Vitamina D no inverno: por que os níveis podem cair e quando se preocupar
- 14 de jul.
- 9 min de leitura

No inverno, os níveis de vitamina D podem cair em algumas pessoas porque há menos exposição ao sol, maior uso de roupas que cobrem a pele, mais tempo em ambientes fechados e menor intensidade de radiação UVB em determinadas regiões. A vitamina D é importante para a absorção de cálcio, saúde dos ossos, função muscular e outros processos do organismo.
A deficiência pode ser silenciosa ou causar sintomas inespecíficos, como cansaço, dor muscular, fraqueza e dores ósseas. A suplementação pode ser necessária em alguns casos, mas deve ser orientada por profissional de saúde, especialmente para evitar doses excessivas.
O que é vitamina D?
A vitamina D é uma substância essencial para o equilíbrio do cálcio e do fósforo no organismo. Ela ajuda na manutenção dos ossos, dentes, músculos e em outras funções do corpo.
Apesar de ser chamada de vitamina, ela funciona no organismo de forma parecida com um hormônio. Depois de ser produzida na pele ou obtida por alimentos e suplementos, precisa passar por ativações no fígado e nos rins para exercer suas funções.
As principais fontes de vitamina D são:
exposição solar adequada;
alimentos com vitamina D;
alimentos fortificados;
suplementação quando indicada.
A principal forma de avaliar os estoques no organismo é o exame de sangue chamado 25-hidroxivitamina D, também conhecido como 25(OH)D.
Por que a vitamina D pode cair no inverno?
Durante o inverno, muitas pessoas se expõem menos ao sol. Além disso, usam roupas mais fechadas, ficam mais tempo em ambientes internos e podem ter menos contato direto da pele com a luz solar.
A produção de vitamina D pela pele depende da radiação UVB. Em algumas regiões, no inverno, essa radiação pode ser menor ou menos eficiente para estimular a produção cutânea.
Outros fatores também influenciam:
horário de exposição;
latitude da cidade;
estação do ano;
cor da pele;
idade;
uso de roupas fechadas;
uso de protetor solar;
poluição;
tempo ao ar livre;
doenças associadas;
alimentação;
uso de alguns medicamentos.
Por isso, duas pessoas que moram na mesma cidade podem ter níveis diferentes de vitamina D.
Vitamina D vem só do sol?
Não. O sol é uma fonte importante, mas não é a única.
A vitamina D pode vir de:
produção na pele após exposição à radiação UVB;
peixes gordurosos, como salmão, sardinha e atum;
gema de ovo;
fígado em alguns contextos alimentares;
alimentos fortificados;
suplementos prescritos ou orientados.
No entanto, a dieta sozinha muitas vezes fornece quantidades limitadas de vitamina D, especialmente quando a alimentação não inclui fontes frequentes ou alimentos fortificados.
Quais são os sintomas de vitamina D baixa?
A deficiência de vitamina D pode não causar sintomas no início. Muitas pessoas descobrem apenas em exames de rotina ou investigação de outras condições.
Quando há sintomas, eles podem ser inespecíficos, como:
cansaço;
dor muscular;
fraqueza;
dores ósseas;
maior sensibilidade muscular;
queda de desempenho físico;
câimbras em alguns casos;
maior risco de quedas em idosos;
piora da saúde óssea.
Em crianças, deficiência importante pode prejudicar a mineralização dos ossos. Em adultos, pode contribuir para osteomalácia e piora de risco ósseo em pessoas vulneráveis.
É importante lembrar: cansaço e dor muscular têm muitas causas. Não dá para concluir que é vitamina D baixa apenas pelos sintomas.
Quem tem maior risco de deficiência?
Alguns grupos têm maior chance de apresentar deficiência de vitamina D.
Entre eles:
idosos;
pessoas que se expõem pouco ao sol;
pessoas acamadas ou institucionalizadas;
pessoas que usam roupas que cobrem grande parte do corpo;
pessoas com pele mais escura;
pessoas com obesidade;
pessoas com osteoporose;
pessoas com doenças intestinais que causam má absorção;
pessoas após cirurgia bariátrica;
pessoas com doença hepática ou renal;
gestantes em situações específicas;
lactentes e crianças conforme avaliação pediátrica;
pessoas em uso de alguns medicamentos, como anticonvulsivantes ou corticoides por tempo prolongado;
pessoas com maior risco de quedas ou fraturas.
