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Faringite: quando a dor de garganta merece atenção

11 de mai.
5 min de leitura
Faringite

A Faringite é uma inflamação da faringe, região localizada no fundo da garganta. Ela costuma causar dor, irritação, sensação de garganta arranhando e desconforto ao engolir. Na maioria das vezes, está relacionada a infecções virais, como resfriados e gripes, mas também pode ser causada por bactérias, alergias, refluxo, ar seco, fumaça e outros irritantes. O CDC informa que vírus são a causa mais comum de dor de garganta e que muitos quadros melhoram espontaneamente em cerca de uma semana.

Apesar de ser comum, a Faringite merece atenção quando a dor é intensa, dura muitos dias, vem acompanhada de febre alta, placas na garganta, falta de ar, dificuldade para engolir ou sinais de desidratação. Nesses casos, pode ser necessário investigar causas bacterianas ou outras condições que exigem tratamento específico.

O que é Faringite?

A Faringite é a inflamação da mucosa da faringe. Essa região participa da passagem do ar e dos alimentos, por isso qualquer inflamação local pode causar incômodo ao falar, engolir, respirar pelo nariz ou tossir.

Ela pode aparecer de forma isolada ou junto com outros sintomas respiratórios, como nariz escorrendo, tosse, rouquidão e espirros. Quando há envolvimento das amígdalas, o quadro pode ser chamado de faringoamigdalite.

Na prática, a Faringite pode ser:

  • Aguda, quando surge de forma recente e dura poucos dias;

  • Recorrente, quando volta várias vezes;

  • Crônica, quando persiste por mais tempo ou retorna com frequência.

A Cleveland Clinic descreve a Faringite crônica como dor de garganta que não melhora ou que volta repetidamente, podendo estar relacionada a infecções, alergias, poluentes e outras causas irritativas.

Quais são as principais causas da Faringite?

As causas mais comuns de Faringite são infecciosas, principalmente virais. No entanto, nem toda dor de garganta é infecção, e nem toda infecção precisa de antibiótico.

Entre as principais causas estão:

  • Resfriado comum;

  • Influenza;

  • Covid-19;

  • Outras viroses respiratórias;

  • Infecção por Streptococcus do grupo A;

  • Rinossinusite com gotejamento pós-nasal;

  • Rinite alérgica;

  • Refluxo gastroesofágico ou refluxo laringofaríngeo;

  • Ar seco;

  • Poluição;

  • Fumaça de cigarro;

  • Uso excessivo da voz;

  • Irritação por produtos químicos.

A Faringite viral é muito mais frequente do que a bacteriana. Já a Faringite estreptocócica, causada pelo Streptococcus pyogenes, precisa ser reconhecida porque pode exigir antibiótico e, quando não tratada adequadamente, pode estar associada a complicações.

Faringite viral ou bacteriana: qual a diferença?

A distinção entre Faringite viral e bacteriana nem sempre é possível apenas olhando a garganta, mas alguns sinais ajudam a levantar suspeitas.

Característica

Faringite viral

Faringite bacteriana estreptocócica

Início

Pode ser gradual

Costuma ser mais súbito

Tosse

Comum

Menos comum

Nariz escorrendo

Frequente

Menos frequente

Rouquidão

Pode ocorrer

Menos típica

Febre

Pode ocorrer

Mais comum

Dor ao engolir

Variável

Pode ser intensa

Placas nas amígdalas

Nem sempre

Podem aparecer

Gânglios no pescoço

Podem ocorrer

Podem estar dolorosos

O CDC destaca que tosse, coriza, rouquidão e conjuntivite sugerem causa viral, e não Faringite estreptocócica. Já a infecção por Streptococcus do grupo A deve ser confirmada com avaliação clínica e, quando indicado, teste específico.

Quais são os sintomas da Faringite?

Os sintomas variam conforme a causa, mas os mais comuns incluem dor, irritação e sensação de garganta seca ou arranhando. A dor pode piorar ao engolir, falar ou tossir.

A Faringite pode causar:

  • Dor de garganta;

  • Ardência ou irritação;

  • Dificuldade para engolir;

  • Garganta vermelha;

  • Sensação de garganta seca;

  • Febre;

  • Mal-estar;

  • Dor no corpo;

  • Dor de cabeça;

  • Tosse;

  • Rouquidão;

  • Coriza;

  • Gânglios doloridos no pescoço;

  • Mau hálito;

  • Placas ou secreção nas amígdalas, em alguns casos.

Em crianças, também podem aparecer irritabilidade, recusa alimentar, salivação excessiva e dificuldade para dormir. Quando a criança é muito pequena, a presença de febre deve ser avaliada com mais cautela. O CDC orienta atendimento imediato para bebês menores de 3 meses com febre igual ou superior a 38 °C.

Faringite precisa de antibiótico?

Na maioria dos casos, não.

Quando a Faringite é causada por vírus, o antibiótico não ajuda, porque antibióticos agem contra bactérias, não contra vírus. Nesses casos, o tratamento costuma ser voltado para alívio dos sintomas, hidratação, repouso e controle da dor ou febre. O CDC reforça que antibióticos não ajudam quando a causa é viral e que o uso desnecessário pode causar efeitos adversos, incluindo reações alérgicas, infecções resistentes e infecção por C. difficile.

