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Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição

  • há 4 dias
  • 8 min de leitura
Antibióticos

Antibióticos são medicamentos usados para tratar infecções causadas por bactérias. Eles podem ser essenciais em situações como pneumonia bacteriana, infecção urinária, algumas infecções de pele e outras doenças bacterianas. Porém, não devem ser usados sem prescrição, porque podem causar efeitos colaterais, não funcionam contra vírus e favorecem a resistência bacteriana quando usados de forma inadequada.

O que são Antibióticos?

Antibióticos são medicamentos capazes de matar bactérias ou impedir que elas se multipliquem. Eles são usados no tratamento de infecções bacterianas e devem ser escolhidos conforme o tipo de infecção, a bactéria suspeita ou confirmada, a idade da pessoa, alergias, função renal, gravidez, outros medicamentos em uso e gravidade do quadro.

Existem muitos tipos de Antibióticos. Alguns agem melhor em determinadas bactérias, enquanto outros podem não funcionar para aquela infecção específica. Por isso, não basta “tomar qualquer antibiótico”. A escolha precisa ser adequada.

Em resumo, Antibióticos são remédios importantes, mas devem ser usados apenas quando há indicação profissional e da forma prescrita.

Antibióticos tratam gripe, resfriado ou virose?

Não. Antibióticos não tratam infecções causadas por vírus. Isso inclui a maioria dos casos de gripe, resfriado, Covid-19, bronquite viral, dor de garganta viral e muitas viroses gastrointestinais.

Nesses casos, tomar Antibiótico não acelera a recuperação, não reduz sintomas e ainda pode causar efeitos adversos.

O CDC reforça que antibióticos não fazem a pessoa melhorar quando a doença é causada por vírus; além disso, quando usados sem necessidade, podem causar efeitos colaterais e contribuir para resistência antimicrobiana.

Isso não significa que sintomas respiratórios nunca precisam de avaliação. Febre persistente, falta de ar, dor no peito, piora após melhora inicial, secreção purulenta persistente ou queda do estado geral devem ser avaliados para diferenciar quadro viral de possível infecção bacteriana ou complicação.

Por que usar Antibióticos sem prescrição pode fazer mal?

Usar Antibióticos por conta própria pode parecer uma solução rápida, mas envolve riscos.

Os principais problemas são:

  • tomar um medicamento que não é necessário;

  • escolher um Antibiótico inadequado;

  • usar dose errada;

  • usar por tempo insuficiente;

  • causar efeitos colaterais;

  • mascarar sinais de doenças mais graves;

  • aumentar o risco de resistência bacteriana;

  • prejudicar a microbiota intestinal;

  • interagir com outros medicamentos;

  • atrasar o diagnóstico correto.

A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde orienta nunca usar antibióticos sem indicação médica ou odontológica, usar a dose prescrita nos horários corretos, não interromper antes do prazo indicado e evitar guardar sobras em casa.

O que é resistência bacteriana?

Resistência bacteriana acontece quando bactérias desenvolvem capacidade de sobreviver a medicamentos que antes eram eficazes contra elas. Com isso, infecções que seriam simples podem se tornar mais difíceis de tratar.

O uso inadequado de Antibióticos acelera esse processo. Quando uma pessoa usa antibiótico sem necessidade, na dose errada ou interrompe antes do tempo, algumas bactérias podem sobreviver e se tornar mais resistentes.

A Organização Mundial da Saúde afirma que o uso indevido e excessivo de antimicrobianos em humanos, animais e plantas é um dos principais motores do desenvolvimento de microrganismos resistentes.

A resistência bacteriana não afeta apenas quem tomou o medicamento de forma inadequada. Bactérias resistentes podem se espalhar na comunidade, em hospitais e entre pessoas vulneráveis.

Quais são os efeitos colaterais dos Antibióticos?

Antibióticos podem causar efeitos colaterais, mesmo quando são corretamente prescritos. Por isso, o uso só deve ocorrer quando o benefício supera os riscos.

Efeitos possíveis incluem:

  • náuseas;

  • vômitos;

  • diarreia;

  • dor abdominal;

  • alergias;

  • coceira;

  • manchas na pele;

  • candidíase;

  • alteração da microbiota intestinal;

  • sensibilidade ao sol em alguns medicamentos;

  • interação com outros remédios;

  • toxicidade renal ou hepática em situações específicas.

Algumas reações podem ser graves, como alergia intensa, falta de ar, inchaço no rosto, desmaio, diarreia intensa ou com sangue e lesões extensas na pele. Esses sinais exigem atendimento rápido.

Quais sintomas merecem atenção?

Nem toda febre ou dor de garganta precisa de Antibiótico. Mas alguns sintomas indicam que a pessoa deve procurar avaliação médica.

