ser pequeno, silencioso e mais ativo em horários de menor luminosidade, como fim da tarde, noite e madrugada.

O risco pode ser maior em áreas de mata, regiões rurais, locais com vegetação densa, acúmulo de matéria orgânica, presença de animais e moradias próximas a ambientes silvestres. No entanto, a doença também pode aparecer em áreas periurbanas, dependendo das condições ambientais.

Algumas situações aumentam a exposição:

  • Morar ou trabalhar próximo a áreas de mata;

  • Fazer trilhas, pescarias, acampamentos ou atividades rurais;

  • Permanecer em áreas com presença de mosquito-palha;

  • Ter casas próximas a galinheiros, currais ou locais com matéria orgânica;

  • Usar pouca proteção corporal em áreas de risco;

  • Dormir em locais sem telas, mosquiteiros ou barreiras físicas.

A prevenção, portanto, envolve tanto medidas individuais quanto cuidados ambientais.

Quais são os sintomas da Leishmaniose Tegumentar?

O sintoma mais característico da Leishmaniose Tegumentar é uma lesão de pele que não cicatriza. A ferida costuma aparecer em áreas descobertas do corpo, como braços, pernas, rosto, orelhas e pescoço, justamente por serem regiões mais expostas à picada do inseto.

A lesão pode apresentar algumas características típicas:

  • Começa como uma pequena pápula, caroço ou área avermelhada;

  • Cresce lentamente ao longo das semanas;

  • Pode formar uma úlcera arredondada;

  • Costuma ter bordas elevadas;

  • Pode apresentar fundo avermelhado ou granuloso;

  • Geralmente não dói muito;

  • Pode não melhorar com pomadas comuns;

  • Pode permanecer aberta por semanas ou meses.

Esse ponto é muito importante: uma ferida indolor não significa que seja inofensiva. Muitas lesões de Leishmaniose Tegumentar não causam dor intensa, mas continuam evoluindo.

Quando desconfiar de Leishmaniose Tegumentar?

A suspeita deve surgir principalmente quando existe uma ferida persistente, de evolução lenta, que não cicatriza após algumas semanas. A atenção deve ser ainda maior quando a pessoa mora, trabalha ou esteve recentemente em área com risco de transmissão.

Algumas perguntas ajudam a orientar a suspeita:

  • A ferida surgiu depois de contato com área de mata ou zona rural?

  • A lesão está aumentando com o tempo?

  • A ferida tem bordas elevadas?

  • Já foram usadas pomadas ou antibióticos sem melhora?

  • A lesão existe há mais de duas ou três semanas?

  • Há mais de uma ferida no corpo?

  • Existe entupimento nasal, crostas, sangramento ou feridas dentro do nariz?

Esses sinais não confirmam o diagnóstico, mas indicam necessidade de avaliação profissional.

A Leishmaniose Tegumentar pode atingir mucosas?

Sim. Em alguns casos, a Leishmaniose Tegumentar pode atingir mucosas, principalmente nariz, boca e garganta. Essa forma pode aparecer junto com a lesão de pele ou surgir depois, inclusive meses ou anos após uma lesão cutânea anterior.

Quando há acometimento nasal, a pessoa pode apresentar:

  • Entupimento nasal persistente;

  • Sangramentos no nariz;

  • Crostas frequentes;

  • Feridas internas;

  • Coriza crônica;

  • Sensação de obstrução;

  • Alterações na voz ou desconforto na garganta em casos mais avançados.

Essa apresentação exige avaliação médica, porque o tratamento precoce reduz o risco de complicações e sequelas.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da Leishmaniose Tegumentar é feito pela combinação entre avaliação clínica, histórico de exposição e exames específicos. O profissional de saúde observa o aspecto da lesão, o tempo de evolução, a região onde a pessoa vive ou esteve e a possibilidade de contato com áreas de transmissão.

Os exames podem incluir métodos parasitológicos, testes imunológicos, biópsia da lesão ou outras análises, conforme a disponibilidade do serviço e a forma clínica suspeita. Como várias doenças podem causar feridas crônicas na pele, o diagnóstico diferencial é essencial.