O antibiótico pode ser necessário quando há confirmação ou forte suspeita de Faringite bacteriana por Streptococcus do grupo A. Nessa situação, o tratamento adequado ajuda a reduzir sintomas, diminuir transmissão e prevenir complicações.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com a história clínica e o exame físico. O médico avalia a garganta, presença de placas, febre, gânglios no pescoço, tosse, coriza, rouquidão e outros sintomas associados.

Quando há suspeita de Faringite estreptocócica, pode ser feito teste rápido ou coleta de secreção da garganta. Esses exames ajudam a confirmar a presença da bactéria e evitar uso desnecessário de antibióticos. O CDC informa que profissionais de saúde podem usar diferentes testes para diagnosticar Faringite estreptocócica.

A avaliação é especialmente importante quando os sintomas são intensos, recorrentes, prolongados ou acompanhados de sinais de alerta.

Como aliviar a Faringite em casa?

Quando o quadro é leve e sem sinais de gravidade, algumas medidas podem aliviar o desconforto enquanto o organismo se recupera.

Podem ajudar:

  • Beber água ao longo do dia;

  • Evitar bebidas muito geladas ou muito quentes, se piorarem a dor;

  • Fazer repouso vocal;

  • Usar umidificação do ambiente quando o ar estiver seco;

  • Evitar fumaça, poeira e cheiros fortes;

  • Preferir alimentos mais macios se houver dor ao engolir;

  • Usar analgésicos ou antitérmicos apenas conforme orientação segura;

  • Evitar automedicação com antibióticos.

Pastilhas e sprays podem aliviar temporariamente a dor emalguns casos, mas não tratam a causa do problema. Em crianças pequenas, é preciso cuidado com produtos que oferecem risco de engasgo ou uso inadequado.

Quando procurar atendimento médico?

A Faringite deve ser avaliada por um profissional quando há sinais de alerta ou quando os sintomas não seguem o curso esperado.

Procure atendimento se houver:

  • Dificuldade para respirar;

  • Dificuldade importante para engolir;

  • Salivação excessiva em crianças;

  • Sangue na saliva ou no catarro;

  • Sinais de desidratação;

  • Febre persistente ou alta;

  • Dor muito intensa;

  • Rigidez no pescoço;

  • Manchas ou erupção na pele;

  • Gânglios muito aumentados;

  • Sintomas que pioram ou não melhoram após alguns dias;

  • Dor de garganta recorrente.

O CDC recomenda avaliação médica quando há dificuldade para respirar ou engolir, sangue em saliva ou catarro, desidratação, dor e inchaço nas articulações, rash cutâneo ou sintomas que pioram ou não melhoram em poucos dias.

Faringite pode causar complicações?

A maioria dos casos evolui bem, especialmente quando a causa é viral. Porém, a Faringite bacteriana por Streptococcus do grupo A pode causar complicações se não for adequadamente tratada.

Entre as possíveis complicações estão:

  • Abscesso ao redor das amígdalas;

  • Otite;

  • Sinusite;

  • Escarlatina;

  • Febre reumática;

  • Glomerulonefrite pós-estreptocócica.

Essas complicações não são a regra, mas explicam por que algumas dores de garganta precisam ser investigadas. O CDC descreve que infecções por Streptococcus do grupo A podem variar de quadros leves a condições mais graves e também podem causar doenças inflamatórias após a infecção.

Como prevenir Faringite?

A prevenção envolve cuidados simples, principalmente porque muitas causas infecciosas são transmitidas por gotículas respiratórias, contato próximo ou objetos contaminados.

Medidas úteis incluem:

  • Lavar as mãos com frequência;

  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar;

  • Evitar compartilhar copos, talheres e garrafas;

  • Evitar contato próximo com pessoas doentes;

  • Manter ambientes ventilados;

  • Evitar fumaça de cigarro;

  • Tratar rinite, sinusite ou refluxo quando presentes;

  • Trocar escova de dentes após infecção bacteriana, quando orientado;

  • Manter boa hidratação.

O CDC orienta lavagem frequente das mãos, evitar compartilhar copos e utensílios com pessoas doentes, cobrir tosse e espirros e lavar utensílios usados por pessoas infectadas como medidas de prevenção contra Streptococcus do grupo A.

Conclusão

A Faringite é uma inflamação da garganta muito comum e, na maioria das vezes, tem causa viral e melhora com cuidados simples. Mesmo assim, alguns casos exigem avaliação médica, principalmente quando há febre alta, dor intensa, placas na garganta, dificuldade para engolir, falta de ar ou sintomas persistentes.

O ponto mais importante é evitar o uso indiscriminado de antibióticos. Eles só são úteis quando há suspeita ou confirmação de infecção bacteriana. Para quadros virais, o tratamento é focado em hidratação, repouso, alívio dos sintomas e observação dos sinais de alerta.

Dor de garganta pode parecer simples, mas quando foge do padrão esperado, merece investigação.

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