Situação

Pode observar com cuidado

Procurar atendimento médico

Resfriado leve

Geralmente é viral

Se houver falta de ar ou piora importante

Dor de garganta leve

Pode ser viral

Se houver febre alta, pus ou dificuldade para engolir

Febre baixa e coriza

Pode ocorrer em viroses

Se persistir ou piorar após alguns dias

Tosse recente

Pode ser viral

Se vier com falta de ar, dor no peito ou febre persistente

Diarreia leve

Pode melhorar com hidratação

Se houver sangue, febre alta ou desidratação

Dor ao urinar

Pode indicar infecção urinária

Deve ser avaliada

Sinais de alerta incluem:

  • febre persistente;

  • falta de ar;

  • dor no peito;

  • confusão mental;

  • piora rápida;

  • dor intensa;

  • pus;

  • vermelhidão que se espalha na pele;

  • desidratação;

  • sangue nas fezes ou urina;

  • vômitos persistentes;

  • rigidez na nuca;

  • sonolência excessiva;

  • queda importante do estado geral.

Quando procurar atendimento médico?

Procure atendimento quando houver suspeita de infecção bacteriana, sintomas intensos ou piora do quadro.


A avaliação é importante se houver:

  • febre alta;

  • febre por vários dias;

  • dor de garganta intensa;

  • dificuldade para engolir;

  • falta de ar;

  • dor no peito;

  • dor ao urinar;

  • dor lombar com febre;

  • ferida com pus;

  • vermelhidão quente e dolorosa na pele;

  • secreção no ouvido com dor;

  • sinusite com piora ou sintomas persistentes;

  • diarreia com sangue;

  • sinais de desidratação;

  • sintomas em bebês, idosos, gestantes ou pessoas imunossuprimidas.

Procure urgência se houver falta de ar importante, confusão mental, desmaio, rigidez na nuca, febre alta com queda do estado geral, pele arroxeada, sonolência intensa, dor no peito ou sinais de infecção grave.

Como o médico decide se precisa de Antibiótico?

A decisão depende da história clínica, exame físico, gravidade, idade, doenças associadas e suspeita do tipo de infecção.

O profissional pode avaliar:

  • há quanto tempo os sintomas começaram;

  • presença de febre;

  • localização da dor;

  • sinais de infecção bacteriana;

  • exame da garganta, ouvido, pulmões, pele ou abdômen;

  • alergias;

  • medicamentos em uso;

  • gravidez;

  • função renal ou hepática;

  • risco de complicações.

Em alguns casos, exames podem ser necessários, como urina, hemograma, cultura, raio-X, teste rápido ou outros exames conforme a suspeita.

Nem sempre o Antibiótico é indicado no primeiro atendimento. Algumas infecções são virais e melhoram com hidratação, repouso, controle de sintomas e observação.

Por que não usar sobra de Antibiótico?

Guardar sobras de Antibióticos em casa é arriscado. A quantidade pode ser insuficiente, o medicamento pode estar vencido, pode não ser adequado para a nova infecção e pode mascarar sintomas.

Além disso, usar “o mesmo antibiótico da outra vez” pode ser perigoso porque a causa atual pode ser diferente.

Por exemplo:

  • uma dor de garganta pode ser viral;

  • uma tosse pode ser alergia, Asma, gripe ou pneumonia;

  • uma dor ao urinar pode precisar de exame;

  • uma ferida pode exigir limpeza, drenagem ou outro tratamento;

  • uma febre pode ter causas que não são bacterianas.

A orientação do Ministério da Saúde é evitar guardar sobras de antibióticos em casa, porque geralmente a quantidade não é suficiente para um novo tratamento.

Por que não compartilhar Antibióticos?

Compartilhar Antibióticos com outra pessoa é inadequado. O remédio que foi prescrito para uma pessoa pode não servir para outra.

A escolha depende de fatores individuais, como:

  • idade;

  • peso;

  • alergias;

  • gravidez;

  • função dos rins;

  • função do fígado;

  • outros medicamentos;

  • tipo de infecção;

  • gravidade do quadro;

  • histórico de resistência bacteriana.

Além disso, uma pessoa pode ter sintomas parecidos, mas doença diferente. Compartilhar Antibiótico pode atrasar o diagnóstico e aumentar riscos.

Parar o Antibiótico antes do tempo faz mal?

Pode fazer. Quando o médico prescreve um Antibiótico, ele define dose, intervalo e duração com base na infecção e no medicamento.

Interromper antes do prazo pode permitir que bactérias sobrevivam, favorecendo retorno da infecção e contribuindo para resistência.

Também não é correto prolongar por conta própria. Tomar por mais tempo do que o necessário pode aumentar efeitos colaterais e pressão seletiva sobre bactérias.

Por isso, a orientação é seguir a prescrição e conversar com o profissional se houver melhora rápida, efeitos colaterais ou dúvidas.

Antibióticos podem causar diarreia?

Sim. A diarreia é um efeito colateral comum de alguns Antibióticos, porque eles podem alterar a microbiota intestinal.

Na maioria das vezes, a diarreia é leve. Porém, em alguns casos, pode ser intensa ou estar relacionada à infecção por Clostridioides difficile, uma bactéria que pode crescer após alteração da flora intestinal.

