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Depressão maior: diagnóstico e sintomas

Depressão maior

A Depressão Maior é uma condição clínica que interfere no funcionamento do corpo e da mente: altera sono, energia, apetite, raciocínio, concentração e até a forma como a pessoa se percebe. Mais do que um sentimento, é um quadro que afeta a capacidade de viver o dia a dia — e por isso merece ser reconhecido e tratado com seriedade.

Um aspecto importante é que muitas pessoas convivem com sintomas depressivos por meses (às vezes anos) sem receber diagnóstico. Algumas acham que é “fase”, outras se culpam por não conseguirem reagir. Também há quem nem perceba que está deprimido, porque o sintoma principal pode não ser choro, mas sim cansaço extremo, irritabilidade e desligamento emocional. Esse atraso no reconhecimento aumenta sofrimento e pode prejudicar saúde física, relacionamentos e desempenho profissional.

Neste artigo, você vai entender o que define Depressão Maior, quais sintomas merecem atenção, como é feito o diagnóstico e quais sinais indicam necessidade de procurar ajuda.

O que é Depressão Maior (Transtorno Depressivo Maior)?

A Depressão Maior é um transtorno mental caracterizado por um conjunto de sintomas persistentes, com impacto funcional, que dura pelo menos duas semanas e não pode ser explicado apenas por “um dia ruim” ou por cansaço comum. O ponto-chave não é apenas a presença de tristeza, mas a mudança global no funcionamento emocional e físico.

Na prática, a depressão mexe em três dimensões principais:

  1. Humor e emoções: tristeza, vazio, irritabilidade, sensação de desesperança;

  2. Corpo e energia: fadiga, sono ruim, dor no corpo, lentidão;

  3. Pensamento e comportamento: dificuldade de concentração, desmotivação, isolamento, queda de produtividade.

Por isso, é comum a pessoa dizer que “não é só tristeza”. Muitas descrevem como um peso constante, um bloqueio, uma perda de sentido — como se nada fosse realmente capaz de gerar entusiasmo.

Tristeza normal x depressão: como diferenciar?

Essa distinção é essencial para o público leigo, porque muita gente pensa: “mas eu tenho motivos para estar assim” e, por isso, ignora sintomas.

Na tristeza normal, apesar do sofrimento, geralmente existe:

  • oscilação (dias melhores e piores);

  • manutenção de algum prazer (mesmo que pequeno);

  • preservação parcial de rotina;

  • sensação de que melhora com apoio e tempo.

Na Depressão Maior, costuma haver:

  • persistência diária por semanas;

  • perda importante de prazer e interesse;

  • piora funcional (cuidar de si; trabalhar; estudar);

  • sensação de incapacidade de reagir;

  • sintomas físicos importantes (sono, apetite, energia).

  • Um bom marcador prático é o impacto: quando a pessoa não consegue mais funcionar como antes, mesmo tentando, vale investigar.


Sintomas da Depressão Maior: o que observar no dia a dia

A Depressão Maior não tem um único “rosto”. Há pessoas que choram muito; outras não choram nada. Há quem fique mais quieto; há quem fique irritável. Por isso, o ideal é reconhecer o quadro como um conjunto de sinais.

1) Tristeza persistente ou vazio emocional

Muita gente descreve como uma tristeza constante, mas outra parte descreve algo diferente: um vazio, uma sensação de anestesia emocional ou desconexão.

É comum ouvir:

  • “nada faz sentido”;

  • “não sinto nada, só um vazio”;

  • “parece que perdi a vontade de viver a vida”.

2) Perda de prazer (anedonia) — sintoma-chave

Esse é um dos sinais mais típicos. A pessoa perde o interesse por atividades que antes eram significativas: hobbies, exercícios, música, encontros com amigos, até comida.

Na prática, pode surgir como:

  • falta de vontade de sair;

  • parar de responder mensagens;

  • desistir de coisas que gostava;

  • sensação de que “tudo dá trabalho”.

3) Alterações de energia: cansaço constante

A depressão não é preguiça. É uma sensação real de “corpo sem bateria”, muitas vezes acompanhada de exaustão ao acordar.

O indivíduo pode:

  • sentir esforço para tarefas simples (tomar banho; cozinhar);

  • reduzir autocuidado;

  • ficar deitado por longos períodos;

  • ter queda de produtividade.

4) Sono desregulado (insônia ou sono excessivo)

A depressão pode se manifestar por:

  • insônia inicial (dificuldade para dormir);

  • insônia intermediária (acordar de madrugada);

  • insônia terminal (acordar cedo e não dormir mais);

  • ou hipersonia (dormir muito, mas sem descanso).

Um sinal muito comum é: a pessoa dorme, mas acorda mais cansada do que antes.

5) Alterações de apetite e peso

A variação pode acontecer para ambos os lados:

  • falta de apetite e perda de peso;

  • aumento do apetite, especialmente por carboidratos, com ganho de peso.

Isso ocorre porque depressão altera:

  • padrões hormonais de fome/saciedade;

  • regulação do estresse;

  • circuito de recompensa cerebral.

6) Dificuldade de concentração e memória

Em muitos casos, a queixa inicial não é “estou triste”, mas sim:

  • “minha cabeça não funciona”;

  • “não consigo focar”;

  • “leio e não entendo”;

  • “minha memória piorou”.

