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Vacina contra a gripe: estudo aponta redução no risco de infarto e AVC

  • 7 de abr.
  • 4 min de leitura
Vacina contra a gripe

Quando se fala em vacina contra a gripe, a maioria das pessoas pensa apenas em prevenção de sintomas respiratórios, febre e mal-estar. Mas a proteção pode ir além. Um estudo recente com dados da Dinamarca reforçou que a vacinação contra influenza pode reduzir o risco de complicações cardiovasculares graves, como infarto e AVC, inclusive entre pessoas que ainda assim acabam se infectando.

Esse achado chama atenção porque mostra um efeito duplo da vacina: ela ajuda a evitar a gripe, mas também pode atenuar o impacto cardiovascular da infecção quando ela acontece. Segundo a divulgação do estudo, o risco de primeira internação por infarto ou AVC aumentou de forma importante na primeira semana após infecção confirmada por influenza, e esse excesso de risco foi reduzido pela metade entre os vacinados.

O que o estudo mostrou

A pesquisa analisou dados de registros de saúde da Dinamarca entre 2014 e 2025, incluindo 1.221 adultos com 40 anos ou mais que tiveram infecção laboratorialmente confirmada por influenza e, em torno desse período, foram hospitalizados pela primeira vez por infarto ou AVC. O desenho do estudo comparou diferentes momentos da vida da mesma pessoa, o que ajuda a controlar fatores individuais como comorbidades e predisposição genética.

O principal resultado foi direto: na primeira semana após testar positivo para influenza, o risco de hospitalização por AVC aumentou cerca de três vezes, e o risco de infarto aumentou cerca de cinco vezes. Entre os indivíduos vacinados contra a gripe naquela temporada, esse excesso de risco foi aproximadamente 50% menor, mesmo quando houve infecção de qualquer forma.

Por que a gripe pode aumentar o risco de infarto e AVC

A explicação mais aceita envolve o efeito inflamatório sistêmico da influenza. Quando o organismo enfrenta a infecção, há ativação intensa da resposta imune, aumento de citocinas inflamatórias, maior tendência à coagulação e maior estresse cardiovascular. Esse conjunto pode favorecer instabilização de placas ateroscleróticas, formação de trombos e descompensação de doenças cardiovasculares pré-existentes.

Em outras palavras, a gripe não afeta apenas pulmões e vias aéreas. Em pessoas vulneráveis, ela pode atuar como gatilho biológico para eventos cardiovasculares agudos. Isso ajuda a entender por que a vacinação tem sido vista cada vez mais como uma medida de prevenção também para o coração e para o cérebro.

Então a vacina protege mesmo quem pega gripe?

Esse foi justamente um dos pontos mais interessantes do estudo. Pesquisas anteriores já mostravam que a vacinação reduz eventos cardiovasculares ao diminuir a chance de a pessoa contrair influenza. O novo achado amplia essa visão: mesmo quando a infecção ocorre, os vacinados parecem apresentar menor risco de infarto e AVC associados ao episódio gripal.

Isso sugere que a vacina pode ter um papel adicional, possivelmente ligado à redução da gravidade da infecção e da intensidade da resposta inflamatória. Ainda assim, os próprios autores foram cautelosos: destacaram que os resultados precisam ser confirmados em outros contextos e populações antes de conclusões mais amplas.

Quem pode se beneficiar mais dessa proteção

Embora a vacinação seja importante de forma geral, esse tipo de proteção cardiovascular ganha relevância especial em grupos com maior risco, como:

  • idosos;

  • pessoas com hipertensão;

  • pacientes com diabetes;

  • pessoas com obesidade;

  • indivíduos com aterosclerose ou doença cardiovascular prévia;

  • pacientes com síndrome metabólica.

O destaque para esses grupos faz sentido porque a influenza pode desencadear uma cascata inflamatória capaz de descompensar quadros já existentes.

O estudo prova que a vacina é remédio para prevenir infarto?

Não exatamente. É importante não simplificar demais o resultado. A vacina contra influenza não substitui controle da pressão arterial, tratamento do colesterol, manejo do diabetes, cessação do tabagismo e outras estratégias clássicas de prevenção cardiovascular. O que o estudo sugere é que ela pode funcionar como uma camada extra de proteção, especialmente em pessoas mais vulneráveis.

Na prática, isso reforça uma ideia importante: prevenção cardiovascular não depende só de remédios e exames. Em alguns casos, também passa por vacinação adequada.

O que esse achado muda na prática

Do ponto de vista de saúde pública, a mensagem é forte. A vacina da gripe pode deixar de ser vista apenas como medida para evitar alguns dias de sintomas respiratórios e passar a ser encarada também como estratégia de proteção para desfechos graves.

Para o paciente, isso significa algo bem concreto: em vez de pensar “eu não tomo porque quase nunca fico gripado”, talvez valha considerar que a imunização pode ajudar a reduzir riscos que vão além da própria gripe, sobretudo em quem já tem fatores de risco cardiovasculares.

Conclusão

A afirmação de que a vacina contra a gripe pode proteger contra infarto e AVC ganhou novo peso com o estudo dinamarquês publicado em 2026. Os dados mostraram que a influenza aumenta de forma importante o risco cardiovascular agudo na primeira semana após a infecção, e que esse excesso de risco foi reduzido em torno de 50% nos vacinados, mesmo entre aqueles que adoeceram.

O resultado não transforma a vacina em substituta das medidas clássicas de prevenção, mas reforça seu valor como parte do cuidado integral, especialmente em pessoas com maior risco cardiovascular. Em um cenário em que gripe ainda é tratada por muitos como algo banal, esse estudo lembra que prevenir influenza pode ser também uma forma de proteger coração e cérebro.


Fonte: O Globo

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