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Tabagismo no Brasil: por que o aumento do cigarro e dos vapes preocupa

  • 1 de jun.
  • 6 min de leitura
Tabagismo no Brasil

O tabagismo no Brasil voltou a acender um alerta de saúde pública. Depois de décadas de queda no número de fumantes, dados recentes apontam crescimento da prevalência de adultos que fumam, ao mesmo tempo em que novos produtos de nicotina, como vapes, pods, cigarros eletrônicos e sachês de nicotina, ganham espaço entre jovens. O problema é que esses produtos muitas vezes são apresentados como modernos ou menos nocivos, mas mantêm alto potencial de dependência e podem trazer riscos importantes para a saúde.

O que é tabagismo?

Tabagismo é a dependência causada pelo consumo de produtos derivados do tabaco ou de produtos que entregam nicotina ao organismo. A forma mais conhecida é o cigarro convencional, mas hoje a preocupação também envolve dispositivos eletrônicos para fumar e outros produtos com nicotina.

A nicotina é uma substância com alto potencial de causar dependência. Ela age no cérebro, gerando sensação temporária de prazer, alerta ou alívio da ansiedade. Com o tempo, o organismo passa a sentir necessidade de repetir o uso.

Em resumo, tabagismo no Brasil não envolve apenas o cigarro tradicional. A expansão de produtos como vapes e sachês de nicotina mostra uma nova fase da dependência química, especialmente preocupante entre adolescentes e adultos jovens.

Por que o tabagismo voltou a preocupar no Brasil?

O Brasil foi reconhecido por muitos anos como referência no controle do tabaco. Medidas como ambientes livres de fumo, advertências sanitárias, restrição de propaganda e políticas de prevenção ajudaram a reduzir o número de fumantes.

No entanto, dados recentes indicam interrupção dessa trajetória de queda. Segundo informações divulgadas a partir do Vigitel, a proporção de fumantes adultos nas capitais brasileiras voltou a crescer em 2024, passando de cerca de 9,3% em 2023 para aproximadamente 11,6%.

Esse crescimento preocupa porque ocorre em um momento de popularização de novos produtos de nicotina. Mesmo proibidos no Brasil, os cigarros eletrônicos circulam de forma ilegal e são frequentemente divulgados em ambientes digitais, festas, rodas de amigos e redes sociais.

O risco é a chamada “renormalização” da nicotina: algo que havia perdido espaço social volta a parecer comum, moderno ou aceitável, principalmente entre jovens.

O que são vapes, pods e cigarros eletrônicos?

Vapes, pods e cigarros eletrônicos são dispositivos eletrônicos para fumar. Eles aquecem líquidos ou substâncias que podem conter nicotina, aromatizantes e outros compostos químicos, formando um aerossol inalado pelo usuário.

Apesar de muitas pessoas chamarem esse aerossol de “vapor”, ele não é apenas vapor de água. Pode conter nicotina, partículas finas, solventes, compostos irritantes e substâncias potencialmente prejudiciais ao sistema respiratório e cardiovascular.

No Brasil, esses dispositivos são proibidos pela Anvisa. A proibição envolve fabricação, importação, venda, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda.

Mesmo assim, a circulação ilegal continua sendo um desafio. A aparência tecnológica, os sabores adocicados e o marketing indireto podem criar a falsa impressão de que esses produtos são inofensivos.

O que são sachês de nicotina?

Os sachês de nicotina são pequenos produtos colocados na boca, geralmente entre a gengiva e o lábio, para liberar nicotina. Eles não produzem fumaça, mas isso não significa que sejam seguros.

A principal preocupação é a dependência. A nicotina pode alterar o sistema de recompensa do cérebro, aumentar a tolerância e dificultar a interrupção do uso.

Em jovens, o risco é ainda maior porque o cérebro está em desenvolvimento. A exposição precoce à nicotina pode favorecer dependência e aumentar a chance de uso continuado de produtos com nicotina.

É importante entender: não ter fumaça não significa não ter risco.

Quais são os principais riscos da nicotina?

A nicotina é uma substância estimulante e viciante. Ela pode causar efeitos no cérebro, coração, vasos sanguíneos e comportamento.

Entre os principais riscos estão:

  • dependência química;

  • dificuldade para parar de usar;

  • irritabilidade e ansiedade na abstinência;

  • aumento da frequência cardíaca;

  • elevação da pressão arterial em algumas pessoas;

  • piora de palpitações;

  • impacto no sono;

  • maior vulnerabilidade ao uso repetido;

  • risco de transição para outros produtos de tabaco ou nicotina.

Em adolescentes e jovens, a nicotina preocupa especialmente pelo impacto no cérebro em desenvolvimento. Ela pode interferir em circuitos relacionados a recompensa, atenção, impulsividade e controle de comportamento.

Além disso, a dependência pode surgir antes que a pessoa perceba que perdeu o controle do uso.

Quais sintomas merecem atenção?

O uso de cigarros, vapes ou outros produtos com nicotina pode provocar sintomas imediatos e efeitos de longo prazo.

Sintomas que podem aparecer após o uso incluem:

  • tontura;

  • náusea;

  • dor de cabeça;

  • palpitações;

  • tremores;

  • irritação na garganta;

  • tosse;

  • falta de ar;

  • ansiedade;

  • insônia;

  • sensação de necessidade de usar novamente.

Com o uso contínuo, podem surgir sinais de dependência, como dificuldade de ficar sem o produto, irritabilidade quando não usa, aumento progressivo da quantidade e uso mesmo sabendo dos riscos.