Isso acontece porque a depressão afeta atenção, tomada de decisão e processamento cognitivo. Para estudantes, é um dos impactos mais incapacitantes.

7) Culpa excessiva e autocrítica

Outro sintoma frequente é a pessoa se culpar por tudo:

  • “sou um peso”;

  • “não faço nada direito”;

  • “não mereço estar bem”.

Essa autocrítica intensa costuma ser desproporcional e persistente.

8) Lentificação ou agitação psicomotora

A depressão pode desacelerar ou deixar inquieto:

  • lentificação: fala mais lenta, movimentos lentos, “corpo pesado”;

  • agitação: incapacidade de relaxar, inquietação, roer unhas, andar sem parar.

9) Irritabilidade (muito comum)

Nem sempre a depressão se apresenta como tristeza. Muitas pessoas, especialmente homens, podem ter:

  • irritabilidade constante;

  • intolerância;

  • explosões;

  • impaciência.

Isso pode mascarar o diagnóstico.

Critérios diagnósticos: como médicos definem Depressão Maior?

O diagnóstico é clínico, feito por médico (preferencialmente psiquiatra, mas pode ser iniciado pelo clínico). Não depende de um “teste único”. O profissional avalia sintomas, duração e prejuízo funcional.

De forma geral, considera-se Depressão Maior quando há:

  • pelo menos 2 semanas de sintomas;

  • presença de sintomas centrais (humor deprimido e/ou perda de prazer);

  • somados a outros sinais, como alterações de sono, apetite, energia, concentração etc.;

  • com impacto na vida da pessoa.

Muito importante: o médico também precisa excluir outras causas que podem imitar depressão.

O que pode parecer depressão, mas não é?

Antes de concluir o diagnóstico, é comum investigar condições físicas associadas a fadiga e desânimo.

Principais exemplos:

  • hipotireoidismo;

  • anemia;

  • deficiência de vitamina B12/folato;

  • distúrbios do sono (apneia do sono, por exemplo);

  • uso de álcool e substâncias;

  • efeitos colaterais de medicamentos.

Além disso, é fundamental diferenciar Depressão Maior de:

  • luto (dor pela perda, que tem dinâmica própria);

  • Transtorno Bipolar (depressão + episódios de mania/hipomania);

  • Transtorno de ansiedade (que pode gerar exaustão e insônia importantes).

Fatores de risco: quem tem mais chance de desenvolver?

A depressão é multifatorial. Não existe um único motivo. Em geral, a combinação de predisposição e gatilhos aumenta risco.

Fatores comuns:

  • histórico familiar;

  • traumas e estresse crônico;

  • privação de sono;

  • isolamento social;

  • violência psicológica/relacional;

  • doenças crônicas;

  • uso de álcool/drogas.

Sinais de alerta: quando procurar ajuda com urgência?

A orientação prática é procurar avaliação médica quando:

  • sintomas persistem por mais de 2 semanas;

  • há prejuízo na rotina;

  • existe isolamento progressivo;

  • autocuidado cai muito;

  • surgem sintomas físicos intensos.

E buscar ajuda imediata se houver:

  • incapacidade de se alimentar/hidratar;

  • confusão mental importante;

  • agravamento rápido do quadro;

  • risco de autoagressão.

(Se você quiser, posso adicionar um bloco de “onde buscar ajuda no Brasil” de forma objetiva e acolhedora, no padrão do blog.)

Tratamento: o que funciona de verdade?

A Depressão Maior tem tratamento, e ele costuma ser mais eficaz quando iniciado cedo.

O cuidado geralmente combina:

1) Psicoterapia

Ajuda a:

  • reorganizar pensamento;

  • desenvolver estratégias contra ruminação;

  • melhorar habilidades de enfrentamento;

  • fortalecer rede de apoio.

2) Medicações antidepressivas (quando indicadas)

Nem todo caso exige medicação, mas quando indicada, ela:

  • reduz sintomas;

  • melhora sono, energia e concentração;

  • diminui recaídas.

Importante: antidepressivo não “muda personalidade” e não é “muleta”. Ele corrige disfunções neuroquímicas relacionadas ao quadro.

3) Hábitos de vida como parte do tratamento

Não substituem tratamento, mas potencializam muito:

  • higiene do sono;

  • atividade física regular;

  • rotina mínima estruturada;

  • alimentação adequada;

  • reduzir álcool;

  • reconexão social gradual.

Depressão tem cura?

Muitos casos entram em remissão completa. Algumas pessoas terão um episódio isolado; outras podem ter recaídas, especialmente se não houver tratamento adequado ou se houver fatores de risco importantes.

A mensagem central é: depressão é tratável e tem prognóstico muito melhor quando reconhecida cedo.

Conclusão

A Depressão Maior vai muito além da tristeza. Ela envolve alterações emocionais, cognitivas e físicas que persistem por semanas e comprometem a vida diária. Os sintomas podem aparecer como perda de prazer, cansaço, alterações do sono, irritabilidade e dificuldade de concentração, o que faz muitas pessoas demorarem para perceber que estão doentes.

Buscar avaliação é um passo de cuidado e não de fraqueza. Quanto mais cedo existe diagnóstico e tratamento, maior a chance de recuperação completa e prevenção de recaídas.

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