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Doença de Parkinson: entenda os sinais e quando investigar

Doença de Parkinson

Quando se fala em Doença de Parkinson, a maioria das pessoas pensa imediatamente em tremor nas mãos. Mas a verdade é que o Parkinson vai muito além disso e, em muitos casos, o tremor nem é o primeiro sinal. Alguns pacientes começam com uma rigidez discreta, outros com lentidão para tarefas simples, e há quem perceba mudanças sutis na marcha, na fala ou até no sono antes de qualquer alteração evidente.

Isso faz com que a Doença de Parkinson seja, frequentemente, subestimada no início. Muitas pessoas acham que é “coisa da idade”, “estresse”, “má postura” ou “fraqueza”. Só que o Parkinson é uma condição neurológica progressiva, e reconhecer seus sinais precocemente muda muito a história: permite iniciar acompanhamento adequado, controlar sintomas com mais eficácia e preservar autonomia por mais tempo.

Neste artigo, você vai entender de forma clara e completa o que é a Doença de Parkinson, por que ela causa rigidez e tremores, quais são os sinais de alerta e quando vale investigar.

O que é a Doença de Parkinson?

A Doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa caracterizada, principalmente, pela perda progressiva de neurônios em uma região do cérebro chamada substância negra. Esses neurônios produzem dopamina, um neurotransmissor essencial para o controle motor.

A dopamina atua como uma espécie de “regulador fino” do movimento. Quando ela diminui, o cérebro passa a ter dificuldade em coordenar ações automáticas e suaves, e surgem os sintomas típicos: lentidão, rigidez, tremor e alterações na marcha.

É importante entender um ponto: o Parkinson não é falta de força, não é problema “psicológico” e não é algo que a pessoa controla com vontade. Ele é uma condição orgânica, com alterações neurológicas reais e bem estabelecidas.

Por que rigidez e tremores acontecem?

O corpo humano funciona com equilíbrio entre circuitos que “ativam” e “freiam” os movimentos. A dopamina ajuda a manter esse equilíbrio. Quando há falta de dopamina:

  • alguns músculos ficam em tensão constante, gerando rigidez;

  • o cérebro tem dificuldade em iniciar e automatizar movimentos, gerando lentidão;

  • surgem oscilações involuntárias em determinados circuitos motores, favorecendo o tremor.

Na prática, é como se o corpo perdesse a fluidez natural do movimento. Coisas simples — como levantar da cadeira, virar na cama, caminhar ou abotoar uma camisa — passam a exigir mais esforço e atenção.

Sintomas motores: os sinais mais conhecidos do Parkinson

Os sintomas motores são os mais visíveis, mas podem começar discretos e evoluir aos poucos.

1) Tremor (nem sempre é o primeiro sinal)

O tremor do Parkinson costuma ter um padrão típico. Ele aparece principalmente em repouso, ou seja, quando a mão está parada. Muitas vezes melhora durante o movimento e piora quando a pessoa está ansiosa ou cansada.

Características comuns:

  • tremor de repouso (mão parada);

  • começa geralmente de um lado só;

  • pode parecer “movimento de contar moedas” com os dedos;

  • tende a ser rítmico e persistente.

Um detalhe importante: nem todo tremor é Parkinson, e nem todo Parkinson tem tremor. Existem outros tremores muito comuns (como o tremor essencial), que têm causas diferentes e conduta diferente.

2) Rigidez (o corpo “travado”)

A rigidez pode ser um dos sintomas que mais incomodam. Ela não se resume a “dor muscular”: é uma rigidez real, como se o músculo estivesse sempre parcialmente contraído.

O que a pessoa pode sentir:

  • dor ou desconforto no ombro, pescoço ou costas;

  • dificuldade para girar o tronco;

  • sensação de corpo rígido ao acordar;

  • braços “duros” durante a caminhada;

  • dificuldade para virar na cama.

Muita gente passa meses tratando como “tendinite”, “bursite” ou “postura”, até perceber que o quadro é progressivo e que há outros sinais associados.

3) Bradicinesia (lentidão)

Esse é um sintoma central do Parkinson e, para muitos neurologistas, o mais importante. O cérebro passa a iniciar o movimento mais lentamente e a reduzir sua amplitude.

Na prática, pode aparecer como:

  • demora para levantar e iniciar caminhada;

  • movimentos mais lentos e menores;

  • dificuldade para tarefas manuais finas (fechar botão; digitar; escrever);

  • redução das expressões faciais (“rosto parado”);

  • diminuição do piscar;

  • letra ficando cada vez menor (micrografia).

