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Formação de hematomas e hemorragia: quando o corpo não controla o sangramento como deveria

  • 28 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

A formação de hematomas e as hemorragias são reações naturais do organismo frente a pequenas lesões nos vasos sanguíneos. Contudo, quando acontecem com frequência, intensidade exagerada ou sem motivo aparente, podem indicar distúrbios importantes no processo de coagulação sanguínea.

Neste artigo, você vai entender o que causa esses episódios, como o corpo controla o sangramento e quando é hora de procurar ajuda médica.

Como o corpo reage a um sangramento

Toda vez que um vaso sanguíneo se rompe, mesmo que de forma microscópica, o corpo entra em ação com uma série de mecanismos para conter o sangramento. Esse processo ocorre em etapas coordenadas:

  • Vasoconstrição: o vaso se contrai para reduzir o fluxo de sangue;

  • Formação do tampão plaquetário: as plaquetas se acumulam no local da lesão e formam um “tampão” inicial;

  • Coagulação propriamente dita: proteínas chamadas fatores de coagulação entram em ação, transformando o fibrinogênio em fibrina, que solidifica o coágulo;

  • Reparação do vaso: o tecido se regenera, e o coágulo é reabsorvido.

Esse sistema equilibrado é fundamental: quando falha, podem ocorrer sangramentos prolongados ou, no extremo oposto, tromboses (formação de coágulos indevidos).

O que causa hematomas e hemorragias

Um hematoma ocorre quando o sangue extravasa para fora dos vasos, formando manchas arroxeadas ou inchaços sob a pele. Já a hemorragia é a perda de sangue em maior quantidade, que pode ser interna ou externa.

As causas variam conforme o tipo e a intensidade do sangramento, mas os fatores mais comuns incluem:

  • Traumas físicos: pancadas, quedas ou cirurgias;

  • Fragilidade capilar: comum em idosos, pessoas com deficiências nutricionais ou uso prolongado de corticoides;

  • Distúrbios de coagulação: como hemofilia, púrpura trombocitopênica ou deficiência de fatores de coagulação;

  • Plaquetopenia: baixa contagem de plaquetas no sangue;

  • Uso de medicamentos anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários;

  • Doenças hepáticas: o fígado é responsável por produzir vários fatores de coagulação;

  • Deficiências de vitamina K: essencial para a ativação de proteínas que participam da coagulação.

Em alguns casos, a tendência a formar hematomas pode estar ligada à genética — pessoas com distúrbios hereditários da coagulação têm predisposição a sangramentos espontâneos.

Tipos de hemorragia

A hemorragia pode ser classificada de acordo com o local onde ocorre:

  • Hemorragia externa: visível na pele ou mucosas, como cortes e feridas;

  • Hemorragia interna: ocorre dentro do corpo, em órgãos ou cavidades, e pode ser silenciosa por um tempo;

  • Hemorragia intracraniana: grave, quando o sangue se acumula dentro do crânio;

  • Hemorragia digestiva: manifesta-se por vômitos com sangue ou fezes escurecidas;

  • Hemorragia uterina: quando há sangramento fora do período menstrual ou de intensidade anormal.

Sangramentos internos exigem diagnóstico rápido, pois podem colocar a vida em risco.

Quando a tendência a hematomas é sinal de alerta

Nem todo hematoma é motivo de preocupação. Contudo, é importante procurar avaliação médica quando:

  • os hematomas surgem com muita facilidade, sem traumas aparentes;

  • aparecem em locais incomuns, como tronco, abdômen ou face;

  • estão associados a sangramentos nas gengivas, nariz ou urina;

  • há histórico familiar de distúrbios hemorrágicos;

  • o paciente faz uso de anticoagulantes e nota manchas arroxeadas frequentes.

Esses sinais podem indicar alterações na coagulação que precisam ser investigadas com exames laboratoriais.

Diagnóstico e exames

O médico pode solicitar uma série de testes para entender o que está acontecendo com o sistema de coagulação:

  • Hemograma completo: avalia a quantidade e qualidade das plaquetas;

  • Tempo de protrombina (TP) e tempo de tromboplastina parcial (TTPa): medem o tempo de coagulação do sangue;

  • Dosagem de fibrinogênio e fatores de coagulação;

  • Função hepática e renal: já que o fígado e os rins influenciam na produção e eliminação de substâncias coagulantes;

  • Avaliação genética em casos de suspeita de doenças hereditárias, como hemofilia.


Com base nos resultados, o tratamento é direcionado à causa do problema.

Tratamento e prevenção

O tratamento depende do tipo e da causa da hemorragia. Em casos leves, o repouso e compressas frias sobre o hematoma ajudam na absorção do sangue extravasado. Já em situações mais graves, pode ser necessário o uso de medicamentos ou transfusões.

Entre as medidas preventivas estão:

  • Evitar o uso indiscriminado de aspirina, AAS e anticoagulantes sem orientação médica;

  • Garantir boa nutrição, com ingestão adequada de vitamina K, presente em vegetais verdes escuros;

  • Cuidar do fígado, evitando álcool em excesso e tratando hepatites;

  • Praticar atividades físicas com segurança, para reduzir o risco de quedas e traumas.

Conclusão

A formação de hematomas e hemorragias é uma resposta natural do corpo a pequenas lesões, mas quando ocorrem com frequência, podem sinalizar desequilíbrios importantes no sistema de coagulação. Observar os sinais e buscar orientação médica é fundamental para evitar complicações e manter a saúde circulatória em dia.

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