Pancreatite crônica: quando a inflamação do pâncreas se torna permanente
- claurepires
- 18 de nov. de 2025
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A pancreatite crônica é uma inflamação persistente do pâncreas que leva à destruição progressiva do órgão, resultando em dor abdominal recorrente, má digestão e, em estágios avançados, diabetes. É uma condição complexa, de evolução lenta e silenciosa, que exige diagnóstico precoce e tratamento contínuo para prevenir complicações graves.
O pâncreas é responsável pela produção de enzimas digestivas e hormônios, como a insulina. Quando o órgão sofre agressões repetidas, suas estruturas internas começam a se deteriorar, comprometendo tanto a digestão quanto o controle glicêmico.
Reconhecer sinais iniciais de pancreatite crônica é fundamental para evitar danos irreversíveis.
O que é pancreatite crônica
A pancreatite crônica ocorre quando o pâncreas sofre inflamação contínua, levando à cicatrização permanente (fibrose). Com o tempo, o órgão perde a capacidade de produzir enzimas digestivas e hormônios de forma adequada.
Esse processo prejudica a digestão e pode causar dor abdominal persistente, perda de peso e deficiência nutricional.
Alguns sinais ajudam a identificar o início da doença:
dor abdominal recorrente, especialmente após refeições;
diarreia gordurosa;
perda de peso não intencional;
náuseas frequentes;
distensão abdominal;
episódios repetidos de pancreatite aguda.
Esse conjunto de sintomas direciona a investigação médica.
Principais causas da pancreatite crônica
A pancreatite crônica é causada por fatores que provocam inflamações repetidas no pâncreas. Embora o álcool seja a causa mais conhecida, existem muitas outras.
Consumo crônico de álcool
O álcool é responsável por grande parte dos casos, pois causa agressões contínuas às células pancreáticas, levando à inflamação progressiva.
Doenças metabólicas e genéticas
Algumas condições aumentam a suscetibilidade à pancreatite.
Entre elas estão:
hipertrigliceridemia grave;
cálculos biliares recorrentes;
mutações genéticas (CFTR, SPINK1, PRSS1);
fibrose cística;
hiperparatireoidismo.
Causas autoimunes
A pancreatite autoimune é uma forma rara, mas importante, caracterizada por inflamação mediada por anticorpos.
Medicamentos e toxinas
Embora menos frequente, alguns fármacos podem desencadear inflamação pancreática crônica.
Idiopática
Em muitos casos, a causa permanece desconhecida.
Sintomas que merecem atenção
A pancreatite crônica é marcada por sintomas persistentes e progressivos. A dor costuma ser o primeiro sinal, mas outros sintomas revelam comprometimento funcional do pâncreas.
Entre os sinais mais comuns estão:
dor abdominal constante ou intermitente;
fezes volumosas e gordurosas;
perda de apetite;
náuseas e vômitos;
perda de peso;
fadiga persistente.
A presença de esteatorreia (fezes gordurosas, brilhantes e de difícil limpeza) é um indicativo de insuficiência pancreática exócrina.
Complicações da pancreatite crônica
Com o tempo, a inflamação permanente pode gerar sequelas importantes, afetando digestão, nutrição e controle glicêmico.
As complicações mais frequentes incluem:
diabetes mellitus por destruição das células beta;
pseudocistos pancreáticos;
obstrução de ductos biliares;
desnutrição;
deficiência de vitaminas lipossolúveis;
dor crônica incapacitante.
A progressão da doença pode ocorrer de forma silenciosa, exigindo acompanhamento regular.
Como é feito o diagnóstico da pancreatite crônica
O diagnóstico envolve combinação de história clínica, exames de imagem e testes laboratoriais que avaliam a função pancreática.
Os métodos mais utilizados são:
tomografia computadorizada do abdômen;
ressonância magnética do colangiopancreatograma;
ultrassom endoscópico;
testes de elastase fecal;
exames de vitaminas lipossolúveis;
glicemia e hemoglobina glicada.
A associação entre sintomas, alteração estrutural e comprometimento funcional confirma o diagnóstico.
Tratamentos disponíveis para pancreatite crônica
O tratamento tem como objetivo reduzir a dor, corrigir a perda enzimática, melhorar a digestão e prevenir complicações metabólicas. É uma condição que exige manejo contínuo e multidisciplinar.
As estratégias mais eficazes incluem:
cessação total do consumo de álcool;
reposição de enzimas pancreáticas;
dieta rica em calorias e com gorduras controladas;
uso de analgésicos;
suplementação de vitaminas;
controle rigoroso da glicemia;
procedimentos endoscópicos para desobstrução de ductos;
cirurgias em casos avançados.
Muitos pacientes apresentam melhora significativa com reposição adequada das enzimas pancreáticas.
A importância da nutrição no tratamento
A nutrição é parte central do tratamento da pancreatite crônica, já que a má digestão provoca perda de peso e deficiências nutricionais importantes.
As orientações nutricionais mais utilizadas incluem:
refeições menores e mais frequentes;
redução de gordura saturada;
reposição de enzimas em todas as refeições;
suplementação de vitaminas A, D, E e K;
hidratação constante.
A dieta deve ser personalizada, preferencialmente com acompanhamento especializado.
Diferença entre pancreatite aguda e pancreatite crônica
A pancreatite aguda surge de forma súbita, geralmente com dor intensa e alterações laboratoriais significativas. Já a pancreatite crônica é lenta e progressiva, com episódios repetidos que levam à fibrose permanente.
Enquanto a forma aguda pode ser reversível, a crônica causa danos irreversíveis.
Quando procurar atendimento médico
Procure ajuda quando houver:
dor abdominal persistente;
perda de peso sem explicação;
fezes gordurosas;
náuseas frequentes;
icterícia;
episódios repetidos de pancreatite.
Diagnóstico precoce evita complicações graves.
Conclusão
A pancreatite crônica é uma condição séria e progressiva, que compromete o funcionamento do pâncreas e afeta digestão, nutrição e controle glicêmico. Embora muitas causas estejam relacionadas ao álcool, outras condições metabólicas, genéticas e autoimunes também podem desencadear o quadro.
O acompanhamento regular com equipe especializada, a mudança de hábitos, a reposição de enzimas pancreáticas e a atenção aos sinais de alerta são essenciais para evitar complicações e melhorar a qualidade de vida.
Com tratamento adequado, é possível controlar os sintomas, prevenir sequelas e viver com mais conforto e segurança.



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