Procure atendimento se, durante ou após uso de Antibiótico, houver:

  • diarreia intensa;

  • sangue nas fezes;

  • febre;

  • dor abdominal forte;

  • sinais de desidratação;

  • piora progressiva;

  • diarreia persistente.

Não use medicamentos para prender o intestino sem orientação, especialmente se houver febre ou sangue.

Antibióticos e alergia

Algumas pessoas têm alergia a Antibióticos. Reações leves podem causar manchas ou coceira, mas reações graves podem envolver falta de ar, inchaço no rosto e queda de pressão.

Procure atendimento rápido se houver:

  • falta de ar;

  • chiado;

  • inchaço de lábios, língua ou rosto;

  • urticária generalizada;

  • tontura intensa;

  • desmaio;

  • manchas extensas na pele;

  • feridas na boca ou olhos;

  • febre com lesões na pele.

Quem já teve alergia a um Antibiótico deve informar isso em todas as consultas e atendimentos.

Antibiótico precisa de receita?

Sim. No Brasil, Antibióticos exigem prescrição e controle de venda. Isso existe para proteger a pessoa e a saúde coletiva, reduzindo automedicação e resistência bacteriana.

A prescrição ajuda a garantir que o medicamento seja realmente necessário, na dose correta, pelo tempo adequado e com menor risco possível.

Comprar, guardar ou usar Antibiótico sem orientação não é uma atitude segura.

Como usar Antibióticos de forma correta?

Quando um Antibiótico é prescrito, alguns cuidados ajudam no tratamento.

Siga estas orientações:

  • tome exatamente como foi prescrito;

  • respeite dose e intervalo;

  • complete o tempo indicado;

  • não pule doses;

  • não dobre dose se esquecer sem orientação;

  • não compartilhe o medicamento;

  • não use sobras;

  • avise sobre alergias;

  • informe outros remédios em uso;

  • pergunte se deve tomar com alimento;

  • observe efeitos colaterais;

  • retorne se não houver melhora no prazo orientado.

Se houver vômitos, reação alérgica, diarreia intensa ou piora do quadro, procure orientação.

Como prevenir infecções e reduzir o uso desnecessário?

A prevenção reduz a necessidade de Antibióticos. Medidas importantes incluem:

  • lavar as mãos;

  • manter vacinação em dia;

  • preparar alimentos com segurança;

  • cozinhar bem carnes e ovos;

  • evitar contato próximo com pessoas doentes quando possível;

  • cobrir tosse e espirros;

  • cuidar corretamente de feridas;

  • usar preservativo para prevenir ISTs;

  • não fumar;

  • controlar doenças crônicas;

  • seguir orientações de higiene em serviços de saúde.

Prevenir infecções também ajuda a reduzir a circulação de bactérias resistentes.

O que fazer quando o médico não prescreve Antibiótico?

Muitas vezes, não receber Antibiótico é a conduta correta. Se a infecção for viral ou se não houver sinais de bactéria, o medicamento não ajudará.

Nesses casos, o profissional pode orientar:

  • repouso;

  • hidratação;

  • controle de febre e dor;

  • lavagem nasal;

  • observação de sinais de alerta;

  • retorno se houver piora;

  • exames se necessário.

É importante perguntar quais sinais indicam que deve voltar ao atendimento. Isso dá segurança sem usar medicamento desnecessário.

Resumo rápido

  • Antibióticos tratam infecções bacterianas, não gripes, resfriados ou viroses.

  • Usar sem prescrição pode causar efeitos colaterais e atrasar o diagnóstico correto.

  • O uso inadequado favorece resistência bacteriana, tornando infecções mais difíceis de tratar.

  • Não se deve usar sobras, compartilhar medicamentos ou interromper antes do prazo prescrito.

  • Febre persistente, falta de ar, dor intensa, pus, piora rápida ou sintomas em grupos de risco exigem avaliação.

  • Antibióticos devem ser usados apenas com orientação médica ou odontológica.

Perguntas frequentes sobre Antibióticos

Antibiótico serve para gripe?

Não. Gripe é causada por vírus, e Antibióticos não tratam vírus. Eles só são indicados quando há suspeita ou confirmação de infecção bacteriana.

Por que não posso tomar Antibiótico por conta própria?

Porque o medicamento pode não ser necessário, pode ser inadequado para a infecção, causar efeitos colaterais, mascarar doenças e contribuir para resistência bacteriana.

O que é resistência bacteriana?

É quando bactérias passam a sobreviver a medicamentos que antes funcionavam contra elas. Isso torna infecções mais difíceis de tratar.

Posso parar o Antibiótico quando melhorar?

Não sem orientação. Interromper antes do tempo indicado pode favorecer retorno da infecção e resistência bacteriana.

Posso usar sobra de Antibiótico?

Não. Sobras podem estar vencidas, em quantidade insuficiente ou não serem adequadas para a nova doença.

Antibiótico pode causar diarreia?

Sim. Alguns Antibióticos alteram a microbiota intestinal e podem causar diarreia. Se for intensa, persistente, com sangue ou febre, procure atendimento.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

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