Hemangiomas: quando as manchas avermelhadas da pele merecem atenção
- medicinaatualrevis
- 26 de nov. de 2025
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Os hemangiomas são tumores benignos formados por vasos sanguíneos, bastante comuns na infância. Geralmente aparecem como manchas ou nódulos avermelhados na pele, podendo surgir logo após o nascimento ou nos primeiros meses de vida. Apesar do aspecto que chama atenção, a maioria dos hemangiomas é inofensiva e desaparece espontaneamente ao longo dos anos.
Porém, alguns podem crescer rapidamente, causar desconforto, afetar a visão, respiração ou alimentação, dependendo da localização. Por isso, é fundamental entender quando o hemangioma é apenas estético e quando necessita de acompanhamento especializado.
O que são hemangiomas
Os hemangiomas são proliferações benignas de vasos sanguíneos que crescem de forma desorganizada. Eles podem ser superficiais, profundos ou mistos, dependendo das camadas da pele que atingem.
A aparência varia de acordo com o tipo:
superficiais: lesões vermelhas e brilhantes, semelhantes a morangos;
profundos: nódulos azulados sob a pele;
mistos: combinação dos dois padrões.
Essas lesões são mais comuns em bebês e têm evolução típica: crescimento acelerado seguido de regressão espontânea.
Por que os hemangiomas aparecem
A origem exata dos hemangiomas ainda não é completamente conhecida, mas acredita-se que ocorram devido a alterações no desenvolvimento dos vasos sanguíneos durante a gestação. Fatores genéticos e ambientais também podem ter papel importante.
Os fatores associados incluem:
sexo feminino (maior incidência);
prematuridade;
baixo peso ao nascer;
história familiar;
gravidez múltipla.
A maioria surge nos primeiros meses e depois segue seu ciclo natural.
Como os hemangiomas evoluem ao longo do tempo
Os hemangiomas apresentam um padrão previsível de evolução dividido em fases. Entender esse ciclo ajuda a tranquilizar famílias e orientar quando intervir.
Fase proliferativa
Ocorre nos primeiros meses de vida, quando o hemangioma cresce rapidamente. Esse crescimento é mais acentuado nos primeiros 6 meses.
Fase de estabilização
O crescimento desacelera e a lesão se mantém estável.
Fase de involução
Começa a regressão espontânea. A lesão fica mais pálida e diminui de tamanho. Esse processo pode durar anos.
Cerca de 80% dos hemangiomas desaparecem ou reduzem significativamente até os 5 anos.
Sintomas e sinais que merecem atenção
A maioria dos hemangiomas é assintomática e não causa dor. Entretanto, alguns podem ulcerar, sangrar ou interferir em estruturas próximas, dependendo da localização.
Entre os sinais de alerta estão:
dor ou sangramento;
ulceração da pele;
hemangioma muito próximo aos olhos;
dificuldade respiratória quando localizado na região cervical;
interferência na alimentação se próximo à boca;
crescimento muito acelerado;
lesões múltiplas.
Hemangiomas com essas características devem ser avaliados precocemente.
Locais mais comuns de hemangiomas
Eles podem aparecer em qualquer parte do corpo, mas algumas áreas são mais frequentemente afetadas.
Os locais mais comuns incluem:
face;
couro cabeludo;
tronco;
braços e pernas;
região cervical;
mucosas.
A localização pode influenciar o tratamento, especialmente quando envolve regiões sensíveis.
Complicações possíveis
A maior parte dos hemangiomas não causa problemas. Porém, quando complicações surgem, podem exigir tratamento médico imediato.
As complicações mais frequentes incluem:
ulceração dolorosa;
infecção secundária;
sangramento persistente;
deformidades residuais;
obstrução da visão;
dificuldade respiratória;
impacto funcional quando em áreas críticas.
Quanto mais precoce a avaliação nesses casos, melhor o prognóstico.
Como o diagnóstico é feito
O diagnóstico do hemangioma é clínico e baseado na aparência característica da lesão. Em muitos casos, nenhum exame adicional é necessário.
Quando existem dúvidas ou suspeita de hemangiomas profundos, exames complementares podem ser solicitados:
ultrassom com doppler;
ressonância magnética;
tomografia (em casos selecionados).
Esses exames avaliam a profundidade e possíveis impactos em estruturas internas.
Tratamentos disponíveis
Nem todos os hemangiomas precisam ser tratados. A decisão depende de fatores como tamanho, crescimento, localização e risco de complicações.
Os principais tratamentos incluem:
Propranolol
É o tratamento de escolha para hemangiomas que necessitam de intervenção. O medicamento reduz a proliferação dos vasos e acelera a regressão da lesão.
Corticosteroides
Podem ser utilizados quando o propranolol é contraindicado.
Laser
Indicado em casos de ulceração, sangramento ou para melhorar a aparência após regressão.
Cirurgia
É reservada para casos raros que não respondem aos outros tratamentos ou quando a lesão causa deformidade significativa.
Hemangiomas que não precisam de tratamento
A grande maioria segue evolução natural e desaparece com o tempo. Nesses casos, o acompanhamento clínico é suficiente.
São candidatos ao acompanhamento simples:
hemangiomas pequenos;
lesões em áreas não visíveis;
lesões sem risco funcional;
ausência de ulceração.
O monitoramento regular tranquiliza famílias e evita intervenções desnecessárias.
Como lidar com hemangiomas no dia a dia
Mesmo quando não exigem tratamento, os hemangiomas podem gerar ansiedade nos cuidadores. Medidas simples ajudam a evitar complicações.
Recomendações práticas incluem:
manter a pele limpa e hidratada;
evitar fricção sobre a lesão;
não tentar manipular ou espremer;
proteger a área de traumas;
observar mudanças súbitas de cor ou tamanho;
acompanhar com pediatra ou dermatologista.
Com esses cuidados, a maioria das lesões evolui de forma tranquila.
Conclusão
Os hemangiomas são tumores benignos comuns na infância que, na maioria dos casos, seguem um ciclo natural de crescimento e regressão. Embora geralmente inofensivos, podem exigir tratamento quando causam dor, interferem em funções essenciais ou crescem de maneira acelerada.
Com diagnóstico precoce, acompanhamento adequado e intervenções bem indicadas, o prognóstico é excelente. A informação correta ajuda famílias a lidar com a condição com mais segurança e tranquilidade



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