Hepatite autoimune: quando o sistema imunológico passa a atacar o fígado
- medicinaatualrevis
- 15 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

A Hepatite Autoimune é uma doença inflamatória crônica em que o próprio sistema imunológico passa a reconhecer as células do fígado como estranhas, desencadeando um ataque contínuo contra o órgão. Esse processo inflamatório progressivo pode levar a fibrose, cirrose e insuficiência hepática se não for diagnosticado e tratado adequadamente.
Embora seja considerada uma doença rara, a Hepatite Autoimune é subdiagnosticada, pois seus sintomas iniciais costumam ser inespecíficos e facilmente confundidos com outras condições mais comuns.
O papel do fígado e o impacto da inflamação autoimune
O fígado é responsável por funções vitais como metabolismo de nutrientes, produção de proteínas essenciais, desintoxicação do sangue e regulação imunológica. Na Hepatite Autoimune, a inflamação contínua compromete essas funções, provocando dano progressivo ao tecido hepático.
Esse ataque imunológico leva a:
destruição das células hepáticas;
ativação de processos inflamatórios crônicos;
formação de fibrose;
perda gradual da função do fígado.
Sem tratamento, a doença tende a evoluir de forma silenciosa.
Por que a Hepatite Autoimune acontece
A causa exata da Hepatite Autoimune ainda não é totalmente compreendida. Acredita-se que haja uma combinação de fatores genéticos e ambientais que desregulam o sistema imunológico.
Entre os fatores associados estão:
predisposição genética;
alterações na tolerância imunológica;
gatilhos ambientais como infecções virais;
maior incidência em mulheres.
O sistema imune perde a capacidade de diferenciar células próprias de invasores externos, passando a atacar o fígado.
Quem tem maior risco de desenvolver a doença
A Hepatite Autoimune pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais frequente em mulheres, especialmente jovens e de meia-idade. Também é mais comum em pessoas que já apresentam outras doenças autoimunes.
Condições frequentemente associadas incluem:
tireoidites autoimunes;
artrite reumatoide;
doença celíaca;
lúpus;
diabetes tipo 1.
Essa associação reforça o componente imunológico do distúrbio.
Sintomas iniciais costumam ser discretos
Um dos grandes desafios da Hepatite Autoimune é que os sintomas iniciais podem ser leves ou ausentes.Muitos pacientes descobrem a doença apenas após alterações em exames de rotina.
Quando presentes, os sintomas podem incluir:
fadiga persistente;
mal-estar geral;
dores articulares;
perda de apetite;
náuseas;
desconforto abdominal.
À medida que a inflamação avança, sinais mais evidentes surgem.
Sinais de progressão da doença
Em fases mais avançadas, a Hepatite Autoimune pode causar:
icterícia (pele e olhos amarelados);
urina escura;
fezes claras;
coceira no corpo;
aumento do fígado;
inchaço abdominal.
Esses sinais indicam comprometimento significativo da função hepática.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico exige avaliação cuidadosa, pois é necessário diferenciar a Hepatite Autoimune de outras hepatites crônicas.
A investigação geralmente inclui:
exames de sangue com elevação de enzimas hepáticas;
presença de autoanticorpos específicos;
níveis elevados de imunoglobulina G;
exclusão de hepatites virais;
biópsia hepática em casos selecionados.
A combinação desses achados confirma o diagnóstico e orienta o tratamento.
Tratamento: controle imunológico é o objetivo
O tratamento da Hepatite Autoimune baseia-se em suprimir a resposta imunológica inadequada, reduzindo a inflamação do fígado.
As estratégias incluem:
uso de corticoides para controlar inflamação;
imunossupressores de manutenção;
acompanhamento regular com exames laboratoriais;
ajuste de doses conforme resposta clínica.
Na maioria dos casos, o tratamento é prolongado e pode ser contínuo.
Prognóstico quando há acompanhamento adequado
Com diagnóstico precoce e adesão ao tratamento, muitos pacientes conseguem:
controlar a inflamação;
estabilizar a função hepática;
evitar progressão para cirrose;
manter boa qualidade de vida.
Sem tratamento, o risco de insuficiência hepática e necessidade de transplante aumenta significativamente.
Importância do acompanhamento contínuo
Mesmo quando os sintomas melhoram, o acompanhamento não deve ser interrompido.A Hepatite Autoimune pode apresentar recaídas, especialmente após suspensão inadequada da medicação.
Monitorar exames hepáticos regularmente é essencial para manter o controle da doença.
Conclusão
A Hepatite Autoimune é uma doença crônica em que o sistema imunológico ataca o fígado, causando inflamação progressiva e potencialmente grave. Por apresentar sintomas iniciais discretos, o diagnóstico costuma ser tardio.
No entanto, quando identificada precocemente e tratada corretamente, é possível controlar a inflamação, preservar a função hepática e garantir qualidade de vida ao paciente. Reconhecer sinais precoces e manter acompanhamento contínuo são pilares fundamentais no cuidado dessa condição.



Comentários