Esses grupos podem precisar de avaliação mais cuidadosa, especialmente no inverno.
Preciso tomar suplemento de vitamina D no inverno?
Depende. A suplementação pode ser indicada para pessoas com deficiência confirmada, risco aumentado ou baixa exposição solar, mas a decisão deve considerar idade, exames, doenças associadas, medicamentos, risco ósseo e orientação profissional.
Não é ideal tomar vitamina D em doses altas por conta própria. Embora pareça um suplemento simples, o excesso pode causar problemas.
A suplementação deve responder a perguntas como:
existe deficiência no exame?
a pessoa faz parte de grupo de risco?
há osteopenia, osteoporose ou risco de fratura?
existe má absorção intestinal?
há uso de medicamentos que interferem na vitamina D?
qual dose é adequada?
por quanto tempo usar?
quando repetir exame?
Em muitos casos, a orientação é individualizada.
Vitamina D em excesso faz mal?
Sim. Vitamina D em excesso pode causar intoxicação, principalmente quando há uso de doses altas por tempo prolongado sem acompanhamento.
O excesso pode levar ao aumento do cálcio no sangue, chamado hipercalcemia.
Possíveis sinais de excesso incluem:
náuseas;
vômitos;
fraqueza;
perda de apetite;
constipação;
muita sede;
urina em excesso;
confusão;
arritmias em casos graves;
cálculos renais;
prejuízo da função renal.
Por isso, mais vitamina D não significa mais saúde. O objetivo é corrigir deficiência e manter níveis adequados, não buscar números exagerados.
Sol no inverno: como fazer com segurança?
A exposição solar pode contribuir para a produção de vitamina D, mas deve ser equilibrada com proteção da pele.
O erro é pensar que, para produzir vitamina D, é necessário se expor ao sol de forma intensa, prolongada ou sem proteção. Isso aumenta risco de queimaduras, envelhecimento precoce e câncer de pele.
Cuidados importantes:
evitar queimaduras solares;
não usar câmaras de bronzeamento;
não buscar bronzeamento como estratégia de saúde;
proteger a pele em exposições prolongadas;
considerar orientação dermatológica em pessoas com alto risco de câncer de pele;
respeitar o tipo de pele e histórico pessoal;
evitar exposição excessiva em horários de radiação intensa.
A quantidade segura de sol varia conforme região, horário, estação, cor da pele, idade e risco dermatológico. Por isso, recomendações fixas para todos podem ser inadequadas.
Protetor solar impede toda produção de vitamina D?
Na prática, o protetor solar reduz a passagem de radiação UVB, mas o uso cotidiano não significa necessariamente deficiência de vitamina D. Muitas pessoas não aplicam o protetor em quantidade ideal, não reaplicam corretamente ou ainda recebem alguma exposição ao longo do dia.
Mesmo assim, não é recomendado abandonar o protetor solar com o objetivo de aumentar vitamina D.
Quando há deficiência ou risco elevado, é mais seguro discutir alimentação, exame e suplementação com profissional de saúde do que tentar compensar com exposição solar excessiva.
Quais alimentos têm vitamina D?
Alguns alimentos contêm vitamina D naturalmente ou podem ser fortificados.
Fontes alimentares incluem:
salmão;
sardinha;
atum;
gema de ovo;
fígado;
cogumelos expostos à luz ultravioleta;
leite ou bebidas fortificadas, quando disponíveis;
cereais ou produtos fortificados, conforme o país e o produto.
A quantidade varia muito. Por isso, ler rótulos pode ajudar quando se busca alimentos fortificados.
A alimentação é importante, mas em pessoas com deficiência ou alto risco pode não ser suficiente sozinha.
Vitamina D melhora imunidade?
A vitamina D participa de funções do sistema imunológico, mas isso não significa que tomar vitamina D em altas doses previne gripes, resfriados ou outras infecções de forma garantida.