Situação

Pode observar com cuidado

Procurar atendimento

Tosse após uso

Não deve ser normalizada se recorrente

Se persistir ou vier com falta de ar

Palpitações

Pode ocorrer por nicotina

Se forem intensas ou frequentes

Náusea e tontura

Pode indicar excesso de nicotina

Se houver mal-estar importante

Ansiedade sem uso

Pode ser abstinência

Se atrapalhar a rotina

Falta de ar

Sinal de alerta

Procurar atendimento

Dor no peito

Sinal de alerta

Procurar atendimento urgente

Quando procurar atendimento médico?

A avaliação médica é importante quando a pessoa usa cigarro, vape, sachê de nicotina ou outro produto com nicotina e percebe dificuldade para parar.

Procure atendimento se houver:

  • falta de ar;

  • tosse persistente;

  • chiado no peito;

  • dor no peito;

  • palpitações;

  • tontura frequente;

  • ansiedade ou irritabilidade sem o produto;

  • uso diário ou repetido;

  • vontade intensa de usar;

  • tentativa frustrada de parar;

  • uso em adolescentes;

  • piora de Asma, Bronquite ou outras doenças respiratórias.

Procure atendimento com urgência se houver dor no peito, falta de ar intensa, desmaio, confusão mental, lábios arroxeados, crise respiratória ou palpitações acompanhadas de mal-estar importante.

A avaliação médica também é importante para quem deseja parar de fumar ou abandonar produtos de nicotina. Existem estratégias e tratamentos que podem ajudar.

Como é feito o diagnóstico da dependência de nicotina?

O diagnóstico é feito principalmente pela avaliação clínica. O profissional de saúde pergunta sobre tipo de produto usado, frequência, quantidade, tempo de uso, tentativas de parar e sintomas de abstinência.

Algumas perguntas importantes são:

  • usa todos os dias?

  • sente vontade intensa de usar?

  • fica irritado ou ansioso quando não usa?

  • já tentou parar e não conseguiu?

  • usa mesmo sabendo que faz mal?

  • aumentou a quantidade com o tempo?

  • usa logo ao acordar?

  • esconde o uso da família ou amigos?

Também pode ser feita avaliação respiratória, cardiovascular e emocional, conforme os sintomas. Em alguns casos, exames podem ser solicitados para investigar tosse, falta de ar, dor no peito ou outras queixas.

Como é o tratamento?

O tratamento do tabagismo e da dependência de nicotina deve ser individualizado. Parar nem sempre é simples, porque existe dependência física, comportamental e emocional.

As estratégias podem incluir:

  • aconselhamento profissional;

  • terapia cognitivo-comportamental;

  • grupos de apoio;

  • acompanhamento médico;

  • definição de data para parar;

  • identificação de gatilhos;

  • substituição de hábitos associados;

  • tratamento de ansiedade ou depressão quando presentes;

  • medicamentos específicos quando indicados;

  • terapia de reposição de nicotina em situações selecionadas e com orientação.

É importante não trocar cigarro por vape ou por outros produtos de nicotina como se isso fosse uma solução segura. A melhor estratégia deve ser discutida com um profissional de saúde.

No Sistema Único de Saúde, há programas de apoio para parar de fumar em muitas localidades, com acompanhamento e tratamento conforme disponibilidade.

Como proteger jovens dos novos produtos de nicotina?

A proteção começa com informação clara. Muitos jovens não associam vape, pod ou sachê à dependência química porque esses produtos são vendidos com aparência moderna, sabores agradáveis e linguagem de estilo de vida.

Famílias, escolas e profissionais de saúde devem reforçar que:

  • nicotina causa dependência;

  • vape não é inofensivo;

  • sabores doces não tornam o produto seguro;

  • produtos sem fumaça também podem causar vício;

  • uso experimental pode virar uso frequente;

  • adolescentes são mais vulneráveis à dependência.

Também é importante evitar discursos moralistas. A abordagem mais eficaz costuma ser objetiva, acolhedora e baseada em saúde: explicar riscos, abrir espaço para conversa e oferecer ajuda.

Resumo rápido

  • O tabagismo no Brasil voltou a preocupar após sinais de aumento entre adultos.

  • Vapes, pods e cigarros eletrônicos são proibidos no Brasil, mas circulam ilegalmente.

  • Sachês de nicotina e novos produtos preocupam pelo potencial de dependência.

  • A nicotina pode causar vício, palpitações, ansiedade, insônia e dificuldade para parar.

  • Jovens são especialmente vulneráveis à dependência por causa do cérebro em desenvolvimento.

  • Quem usa cigarro, vape ou nicotina e não consegue parar deve procurar ajuda profissional.

Perguntas frequentes sobre tabagismo no Brasil

Vape é menos perigoso que cigarro?

Vape não deve ser considerado seguro. Mesmo sem combustão como o cigarro tradicional, pode conter nicotina e substâncias irritantes ou tóxicas. No Brasil, a venda e a divulgação de dispositivos eletrônicos para fumar são proibidas.

Sachê de nicotina faz mal?

Sachês de nicotina podem causar dependência e não devem ser vistos como produtos inofensivos. A ausência de fumaça não elimina o risco da nicotina no organismo.

Nicotina vicia rápido?

Pode viciar, especialmente em adolescentes e pessoas que usam com frequência. A dependência pode surgir com desejo intenso de usar, irritabilidade sem o produto e dificuldade de parar.

Cigarro eletrônico é permitido no Brasil?

Não. A Anvisa proíbe fabricação, venda, importação, distribuição, divulgação e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar no Brasil.

Como saber se uma pessoa está dependente de nicotina?

Sinais incluem uso frequente, vontade intensa, irritabilidade ao ficar sem usar, dificuldade de parar e aumento progressivo da quantidade usada.

Onde buscar ajuda para parar de fumar?

A pessoa pode procurar uma Unidade Básica de Saúde, médico de confiança, pneumologista, cardiologista ou serviço especializado em cessação do tabagismo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

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