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Fissura anal: quando a dor ao evacuar pode indicar uma pequena ferida

  • 13 de mai.
  • 6 min de leitura
Fissura anal


A Fissura Anal é uma pequena lesão ou “rachadura” na pele que reveste o canal anal. Apesar de geralmente ser pequena, pode causar dor intensa, principalmente durante e após a evacuação. Também pode provocar sangramento vermelho vivo no papel higiênico ou nas fezes, o que costuma assustar bastante. A Fissura Anal é uma pequena ruptura no tecido fino e úmido que reveste o ânus, geralmente associada à passagem de fezes endurecidas ou volumosas.

Embora muitas pessoas confundam Fissura Anal com Hemorroida, são condições diferentes. A Fissura Anal é uma ferida; a Hemorroida é uma dilatação de vasos na região anal. As duas podem causar dor e sangramento, mas o padrão dos sintomas costuma ajudar na diferenciação. A American Society of Colon and Rectal Surgeons descreve que a Fissura Anal costuma causar dor aguda durante a evacuação, podendo durar minutos ou horas depois.

O que é Fissura Anal?

A Fissura Anal é uma pequena ruptura no revestimento do canal anal. Ela pode surgir quando há trauma local, geralmente causado por fezes muito endurecidas, esforço evacuatório ou episódios de diarreia intensa.

O canal anal é uma região sensível, com muitas terminações nervosas. Por isso, mesmo uma lesão pequena pode causar dor importante. Além disso, a dor pode levar a uma contração involuntária do esfíncter anal, dificultando a cicatrização e mantendo um ciclo de dor, espasmo e nova lesão.

De forma simples:

Alteração

O que acontece

Fezes endurecidas

Podem machucar a região anal ao passar

Pequena ruptura

Forma-se a Fissura Anal

Dor intensa

Pode ocorrer durante e após evacuar

Espasmo do esfíncter

A musculatura contrai e dificulta a cicatrização

Medo de evacuar

A pessoa segura as fezes, piorando a constipação

Esse ciclo explica por que algumas fissuras demoram a melhorar quando a constipação não é tratada.

Quais são os sintomas da Fissura Anal?

O sintoma mais característico é a dor ao evacuar. Muitas pessoas descrevem como uma dor em corte, ardência intensa ou sensação de “rasgo”. Essa dor pode continuar por algum tempo após a evacuação.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Dor intensa durante a evacuação;

  • Ardência ou queimação depois de evacuar;

  • Sangue vermelho vivo no papel higiênico ou nas fezes;

  • Sensação de ferida na região anal;

  • Contração ou espasmo anal;

  • Coceira ou irritação local;

  • Medo de evacuar por causa da dor.

A presença de sangue vermelho vivo pode ocorrer na Fissura Anal, mas todo sangramento anal recorrente deve ser avaliado, porque outras doenças também podem causar esse sintoma. A American Society of Colon and Rectal Surgeons também cita o sangue vermelho vivo no papel ou nas fezes como manifestação possível da Fissura Anal.

Fissura Anal é a mesma coisa que Hemorroida?

Não. Essa confusão é muito comum, mas as duas condições são diferentes.

Condição

O que é

Sintomas mais comuns

Fissura Anal

Pequena ferida no canal anal

Dor intensa ao evacuar e sangue vermelho vivo

Hemorroida

Dilatação de vasos da região anal

Sangramento, coceira, inchaço ou desconforto

Abscesso anal

Infecção com acúmulo de pus

Dor forte, inchaço, febre em alguns casos

Fístula anal

Comunicação anormal entre o canal anal e a pele

Secreção, dor ou recorrência de abscessos

Na Fissura Anal, a dor costuma ser mais marcante, principalmente durante a evacuação. Nas Hemorroidas, pode haver sangramento sem dor intensa, embora hemorroidas externas trombosadas também possam doer bastante.

O que causa Fissura Anal?

A causa mais comum é o trauma local durante a evacuação. Isso pode acontecer tanto por fezes muito endurecidas quanto por episódios de diarreia, que irritam a mucosa anal.

Entre os principais fatores associados estão:

  • Constipação intestinal;

  • Fezes endurecidas ou volumosas;

  • Esforço excessivo para evacuar;

  • Diarreia persistente;

  • Baixa ingestão de fibras;

  • Pouca ingestão de água;

  • Hábito de segurar a vontade de evacuar;

  • Pós-parto;

  • Doenças inflamatórias intestinais, em alguns casos;

  • Trauma local.

A Mayo Clinic cita constipação, esforço evacuatório e passagem de fezes endurecidas ou grandes como causas comuns de Fissura Anal.

Fissura Anal pode virar um problema crônico?

Sim. Muitas Fissuras Anais são agudas, ou seja, recentes, e podem cicatrizar com medidas simples. Porém, quando persistem por mais tempo, podem se tornar crônicas.

Uma fissura crônica pode apresentar:

  • Dor recorrente;

  • Cicatrização difícil;

  • Espasmo persistente do esfíncter;

  • Pequena saliência de pele próxima à fissura;

  • Reabertura frequente da ferida;

  • Sangramento repetido.

A American Society of Colon and Rectal Surgeons considera que uma fissura presente por mais de 6 semanas é mais compatível com quadro crônico.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico costuma ser feito pela história clínica e pelo exame físico. Em muitos casos, o médico consegue identificar a fissura pela inspeção da região anal, sem necessidade de exames complexos.