O cuidado correto é manter níveis adequados, especialmente em quem tem deficiência. Isso é diferente de usar vitamina D como “reforço imunológico” sem necessidade.
Para prevenir infecções no inverno, outras medidas também são fundamentais:
vacinação em dia;
sono adequado;
alimentação equilibrada;
higiene das mãos;
ambientes ventilados;
controle de doenças crônicas;
evitar tabagismo;
atividade física conforme capacidade.
Vitamina D não substitui essas medidas.
Quando pedir exame de vitamina D?
Nem todo mundo precisa medir vitamina D o tempo todo. O exame costuma ser mais útil em pessoas com risco de deficiência, sintomas compatíveis ou condições clínicas associadas.
Pode ser considerado em casos como:
osteoporose;
osteopenia;
fraturas por fragilidade;
dor óssea persistente;
fraqueza muscular sem causa clara;
idosos frágeis;
gestantes em situações específicas;
doença renal crônica;
doença hepática;
síndromes de má absorção;
cirurgia bariátrica;
uso prolongado de medicamentos que interferem no metabolismo ósseo;
baixa exposição solar importante.
A interpretação deve ser feita por profissional de saúde, porque valores ideais podem variar conforme contexto e grupo de risco.
Vitamina D baixa causa dor no corpo?
Pode contribuir, mas não é a única causa.
Dor no corpo, fadiga e fraqueza podem estar ligadas a diversas condições, como anemia, hipotireoidismo, infecções, sedentarismo, distúrbios do sono, depressão, doenças reumatológicas, excesso de treino, deficiência de outras vitaminas, estresse e uso de medicamentos.
Por isso, não é recomendado tratar qualquer dor no corpo como deficiência de vitamina D sem avaliação. O exame ajuda quando existe suspeita clínica.
Vitamina D e saúde dos ossos
A relação mais bem estabelecida da vitamina D é com a saúde óssea. Ela ajuda o corpo a absorver cálcio e contribui para a mineralização dos ossos.
Quando a vitamina D está baixa por muito tempo, pode haver prejuízo na saúde óssea, especialmente em pessoas vulneráveis.
Possíveis consequências incluem:
osteomalácia em adultos;
raquitismo em crianças;
piora de osteopenia e osteoporose;
maior risco de quedas em idosos por fraqueza muscular;
maior risco de fraturas em grupos específicos.
Por isso, em pessoas com risco ósseo, a avaliação de vitamina D pode ser parte importante do acompanhamento.
Crianças precisam de atenção especial?
Sim. Crianças e bebês têm necessidades específicas, e a suplementação deve seguir orientação pediátrica.
Em bebês, a vitamina D é importante para o desenvolvimento ósseo. Em muitos casos, pediatras orientam suplementação preventiva, especialmente no primeiro ano de vida, conforme protocolos locais e características da criança.
Não é recomendado dar vitamina D a crianças em dose aleatória. A dose deve ser adequada à idade, peso, alimentação, exposição solar e orientação profissional.
Idosos e vitamina D no inverno
Idosos têm maior risco de deficiência por vários motivos:
menor produção cutânea;
menor exposição solar;
maior tempo em casa;
uso de múltiplos medicamentos;
doenças crônicas;
maior risco de osteoporose;
maior risco de quedas;
pior ingestão alimentar em alguns casos.
No inverno, esse risco pode aumentar. Por isso, idosos com fragilidade, quedas, osteoporose ou baixa exposição solar devem conversar com profissional de saúde sobre avaliação e possível suplementação.
Pessoas com pele mais escura precisam de mais atenção?
Pessoas com pele mais escura têm maior quantidade de melanina, que reduz a produção cutânea de vitamina D a partir da radiação UVB. Isso não significa que todas terão deficiência, mas pode aumentar o risco quando há pouca exposição solar ou outros fatores associados.
A avaliação deve considerar o conjunto:
exposição ao sol;
região onde vive;
dieta;
idade;
peso;
doenças associadas;
histórico de exames;
risco ósseo.
Cirurgia bariátrica e doenças intestinais
Pessoas que fizeram cirurgia bariátrica ou têm doenças que reduzem absorção intestinal podem ter maior risco de deficiência de vitamina D e cálcio. Isso pode ocorrer em condições como:
doença celíaca;
doença inflamatória intestinal;
pancreatite crônica;
síndromes de má absorção;
cirurgias intestinais;
cirurgia bariátrica.
