Chiado no ouvido após shows: quando o zumbido é temporário e quando pode virar risco permanente
- claurepires
- 4 de dez. de 2025
- 4 min de leitura

Quem já saiu de um show, festival ou balada com aquela sensação de “chiado” ou “apito” no ouvido sabe o quão incômodo isso pode ser. Esse sintoma, chamado zumbido (ou tinnitus), geralmente aparece após exposição a sons muito altos e costuma desaparecer em algumas horas.No entanto, nem sempre é assim. Em algumas situações, o chiado indica lesão auditiva real e pode se tornar permanente, especialmente quando episódios se repetem ao longo da vida.
A exposição prolongada a volumes intensos — comuns em shows, fones no máximo, paredões e ambientes urbanos ruidosos — afeta diretamente as células sensoriais da cóclea. Quando essas células sofrem danos significativos, começam os sinais de alerta. Entender quando o zumbido é transitório e quando pode indicar risco é fundamental para a prevenção.
Por que o ouvido “apita” depois de shows
A cóclea, estrutura interna do ouvido, contém células ciliadas responsáveis por transformar vibrações sonoras em impulsos nervosos.Em shows, essas células ficam expostas a sons acima de 100 decibéis, intensidade que excede o limite seguro para o ouvido humano.
Essa exposição provoca:
fadiga temporária das células ciliadas;
redução da sensibilidade auditiva logo após o evento;
sensação de ouvido “abafado” ou “entupido”;
surgimento de chiado, apito ou zumbido.
Se o dano é leve, as células se recuperam em horas ou dias. Caso contrário, o chiado pode se tornar persistente.
Quando o chiado é apenas temporário
Na maior parte das vezes, o zumbido pós-show é um efeito reversível da fadiga auditiva.Ele tende a desaparecer sozinho quando o ouvido se recupera da sobrecarga sonora.
O zumbido costuma ser temporário quando:
dura minutos há até 24 horas;
aparece após um único evento com som muito alto;
melhora após repouso auditivo;
vem acompanhado de leve sensação de ouvido “cheio”, que desaparece logo;
não há perda auditiva duradoura.
Nesses casos, o ouvido está sofrendo uma irritação provisória, mas ainda não houve dano permanente.
Sinais de alerta para risco permanente
O zumbido torna-se preocupante quando indica que as células ciliadas foram danificadas. Uma vez lesionadas, essas células não se regeneram, e o risco de zumbido crônico aumenta.
Sinais de risco incluem:
zumbido que persiste por mais de 48 a 72 horas;
perda auditiva associada;
recorrência de zumbido após vários eventos ruidosos;
necessidade de aumentar volume de fones ou televisão;
dificuldade em ouvir conversas em ambientes ruidosos;
sensação de pressão que não melhora;
distorção sonora, como percepção de som metálico ou abafado.
Quanto mais episódios de exposição intensa ao som, maior o dano acumulado.
Por que o dano auditivo pode ser permanente
As células ciliadas da cóclea são extremamente delicadas. A agressão por ruído intenso rompe estruturas microscópicas responsáveis pela transmissão do som. Quando isso acontece, a perda é irreversível.
Os mecanismos envolvidos incluem:
lesão mecânica das células sensoriais;
estresse oxidativo;
inflamação local;
morte celular programada (apoptose);
redução da capacidade de converter som em impulso elétrico.
Com o tempo, a perda auditiva induzida por ruído pode se somar à perda natural relacionada à idade.
O que fazer quando o chiado não passa
Quando o zumbido persiste após alguns dias, é importante procurar avaliação médica.O otorrinolaringologista pode investigar se houve trauma acústico ou perda auditiva associada.
As condutas mais comuns incluem:
exame de audiometria para avaliar o grau de perda;
imitanciometria para verificar integridade do ouvido médio;
avaliação clínica completa;
repouso auditivo orientado;
uso de antioxidantes e vitaminas em casos específicos;
terapias de reabilitação para zumbido persistente;
encaminhamento para fonoaudiologia em quadros mais avançados.
Quanto mais cedo ocorre a avaliação, maior a chance de preservar a audição.
Como prevenir danos auditivos em shows e festas
A prevenção é a melhor estratégia. Mesmo quem ama música alta pode proteger os ouvidos sem perder a experiência.
Medidas eficazes incluem:
usar protetores auriculares, especialmente os de filtro acústico que reduzem volume sem distorção;
manter distância das caixas de som;
fazer pausas de descanso auditivo durante o evento;
evitar ficar horas seguidas em ambientes extremamente ruidosos;
não aumentar o volume de fones após shows, quando o ouvido está sensível;
limitar a frequência de exposições intensas ao ruído;
evitar consumo excessivo de álcool, que aumenta a vulnerabilidade auditiva.
Esses hábitos protegem a cóclea e ajudam a prevenir problemas futuros.
Crianças e adolescentes têm risco maior
O ouvido jovem é mais vulnerável ao trauma acústico. Além disso, a combinação de fones de ouvido, jogos eletrônicos e shows aumenta o risco de danos cumulativos.
Sinais de alerta nessa faixa etária incluem:
necessidade constante de aumentar o volume;
dificuldade para ouvir professores;
queixas de chiado ou abafamento;
irritabilidade em ambientes barulhentos.
Educação auditiva é essencial para evitar prejuízos ao longo da vida.
Conclusão
O chiado no ouvido após shows é um sinal claro de que o ouvido sofreu uma sobrecarga. Em muitos casos, o zumbido é temporário e desaparece após repouso auditivo. No entanto, quando persiste por dias, vem acompanhado de perda auditiva ou ocorre repetidamente, pode indicar risco permanente.
Proteger a audição não significa deixar de aproveitar a música, mas sim garantir que ela continue fazendo parte da vida com segurança. Cuidar do ouvido hoje é preservar a qualidade auditiva do futuro.