Durante a avaliação, o profissional observa:

  • Local da dor;

  • Presença de ferida visível;

  • Sangramento;

  • Contração da musculatura anal;

  • Tempo de evolução;

  • Hábito intestinal;

  • Sintomas associados.

Em alguns casos, principalmente quando há sangramento recorrente, dor fora do padrão, perda de peso, diarreia crônica, secreção, febre ou fissuras em locais incomuns, pode ser necessário investigar outras doenças intestinais ou anorretais.

Como tratar Fissura Anal?

O tratamento depende do tempo de evolução, da intensidade dos sintomas e da presença de fissura aguda ou crônica. Na maioria dos casos agudos, o tratamento inicial é clínico, com foco em amolecer as fezes, reduzir dor e permitir cicatrização.

As medidas mais usadas incluem:

  • Aumentar o consumo de fibras;

  • Beber água ao longo do dia;

  • Evitar esforço para evacuar;

  • Não segurar a vontade de ir ao banheiro;

  • Banho de assento morno;

  • Uso de medicamentos tópicos prescritos;

  • Tratamento da constipação ou da diarreia;

  • Analgésicos quando indicados.

A ASCRS informa que a maioria das Fissuras Anais não precisa de cirurgia e que o tratamento mais comum da fissura aguda envolve dieta rica em fibras, suplementação de fibras, hidratação e medidas para manter as fezes macias.

Banho de assento ajuda?

Pode ajudar, principalmente no alívio da dor e do espasmo local. O banho de assento com água morna pode relaxar a musculatura do esfíncter anal e reduzir o desconforto após evacuar.

A Mayo Clinic informa que Fissuras Anais frequentemente cicatrizam em algumas semanas com tratamento domiciliar adequado, incluindo aumento de fibras e líquidos, além de banho morno por 10 a 20 minutos, especialmente após evacuações.

É importante lembrar que o banho de assento não substitui avaliação médica quando há dor persistente, sangramento recorrente ou sintomas intensos.

Quando pode precisar de pomadas ou medicamentos específicos?

Quando a fissura não melhora com medidas iniciais, o médico pode indicar pomadas específicas para relaxar o esfíncter anal, melhorar o fluxo de sangue local e facilitar a cicatrização. Em alguns casos, podem ser usados medicamentos tópicos, toxina botulínica ou outras abordagens.

A diretriz da ASCRS reforça que o tratamento não operatório da fissura aguda é seguro e geralmente deve ser a primeira linha. Para fissuras crônicas ou persistentes, outras terapias podem ser consideradas de forma individualizada.

Não é recomendado usar pomadas com corticoide, anestésico ou antibiótico por conta própria por tempo prolongado. Alguns produtos podem irritar a pele, mascarar sintomas ou atrasar o diagnóstico correto.

Cirurgia é sempre necessária?

Não. A maioria dos casos melhora sem cirurgia. A cirurgia costuma ser considerada apenas quando a Fissura Anal é crônica, muito dolorosa, não melhora com tratamento clínico adequado ou causa grande impacto na qualidade de vida.

A cirurgia mais conhecida é a esfincterotomia lateral interna, feita para reduzir o espasmo do esfíncter e permitir cicatrização. Porém, como todo procedimento, ela tem indicações específicas e deve ser discutida com coloproctologista.

Como prevenir novas fissuras?

A prevenção está muito ligada ao bom funcionamento intestinal. O objetivo é evitar fezes endurecidas, esforço excessivo e irritação local.

Algumas medidas ajudam:

  • Consumir fibras diariamente;

  • Beber água suficiente;

  • Evitar segurar a vontade de evacuar;

  • Criar rotina intestinal;

  • Não fazer força excessiva;

  • Evitar permanecer muito tempo sentado no vaso;

  • Tratar constipação ou diarreia persistente;

  • Evitar uso abusivo de laxantes sem orientação;

  • Procurar avaliação se o sangramento se repetir.

A prevenção também exige atenção ao ciclo de dor. Quando a pessoa evita evacuar por medo, as fezes podem ficar mais ressecadas, aumentando o risco de nova lesão.

Quando procurar atendimento médico?

A avaliação médica é importante quando há dor intensa, sangramento repetido ou falta de melhora. Também é essencial procurar atendimento se os sintomas fogem do padrão esperado.

Procure um médico se houver:

  • Sangramento anal recorrente;

  • Dor intensa ao evacuar;

  • Dor que persiste por horas;

  • Sintomas por mais de alguns dias sem melhora;

  • Secreção ou pus;

  • Febre;

  • Perda de peso sem explicação;

  • Diarreia crônica;

  • Alteração importante do hábito intestinal;

  • Histórico de Doença Inflamatória Intestinal;

  • Fissura que sempre volta.

Sangramento anal nunca deve ser automaticamente atribuído a Hemorroida ou Fissura Anal sem avaliação, especialmente se for persistente ou acompanhado de outros sintomas.

Conclusão

A Fissura Anal é uma pequena ferida no canal anal que pode causar dor intensa durante a evacuação e sangramento vermelho vivo. Embora geralmente seja benigna, pode gerar grande desconforto e se tornar crônica quando não tratada corretamente.

A principal estratégia de tratamento é quebrar o ciclo de fezes endurecidas, dor, espasmo e nova lesão. Para isso, fibras, hidratação, evacuação sem esforço e cuidados locais são fundamentais. Em casos persistentes, medicamentos específicos ou procedimentos podem ser necessários.

Dor e sangramento ao evacuar merecem atenção. Quanto mais cedo a causa é identificada, maior a chance de tratamento simples e melhora completa.

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