Nesses casos, suplementação e monitoramento costumam exigir acompanhamento mais próximo.
Mitos e verdades sobre vitamina D no inverno
Afirmação | Mito ou verdade? |
Vitamina D pode cair no inverno | Verdade |
Todo mundo precisa tomar dose alta no inverno | Mito |
Exposição solar influencia a produção de vitamina D | Verdade |
Protetor solar deve ser abandonado para produzir vitamina D | Mito |
Vitamina D em excesso pode fazer mal | Verdade |
A deficiência pode ser silenciosa | Verdade |
Só alimentação sempre resolve deficiência | Mito |
Exame de 25(OH)D avalia estoques de vitamina D | Verdade |
Vitamina D substitui vacina ou prevenção de infecções | Mito |
Como manter bons níveis no inverno?
Algumas medidas podem ajudar:
manter alimentação equilibrada;
incluir fontes alimentares de vitamina D quando possível;
ficar ao ar livre com segurança;
evitar sedentarismo;
manter acompanhamento se fizer parte de grupo de risco;
fazer exame quando houver indicação;
usar suplemento apenas quando indicado;
evitar megadoses sem prescrição;
manter vacinação e cuidados gerais de saúde;
proteger a pele contra exposição solar excessiva.
O melhor plano é aquele que equilibra saúde óssea, segurança da pele e necessidades individuais.
Quando procurar atendimento?
Procure orientação médica se houver:
cansaço persistente sem explicação;
dor óssea;
fraqueza muscular importante;
quedas frequentes;
fraturas por fragilidade;
osteopenia ou osteoporose;
doença renal ou hepática;
má absorção intestinal;
cirurgia bariátrica;
uso prolongado de corticoides ou anticonvulsivantes;
desejo de iniciar suplementação em doses altas;
sintomas após uso de vitamina D;
uso de vários suplementos ao mesmo tempo.
Também é importante buscar orientação antes de suplementar crianças, gestantes, idosos frágeis e pessoas com doença renal.
Resumo rápido
A vitamina D pode cair no inverno por menor exposição solar.
Ela é importante para absorção de cálcio, saúde óssea e função muscular.
A deficiência pode ser silenciosa ou causar sintomas inespecíficos.
Sol ajuda, mas exposição excessiva aumenta risco de danos à pele.
Não é recomendado abandonar o protetor solar para produzir vitamina D.
Alimentos ajudam, mas podem não ser suficientes em pessoas com deficiência.
Suplementação pode ser necessária, mas deve ser orientada.
Vitamina D em excesso pode causar intoxicação.
Idosos, pessoas com baixa exposição solar, osteoporose, má absorção ou cirurgia bariátrica precisam de atenção especial.
O exame mais usado para avaliação é a 25-hidroxivitamina D.
Perguntas frequentes sobre vitamina D no inverno
1. A vitamina D cai no inverno?
Pode cair, principalmente quando há menos exposição ao sol, mais tempo em ambientes fechados e maior uso de roupas que cobrem a pele.
2. Preciso tomar vitamina D no inverno?
Depende. Algumas pessoas precisam, especialmente se têm deficiência ou risco aumentado. A suplementação deve ser orientada por profissional de saúde.
3. Quais sintomas de vitamina D baixa?
Pode não haver sintomas. Quando aparecem, podem incluir cansaço, fraqueza muscular, dores ósseas e dor no corpo, mas esses sinais também têm muitas outras causas.
4. Tomar sol sem protetor é recomendado para aumentar vitamina D?
Não é uma estratégia segura. Exposição solar excessiva aumenta risco de danos à pele. A orientação deve equilibrar vitamina D e proteção dermatológica.
5. Quais alimentos têm vitamina D?
Peixes gordurosos, gema de ovo, fígado, cogumelos expostos à luz UV e alimentos
fortificados podem conter vitamina D.
6. Vitamina D em excesso faz mal?
Sim. Doses altas sem acompanhamento podem causar intoxicação, aumento do cálcio no sangue, problemas renais e outros efeitos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.