Entre as condições que podem parecer Leishmaniose Tegumentar estão:

  • Infecções bacterianas da pele;

  • Micoses profundas;

  • Tuberculose cutânea;

  • Hanseníase;

  • Sífilis;

  • Úlceras traumáticas;

  • Doenças inflamatórias;

  • Alguns tipos de câncer de pele.

Por isso, não é recomendado tratar uma ferida persistente apenas com pomadas ou receitas caseiras sem investigação.

Como é o tratamento da Leishmaniose Tegumentar?

A Leishmaniose Tegumentar tem tratamento, mas ele deve ser indicado por profissional de saúde. A escolha depende da forma clínica, tamanho e número de lesões, localização, idade do paciente, presença de doenças associadas, risco de acometimento mucoso e disponibilidade terapêutica.

O tratamento pode envolver medicamentos específicos, alguns administrados por via injetável e outros por via oral em situações selecionadas. Também pode exigir acompanhamento com exames, porque algumas medicações precisam de monitoramento de possíveis efeitos adversos.

Um erro comum é abandonar o tratamento quando a ferida começa a melhorar. A melhora parcial não significa cura completa. O acompanhamento até a alta é importante para reduzir risco de recidiva e complicações.

O que não fazer diante de uma ferida suspeita?

Diante de uma ferida que não cicatriza, é importante evitar medidas que atrasem o diagnóstico ou piorem a lesão. Muitas pessoas tentam soluções caseiras por semanas antes de procurar atendimento, o que pode dificultar a evolução.

Evite:

  • Aplicar produtos irritantes na ferida;

  • Usar antibióticos sem prescrição;

  • Passar pomadas por conta própria por longos períodos;

  • Cobrir a lesão sem orientação adequada;

  • Cutucar, espremer ou raspar a ferida;

  • Interromper tratamento antes da liberação médica;

  • Ignorar lesões em nariz, boca ou garganta.

A conduta mais segura é procurar avaliação em uma unidade de saúde.

Como prevenir a Leishmaniose Tegumentar?

A prevenção se baseia em reduzir o contato com o mosquito-palha e melhorar as condições ambientais ao redor das moradias. Em áreas de risco, medidas simples podem ajudar bastante.

Entre as principais estratégias estão:

  • Usar roupas que cubram braços e pernas em áreas de mata;

  • Aplicar repelente adequado conforme orientação de saúde;

  • Instalar telas em portas e janelas;

  • Utilizar mosquiteiros, principalmente em locais de maior exposição;

  • Evitar permanência desnecessária em áreas de mata ao anoitecer;

  • Manter quintais limpos;

  • Reduzir acúmulo de folhas, restos orgânicos e lixo;

  • Manter abrigos de animais afastados da casa quando possível;

  • Procurar orientação da vigilância em saúde em áreas com casos frequentes.

A prevenção não depende apenas do indivíduo. Ela também envolve vigilância epidemiológica, controle ambiental e identificação precoce de casos.

Quando procurar atendimento médico?

A avaliação médica deve ser procurada sempre que houver uma ferida que não cicatriza, especialmente se durar mais de duas ou três semanas, tiver bordas elevadas, aumentar progressivamente ou surgir após exposição a áreas de risco.

Também é importante procurar atendimento se houver:

  • Lesões múltiplas;

  • Feridas no rosto, orelhas ou regiões próximas a mucosas;

  • Entupimento nasal persistente;

  • Sangramento nasal recorrente;

  • Crostas ou feridas dentro do nariz;

  • Dificuldade para engolir;

  • Rouquidão persistente;

  • Retorno de sintomas após tratamento anterior.

Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, maiores as chances de tratamento adequado e menor o risco de complicações.

Conclusão

A Leishmaniose Tegumentar é uma doença que merece atenção porque pode começar como uma lesão aparentemente simples, mas persistir, aumentar e comprometer pele ou mucosas. A principal mensagem é clara: ferida que não cicatriza precisa ser avaliada.

Nem toda ferida crônica é Leishmaniose Tegumentar, mas essa possibilidade deve ser lembrada, principalmente em áreas com presença do mosquito-palha ou histórico de exposição a ambientes de risco. O diagnóstico correto evita tratamentos inadequados e permite iniciar a terapia indicada.

Observar a pele, valorizar lesões persistentes e procurar atendimento no momento certo são atitudes fundamentais para proteger a saúde e evitar complicações.


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