Ausência de menstruação: quando a falta do ciclo menstrual merece investigação
- medicinaatualrevis
- 17 de nov. de 2025
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A ausência de menstruação, chamada de amenorreia, é uma condição que desperta preocupação em muitas mulheres. Embora a gravidez seja a primeira hipótese lembrada, existem muitas outras causas possíveis, desde alterações hormonais até condições metabólicas e ginecológicas. Entender o que pode provocar a interrupção do ciclo, quando buscar ajuda e como funciona a avaliação médica é essencial para garantir diagnóstico precoce e tratamento adequado.
A amenorreia pode ser primária (quando a menstruação nunca apareceu) ou secundária (quando a mulher já menstruava e deixa de menstruar por três meses ou mais). Cada tipo possui causas e abordagens específicas, e ambas exigem atenção, especialmente quando acompanham outros sintomas.
O que caracteriza a ausência de menstruação
A falta de menstruação não deve ser vista como uma doença isolada, mas sim como um sinal de que o organismo está reagindo a alguma mudança. O corpo pode interromper o ciclo menstrual por questões hormonais, metabólicas, emocionais ou anatômicas.
Alguns padrões ajudam a identificar amenorreia:
ausência da primeira menstruação até os 15 anos;
interrupção do ciclo por mais de três meses em mulheres previamente regulares;
irregularidade intensa antes da interrupção;
ausência de sangramento mesmo com sintomas pré-menstruais;
desaparecimento da menstruação após uso de anticoncepcionais.
Esses sinais orientam a investigação médica inicial.
Principais causas da ausência de menstruação
A amenorreia tem causas amplas e variadas. Elas podem envolver o útero, ovários, hipófise, tireoide, adrenal, metabolismo corporal e até hábitos emocionais ou comportamentais.
Alterações hormonais e do eixo reprodutivo
O funcionamento do ciclo menstrual depende de hormônios produzidos por várias glândulas. Qualquer desregulação pode interromper o ciclo.
Entre as causas hormonais mais comuns estão:
síndrome dos ovários policísticos;
hiperprolactinemia;
disfunções da tireoide (hipo ou hipertireoidismo);
falência ovariana precoce;
alterações da hipófise;
distúrbios da adrenal.
Essas alterações podem vir acompanhadas de acne, queda de cabelo, ganho de peso ou sensibilidade mamária.
Causas anatômicas da amenorreia
Em algumas jovens, a menstruação não aparece devido a alterações estruturais do útero ou vagina. Em mulheres adultas, cirurgias ou infecções também podem causar aderências internas.
As principais causas anatômicas incluem:
agenesia uterina;
malformações do canal vaginal;
aderências pós-infecção ou pós-cirurgia (Síndrome de Asherman);
obstruções do trato genital.
Essas causas geralmente exigem avaliação por ginecologista especializado.
Fatores metabólicos, nutricionais e comportamentais
O corpo feminino responde intensamente ao estado nutricional e energético. Quando há déficit ou excesso, o ciclo menstrual pode ser interrompido.
As causas metabólicas e comportamentais mais frequentes incluem:
baixo peso ou perda de peso rápida;
excesso de atividade física;
restrição alimentar severa;
obesidade;
estresse emocional intenso;
transtornos alimentares.
Esses fatores alteram hormônios do eixo cérebro–ovário e bloqueiam a ovulação.
Medicamentos que podem interferir na menstruação
Alguns fármacos afetam diretamente hormônios ou o funcionamento ovariano.
Entre eles estão:
anticoncepcionais hormonais;
antidepressivos;
antipsicóticos;
corticoides;
quimioterápicos;
alguns anti-hipertensivos.
O médico deve avaliar se há relação entre o início da medicação e o desaparecimento do ciclo.
Sinais de alerta associados à ausência de menstruação
A amenorreia pode vir acompanhada de sintomas que indicam alterações hormonais mais amplas. Reconhecer esses sinais ajuda a antecipar o diagnóstico.
Os principais sinais de alerta são:
dor pélvica contínua;
saída de leite pelas mamas (galactorreia);
ganho ou perda de peso significativa;
queda de cabelo;
acne intensa;
ondas de calor;
fraqueza ou fadiga persistente.
Quanto mais sinais associados, maior a necessidade de investigação.
Como é feita a avaliação médica da amenorreia
O diagnóstico envolve uma combinação de história clínica, exame físico e exames hormonais. O ginecologista avalia o ciclo menstrual, padrão corporal, uso de medicamentos, histórico reprodutivo e sinais de doenças hormonais.
A investigação geralmente inclui:
teste de gravidez;
dosagem de TSH e prolactina;
avaliação de FSH, LH e estradiol;
ultrassom pélvico;
testes de reserva ovariana;
exames metabólicos.
O conjunto das informações direciona para a causa principal.
Tratamentos para ausência de menstruação
O tratamento depende totalmente da causa identificada. Cada origem exige um plano específico, e muitas vezes é preciso acompanhamento multidisciplinar envolvendo ginecologistas, endocrinologistas e nutricionistas.
Os principais tipos de tratamento incluem:
reposição hormonal guiada;
correção de distúrbios da tireoide;
redução da prolactina quando elevada;
tratamento da síndrome dos ovários policísticos;
manejo nutricional;
ajustes em medicamentos que interferem no ciclo;
cirurgias em casos anatômicos.
Em muitos casos, a menstruação retorna após poucas semanas de tratamento adequado.
Impactos da amenorreia na saúde feminina
A ausência de menstruação prolongada pode causar efeitos além da fertilidade. Hormônios como estrogênio e progesterona atuam em diversos órgãos, e sua deficiência pode trazer consequências.
Entre os impactos mais comuns estão:
redução da densidade óssea;
maior risco de osteoporose;
alterações metabólicas;
ressecamento vaginal;
diminuição da libido;
infertilidade temporária.
Por isso, identificar e tratar a amenorreia precocemente é fundamental.
Conclusão
A ausência de menstruação, ou amenorreia, é sempre um sinal importante do corpo. Embora nem sempre indique uma condição grave, requer investigação detalhada para identificar alterações hormonais, metabólicas, anatômicas ou comportamentais que possam estar presentes. Com diagnóstico correto e tratamento adequado, a maioria das mulheres recupera o ciclo menstrual e a saúde reprodutiva.
O mais importante é não ignorar o sintoma. A menstruação é um marcador vital do equilíbrio hormonal feminino, e qualquer mudança persistente deve ser acompanhada por um profissional.