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Chiado no ouvido após shows: quando o zumbido é temporário e quando pode virar risco permanente

Chiado no ouvido após shows

Quem já saiu de um show, festival ou balada com aquela sensação de “chiado” ou “apito” no ouvido sabe o quão incômodo isso pode ser. Esse sintoma, chamado zumbido (ou tinnitus), geralmente aparece após exposição a sons muito altos e costuma desaparecer em algumas horas.No entanto, nem sempre é assim. Em algumas situações, o chiado indica lesão auditiva real e pode se tornar permanente, especialmente quando episódios se repetem ao longo da vida.

A exposição prolongada a volumes intensos — comuns em shows, fones no máximo, paredões e ambientes urbanos ruidosos — afeta diretamente as células sensoriais da cóclea. Quando essas células sofrem danos significativos, começam os sinais de alerta. Entender quando o zumbido é transitório e quando pode indicar risco é fundamental para a prevenção.

Por que o ouvido “apita” depois de shows

A cóclea, estrutura interna do ouvido, contém células ciliadas responsáveis por transformar vibrações sonoras em impulsos nervosos.Em shows, essas células ficam expostas a sons acima de 100 decibéis, intensidade que excede o limite seguro para o ouvido humano.

Essa exposição provoca:

  • fadiga temporária das células ciliadas;

  • redução da sensibilidade auditiva logo após o evento;

  • sensação de ouvido “abafado” ou “entupido”;

  • surgimento de chiado, apito ou zumbido.

Se o dano é leve, as células se recuperam em horas ou dias. Caso contrário, o chiado pode se tornar persistente.

Quando o chiado é apenas temporário

Na maior parte das vezes, o zumbido pós-show é um efeito reversível da fadiga auditiva.Ele tende a desaparecer sozinho quando o ouvido se recupera da sobrecarga sonora.

O zumbido costuma ser temporário quando:

  • dura minutos há até 24 horas;

  • aparece após um único evento com som muito alto;

  • melhora após repouso auditivo;

  • vem acompanhado de leve sensação de ouvido “cheio”, que desaparece logo;

  • não há perda auditiva duradoura.

Nesses casos, o ouvido está sofrendo uma irritação provisória, mas ainda não houve dano permanente.

Sinais de alerta para risco permanente

O zumbido torna-se preocupante quando indica que as células ciliadas foram danificadas. Uma vez lesionadas, essas células não se regeneram, e o risco de zumbido crônico aumenta.

Sinais de risco incluem:

  • zumbido que persiste por mais de 48 a 72 horas;

  • perda auditiva associada;

  • recorrência de zumbido após vários eventos ruidosos;

  • necessidade de aumentar volume de fones ou televisão;

  • dificuldade em ouvir conversas em ambientes ruidosos;

  • sensação de pressão que não melhora;

  • distorção sonora, como percepção de som metálico ou abafado.

Quanto mais episódios de exposição intensa ao som, maior o dano acumulado.

Por que o dano auditivo pode ser permanente

As células ciliadas da cóclea são extremamente delicadas. A agressão por ruído intenso rompe estruturas microscópicas responsáveis pela transmissão do som. Quando isso acontece, a perda é irreversível.

Os mecanismos envolvidos incluem:

  • lesão mecânica das células sensoriais;

  • estresse oxidativo;

  • inflamação local;

  • morte celular programada (apoptose);

  • redução da capacidade de converter som em impulso elétrico.

Com o tempo, a perda auditiva induzida por ruído pode se somar à perda natural relacionada à idade.

O que fazer quando o chiado não passa

Quando o zumbido persiste após alguns dias, é importante procurar avaliação médica.O otorrinolaringologista pode investigar se houve trauma acústico ou perda auditiva associada.

As condutas mais comuns incluem:

  • exame de audiometria para avaliar o grau de perda;

  • imitanciometria para verificar integridade do ouvido médio;

  • avaliação clínica completa;

  • repouso auditivo orientado;

  • uso de antioxidantes e vitaminas em casos específicos;

  • terapias de reabilitação para zumbido persistente;

  • encaminhamento para fonoaudiologia em quadros mais avançados.

Quanto mais cedo ocorre a avaliação, maior a chance de preservar a audição.

Como prevenir danos auditivos em shows e festas

A prevenção é a melhor estratégia. Mesmo quem ama música alta pode proteger os ouvidos sem perder a experiência.

Medidas eficazes incluem:

  • usar protetores auriculares, especialmente os de filtro acústico que reduzem volume sem distorção;

  • manter distância das caixas de som;

  • fazer pausas de descanso auditivo durante o evento;

  • evitar ficar horas seguidas em ambientes extremamente ruidosos;

  • não aumentar o volume de fones após shows, quando o ouvido está sensível;

  • limitar a frequência de exposições intensas ao ruído;

  • evitar consumo excessivo de álcool, que aumenta a vulnerabilidade auditiva.

Esses hábitos protegem a cóclea e ajudam a prevenir problemas futuros.

Crianças e adolescentes têm risco maior

O ouvido jovem é mais vulnerável ao trauma acústico. Além disso, a combinação de fones de ouvido, jogos eletrônicos e shows aumenta o risco de danos cumulativos.

Sinais de alerta nessa faixa etária incluem:

  • necessidade constante de aumentar o volume;

  • dificuldade para ouvir professores;

  • queixas de chiado ou abafamento;

  • irritabilidade em ambientes barulhentos.

Educação auditiva é essencial para evitar prejuízos ao longo da vida.

Conclusão

O chiado no ouvido após shows é um sinal claro de que o ouvido sofreu uma sobrecarga. Em muitos casos, o zumbido é temporário e desaparece após repouso auditivo. No entanto, quando persiste por dias, vem acompanhado de perda auditiva ou ocorre repetidamente, pode indicar risco permanente.

Proteger a audição não significa deixar de aproveitar a música, mas sim garantir que ela continue fazendo parte da vida com segurança. Cuidar do ouvido hoje é preservar a qualidade auditiva do futuro.


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