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Púrpura trombocitopênica: quando a queda das plaquetas se manifesta na pele

  • 5 de fev.
  • 3 min de leitura
Púrpura trombocitopênica

A Púrpura trombocitopênica é uma condição caracterizada pela redução do número de plaquetas no sangue, levando ao aparecimento de sangramentos cutâneos e mucosos. Trata-se de um achado clínico relevante, pois pode estar associado tanto a doenças benignas quanto a quadros graves que exigem diagnóstico e tratamento imediatos.

Na prática médica, reconhecer a púrpura como manifestação de trombocitopenia é fundamental para orientar a investigação etiológica e prevenir complicações hemorrágicas.

O que é a púrpura trombocitopênica?

A púrpura trombocitopênica ocorre quando a contagem de plaquetas está reduzida, geralmente abaixo de 100.000/mm³, comprometendo a hemostasia primária. Como consequência, pequenos vasos sanguíneos tornam-se mais suscetíveis a sangramentos espontâneos.

Esses sangramentos se manifestam principalmente na pele e nas mucosas, sob a forma de:

  • Petéquias: pequenas manchas avermelhadas puntiformes;

  • Púrpuras: manchas maiores, arroxeadas;

  • Equimoses: hematomas extensos.

Diferentemente das púrpuras de origem vascular, as lesões trombocitopênicas não desaparecem à digitopressão.

Principais causas de trombocitopenia

A trombocitopenia pode resultar de diferentes mecanismos fisiopatológicos, sendo classificada, de forma didática, em três grandes grupos:

1. Diminuição da produção de plaquetas

  • Doenças da medula óssea;

  • Deficiências nutricionais graves;

  • Uso de quimioterápicos;

  • Infecções virais.

2. Aumento da destruição de plaquetas

  • Púrpura trombocitopênica imune (PTI);

  • Doenças autoimunes;

  • Uso de medicamentos;

  • Infecções.

3. Sequestro esplênico

  • Esplenomegalia;

  • Doenças hepáticas crônicas.

Entre essas causas, a Púrpura trombocitopênica imune é uma das mais frequentes na prática clínica.

Púrpura trombocitopênica imune (PTI)

A PTI é uma doença autoimune na qual o organismo produz autoanticorpos contra as plaquetas, levando à sua destruição acelerada, principalmente no baço.

Ela pode ocorrer em crianças e adultos, apresentando características distintas:

  • PTI infantil: geralmente aguda, autolimitada e associada a infecção viral prévia;

  • PTI do adulto: costuma ter curso crônico e exigir acompanhamento prolongado.

Sinais e sintomas: como a doença se manifesta?

A intensidade dos sintomas depende diretamente do nível de plaquetas e da presença de fatores associados.

Os principais sinais clínicos incluem:

  • Petéquias disseminadas, especialmente em membros inferiores;

  • Equimoses espontâneas ou desproporcionais a pequenos traumas;

  • Sangramento gengival;

  • Epistaxe recorrente;

  • Menorragia;

  • Hematúria ou sangramento gastrointestinal, em casos mais graves.

Em situações extremas, há risco de hemorragias internas, incluindo hemorragia intracraniana, especialmente quando as plaquetas estão muito baixas.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da púrpura trombocitopênica é baseado na avaliação clínica e laboratorial.

Exames laboratoriais

  • Hemograma: trombocitopenia isolada ou associada a outras alterações;

  • Esfregaço periférico: avalia morfologia das plaquetas e exclui pseudotrombocitopenia;

  • Exames adicionais conforme suspeita clínica (função hepática, sorologias, autoanticorpos).

Na PTI, o achado clássico é a trombocitopenia isolada, com demais séries hematológicas preservadas.

Diagnóstico diferencial

É essencial excluir outras causas de trombocitopenia, como:

  • Leucemias e outras doenças hematológicas;

  • Coagulação intravascular disseminada;

  • Púrpura trombótica trombocitopênica;

  • Síndrome hemolítico-urêmica;

  • Uso de medicamentos.

Tratamento da púrpura trombocitopênica

O tratamento depende da causa, da gravidade da trombocitopenia e da presença de sangramentos.

Púrpura trombocitopênica imune

As principais opções terapêuticas incluem:

  • Corticosteroides sistêmicos (primeira linha);

  • Imunoglobulina intravenosa, em casos selecionados;

  • Agonistas do receptor de trombopoetina;

  • Esplenectomia, em casos refratários.

Nem todos os pacientes necessitam tratamento imediato, especialmente aqueles assintomáticos com plaquetas em níveis seguros.

Prognóstico

O prognóstico varia conforme a etiologia. Na PTI:

  • Crianças geralmente apresentam remissão espontânea;

  • Adultos podem evoluir com doença crônica, mas com bom controle na maioria dos casos.

O acompanhamento regular é fundamental para monitorar a contagem plaquetária e prevenir complicações hemorrágicas.

Conclusão

A Púrpura trombocitopênica é uma condição clínica relevante, que se manifesta principalmente por sangramentos cutâneos e mucosos decorrentes da redução das plaquetas. Reconhecer seus sinais precocemente, investigar a causa subjacente e instituir o tratamento adequado são medidas essenciais para garantir segurança e bom prognóstico ao paciente.

Para estudantes de Medicina e médicos recém-formados, trata-se de um diagnóstico que deve sempre ser considerado diante de petéquias e equimoses sem causa aparente.


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