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Quando a dor de garganta não é infecção: outras causas que merecem atenção


A dor de garganta é um dos sintomas mais comuns na prática clínica e, geralmente, é imediatamente associada a infecções virais ou bacterianas. Entretanto, nem toda dor de garganta tem origem infecciosa. Muitas vezes, o desconforto é provocado por irritação, inflamações não infecciosas, fatores ambientais, alterações estruturais ou condições clínicas que passam despercebidas.

Saber reconhecer quando a dor de garganta não está ligada a infecção é essencial para evitar automedicação, uso desnecessário de antibióticos e atrasos no diagnóstico de condições mais complexas.

Como a dor de garganta se manifesta fora das infecções

A dor pode variar de leve a intensa, acompanhada ou não de ardor, sensação de arranhado, dificuldade para engolir, rouquidão ou sensação de corpo estranho. Diferentemente das infecções, muitas dessas dores não vêm acompanhadas de febre alta, mal-estar intenso generalizado ou placas purulentas nas amígdalas.

A observação de duração, intensidade e fatores desencadeantes ajuda muito na diferenciação.

Irritação ambiental e ressecamento

Um dos motivos mais frequentes de dor de garganta não infecciosa é a irritação causada pelo ambiente. Ar seco, poluição, poeira e exposição prolongada a ambientes com ar-condicionado podem agredir as mucosas da garganta.

Isso pode provocar:

  • sensação de garganta seca;

  • ardor persistente;

  • dificuldade para engolir;

  • piora ao acordar.

Hidratação adequada e melhora do ambiente costumam aliviar o sintoma.

Uso excessivo da voz e esforço vocal

Profissionais que utilizam intensamente a voz — professores, cantores, palestrantes, atendentes — têm maior risco de desenvolver dor de garganta não infecciosa.

O esforço vocal pode causar:

  • inflamação das cordas vocais;

  • rouquidão;

  • dor ao falar;

  • sensação de fadiga vocal.

Nesses casos, repouso de voz e orientação com fonoaudiólogo são fundamentais.

Refluxo gastroesofágico e dor de garganta

O refluxo ácido é uma causa muito comum de dor de garganta persistente sem sinais de infecção. O ácido do estômago pode irritar a faringe e a laringe, principalmente durante a noite.

Os sintomas geralmente incluem:

  • ardor na garganta;

  • tosse seca persistente;

  • rouquidão matinal;

  • sensação de líquido ácido subindo;

  • piora ao deitar.

O tratamento envolve mudanças no estilo de vida e orientação médica específica.

Alergias respiratórias

Alergias também podem causar dor de garganta devido à inflamação crônica e ao aumento da produção de secreção nasal, que pode escorrer para a parte posterior da garganta.

Podem estar presentes:

  • coceira na garganta;

  • espirros;

  • congestão nasal;

  • olhos lacrimejantes.

O controle da alergia costuma aliviar os sintomas de garganta.

Traumas e irritações locais

Pequenas lesões podem causar dor significativa. Isso pode ocorrer após engolir alimentos muito quentes, objetos pontiagudos, substâncias irritantes ou até devido à entubação em procedimentos médicos.

Nesses casos, a dor é localizada e frequentemente associada a sensação de machucado.

Causas musculoesqueléticas

Em alguns casos, o desconforto pode ter origem muscular, especialmente em situações de tensão prolongada, má postura cervical ou bruxismo. A musculatura da região do pescoço e mandíbula pode gerar dor que é percebida na garganta.

Problemas da tireoide e aumento de estruturas locais

Alterações na glândula tireoide (como aumento do volume) e outros aumentos de estruturas cervicais podem causar sensação de pressão, desconforto e dor na garganta, mesmo sem infecção associada.

Dor de garganta psicogênica: quando o emocional participa

Estresse e ansiedade podem intensificar a percepção da dor ou gerar sensação de aperto, bolo na garganta e desconforto persistente, mesmo sem causa orgânica evidente.

Esse quadro é relativamente comum e reforça a interação entre saúde física e emocional.

Sinais de alerta: quando investigar com mais atenção

Embora muitas dores de garganta não infecciosas sejam benignas, alguns sinais exigem avaliação médica:

  • dor intensa e persistente por mais de 7 a 10 dias;

  • dificuldade significativa para engolir;

  • sangue na saliva;

  • rouquidão persistente;

  • perda de peso inexplicada;

  • dor acompanhada de nódulo no pescoço;

  • dor associada a tabagismo ou álcool de longa data.

Nesses casos, é essencial investigar causas mais importantes, incluindo doenças estruturais e, raramente, tumores.

Automedicação: um risco frequente

Muitas pessoas recorrem ao uso indiscriminado de antibióticos para dor de garganta. Além de ineficazes nos casos não infecciosos, eles podem causar efeitos adversos e contribuir para resistência bacteriana.

O ideal é buscar avaliação adequada antes de iniciar qualquer medicação.

Como aliviar a dor de garganta não infecciosa

Algumas medidas ajudam a reduzir o desconforto:

  • hidratação adequada;

  • evitar bebidas muito geladas ou muito quentes;

  • não forçar a voz;

  • reduzir exposição a fumaça e poluentes;

  • manter ambiente umidificado;

  • cuidar de hábitos noturnos em casos de refluxo.

O tratamento definitivo dependerá da causa identificada.

Conclusão

Nem toda dor de garganta significa infecção. Irritação ambiental, alergias, refluxo, esforço vocal, traumas e fatores emocionais estão entre as causas não infecciosas mais comuns. Observar a duração do quadro, os sintomas associados e sinais de alerta é essencial para diferenciar situações simples daquelas que exigem avaliação médica. Evitar automedicação e buscar orientação adequada garante diagnóstico correto e manejo mais eficaz.

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