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Emagrecimento e contagem de calorias: funciona mesmo ou é mito?

contagem de calorias

Se você já tentou emagrecer, provavelmente já ouviu a frase: “pra emagrecer é só gastar mais calorias do que consome.” E, em teoria, isso é verdade. O emagrecimento acontece quando o corpo entra em déficit calórico, ou seja, quando você consome menos energia do que gasta ao longo do dia.


Mas aí vem a dúvida real: precisa contar calorias para emagrecer? E mais: contar calorias funciona para todo mundo? Afinal, tem pessoas que contam tudo e não emagrecem… e outras que emagrecem sem nunca ter pesado um alimento.


Neste texto, você vai entender como a contagem de calorias funciona na prática, o que a ciência diz, quais são os erros mais comuns e como usar essa estratégia sem cair em armadilhas.


O que são calorias e por que elas importam no emagrecimento?


Calorias são uma forma de medir energia. Quando você come, seu corpo usa essa energia para:


  • manter funções vitais (respiração; circulação; temperatura corporal);

  • movimentar-se (andar; subir escadas; treinar);

  • digerir alimentos e produzir hormônios.


Se a entrada de energia (calorias) é maior que o gasto, o corpo tende a armazenar excesso em forma de gordura. Agora, se a entrada é menor que o gasto o corpo utiliza reservas (incluindo gordura), gerando emagrecimento.


O déficit calórico: a regra que sempre se mantém

Assim, o déficit calórico é o mecanismo central do emagrecimento.

Só que existe um detalhe importante: o corpo humano não é uma calculadora perfeita.

Muitas coisas mudam o gasto calórico, como:


  • sono ruim;

  • estresse crônico;

  • baixa massa muscular;

  • sedentarismo;

  • mudanças hormonais;

  • adaptação metabólica ao longo do tempo.

Ou seja: a conta existe, mas o corpo ajusta os números.

Então contar calorias é necessário?

Não. É possível emagrecer sem contar calorias.

Porém, para algumas pessoas, contar calorias pode ser uma ferramenta muito útil, especialmente quando:

  • existe muita dificuldade de percepção do quanto se come;

  • há “beliscos” frequentes durante o dia;

  • a alimentação é muito baseada em ultraprocessados;

  • a pessoa tem pouca noção de porções.

Já para outras, a contagem pode ser péssima, principalmente quando:

  • gera ansiedade e culpa;

  • desencadeia compulsão alimentar;

  • estimula obsessão com números;

  • piora a relação com a comida.

Dessa forma, o ideal é tratar a contagem como uma ferramenta, não como obrigação.

Por que muita gente conta calorias e não emagrece?

Aqui está um dos principais motivos de frustração

1) Subestimar o que come

As pessoas erram mesmo sem perceber:

  • “só um fio de óleo” pode ter 90 kcal;

  • café com açúcar;

  • porções “um pouquinho maiores”;

  • biscoitos no meio da tarde;

  • bebidas (sucos; refrigerantes; álcool).

2) Confiar demais nos rótulos e aplicativos

Os aplicativos, por exemplo, ajudam, mas não são perfeitos. O ideal é procurar um nutricionista.


Alimentos caseiros, como, por exemplo, bolo; arroz com óleo; feijão temperado variam muito. Assim, não dá para confiar 100% na tecnologia.

3) Déficit exagerado pode causar fome e efeito rebote

Quando você corta demais:

  • o corpo aumenta fome;

  • aumenta desejo por açúcar;

  • diminui energia;

  • piora adesão;

  • aumenta compulsão.

4) Pouca proteína e pouca fibra

Mesmo com “calorias certas”, a dieta pode não sustentar.

  • proteína dá saciedade e preserva músculo;

  • fibras regulam fome e intestino;

  • sem isso, a pessoa sofre mais e abandona.

Caloria é caloria? Sim e não.

Do ponto de vista energético: 200 kcal são 200 kcal. Mas, do ponto de vista metabólico e comportamental: o efeito é diferente.


Compare:

  • 200 kcal de refrigerante → fome volta rápido; pico glicêmico; pouca saciedade.

  • 200 kcal de iogurte natural + frutas → mais proteína/fibra; maior saciedade.


Ou seja, a qualidade dos alimentos muda a chance de manter o déficit.


Como emagrecer sem contar calorias (e com resultado real)

Você pode focar em hábitos que reduzem calorias naturalmente:

  • montar prato com metade de vegetais;

  • incluir proteína em todas as refeições;

  • reduzir bebidas calóricas;

  • trocar ultraprocessados por comida de verdade;

  • usar porções conscientes;

  • comer devagar;

  • dormir melhor.

Um modelo simples e eficaz:

Método do prato (visual e prático)

  • ½ do prato: legumes/verduras;

  • ¼: proteína (frango; ovos; peixe; carne magra; feijão);

  • ¼: carboidrato (arroz; batata; mandioca; macarrão);

  • 1 “gordura boa” moderada (azeite; castanhas; abacate).

Quando contar calorias pode ser uma boa ideia?

Contar calorias pode ajudar quando a pessoa quer:

  • entender porções;

  • aprender a montar refeições equilibradas;

  • comparar escolhas alimentares;

  • ter uma estratégia objetiva temporária.

Dica importante: não precisa contar para sempre. Muita gente conta por 2–6 semanas e depois usa só “no olho”.

Erros comuns na contagem de calorias

  • ignorar líquidos (suco; café adoçado; álcool);

  • não contabilizar óleo;

  • não pesar porções nos primeiros dias;

  • acreditar em “calorias queimadas” do relógio/esteira;

  • usar contagem como punição.

Conclusão

A contagem de calorias pode funcionar, mas não é a única forma de emagrecer.

O mais importante é: conseguir manter o déficit calórico com saúde e consistência.

Se contar calorias te ajuda a ter clareza e organização, ótimo. Se te traz ansiedade, culpa ou compulsão, existem alternativas igualmente eficazes — e muito mais sustentáveis.

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