A bradicinesia também pode dar sensação de cansaço e falta de energia, levando algumas pessoas a acreditarem que é apenas sedentarismo ou envelhecimento.

4) Alterações na marcha e equilíbrio

Com o tempo, o Parkinson pode afetar a forma de caminhar. Um sinal clássico é a pessoa dar passos menores, mais curtos, e parecer “arrastar” um pouco os pés.

Outros sinais:

  • passos curtos e rápidos (marcha festinante);

  • tronco inclinado para frente;

  • menos balanço dos braços ao caminhar;

  • dificuldade de virar rapidamente;

  • episódios de “congelamento” (freezing), quando o pé parece “colar no chão”;

  • quedas, principalmente em fases mais avançadas.

Sintomas não motores: sinais que podem surgir antes do tremor

Um dos pontos mais importantes para reconhecer o Parkinson é saber que ele não afeta apenas movimento. Há sintomas não motores que podem aparecer anos antes.

Os principais:

  • perda do olfato (a pessoa percebe que não sente bem cheiros);

  • prisão de ventre persistente;

  • alterações do sono, especialmente “agir durante sonhos” (movimentos, chutes, falar dormindo);

  • ansiedade e depressão sem motivo claro;

  • fadiga persistente;

  • redução do volume da voz;

  • lentidão do pensamento, dificuldade de atenção (em alguns casos).

Esses sintomas isolados não fecham diagnóstico, mas quando aparecem em conjunto com rigidez/lentidão, aumentam muito a suspeita.

Quando investigar? (sinais de alerta)

Se a pessoa apresenta alguns dos sinais abaixo por mais de algumas semanas/meses, a avaliação neurológica é indicada:

  • tremor de repouso persistente;

  • rigidez principalmente de um lado;

  • lentidão progressiva para tarefas simples;

  • letra ficando pequena;

  • passos curtos e arrastados;

  • redução do balanço do braço ao caminhar;

  • quedas sem causa clara;

  • congelamento da marcha;

  • voz mais baixa e fraca;

  • constipação persistente associada a outros sinais.

O ponto chave é: Parkinson costuma ser assimétrico no início. Ou seja, começa em um lado do corpo e só depois atinge o outro mais claramente.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é principalmente clínico, baseado na história e no exame físico neurológico. Não existe um exame de sangue que “detecte Parkinson” com certeza.

Em algumas situações, o neurologista pode pedir exames para excluir outras causas, como:

  • ressonância magnética;

  • exames laboratoriais (para causas secundárias);

  • exames específicos em casos selecionados.

Muitas vezes, a resposta do paciente a determinados medicamentos também ajuda na confirmação do diagnóstico.

Tem cura? E como é o tratamento?

A Doença de Parkinson não tem cura, mas tem tratamento eficaz. O objetivo não é “curar”, e sim:

  • controlar sintomas;

  • manter autonomia;

  • reduzir risco de quedas;

  • preservar qualidade de vida.

Principais estratégias de tratamento

O tratamento costuma combinar:

  • medicamentos dopaminérgicos (ex.: levodopa e outros);

  • fisioterapia (equilíbrio; marcha; força);

  • atividade física regular;

  • terapia ocupacional;

  • fonoaudiologia (voz e deglutição);

  • ajustes no ambiente para prevenir quedas;

  • em casos específicos: cirurgia (estimulação cerebral profunda).

Um ponto muito importante: atividade física é um dos melhores “remédios” complementares no Parkinson, porque melhora mobilidade, força e equilíbrio — além do impacto no humor.

O que não deve ser ignorado

Algumas situações exigem atenção e avaliação rápida, como:

  • quedas frequentes;

  • engasgos repetidos (risco de aspiração);

  • confusão mental progressiva;

  • alucinações (podem ser doença, efeito de medicação ou outras causas);

  • perda de peso importante;

  • perda rápida de autonomia.

Conclusão

A Doença de Parkinson é muito mais do que um tremor. Ela pode começar com sinais discretos, como rigidez de um lado, lentidão progressiva, letra ficando pequena, passos curtos ou alterações do sono.

Por isso, o melhor caminho é: se houver sinais persistentes e progressivos, investigar. Quanto antes houver orientação neurológica, melhor tende a ser o controle do quadro e a preservação da qualidade de vida.


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