Hipertensão arterial pulmonar: quando a respiração encontra um obstáculo silencioso
- medicinaatualrevis
- 3 de nov. de 2025
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A hipertensão arterial pulmonar (HAP) é uma condição rara, porém séria, que afeta os vasos sanguíneos responsáveis por levar o sangue do coração para os pulmões. Quando essas artérias pulmonares ficam estreitas, endurecidas ou inflamadas, o coração precisa trabalhar mais para bombear sangue, resultando em pressão elevada nesse sistema, o que pode levar a sintomas respiratórios importantes e, sem tratamento, a complicações graves.
Apesar de menos conhecida do que a hipertensão arterial comum, a HAP exige diagnóstico precoce e acompanhamento especializado, pois pode impactar a qualidade de vida e o funcionamento do coração e dos pulmões.
O que é hipertensão arterial pulmonar?
A HAP ocorre quando há aumento persistente da pressão nas artérias pulmonares. Em vez de o sangue circular facilmente pelos vasos do pulmão, ele encontra resistência — como se as “estradas” estivessem estreitas demais.
Essa condição pode ser:
Idiopática: quando a causa é desconhecida;
Hereditaria: ligada a alterações genéticas;
Associada a outras doenças, como doenças autoimunes, cardiopatias congênitas, HIV, cirrose hepática e tromboembolismo crônico.
A doença pode evoluir de forma silenciosa, o que faz com que muitas pessoas demorem a identificar os primeiros sinais.
Como a HAP provoca sintomas
A circulação pulmonar funciona como um “filtro” e também como um sistema de oxigenação para o sangue. Quando os vasos pulmonares sofrem alterações, o sangue encontra dificuldade de passar e o coração direito precisa se esforçar mais.
Com o tempo, esse esforço exagerado pode levar à insuficiência cardíaca direita, também chamada de cor pulmonale.
Principais sintomas da hipertensão arterial pulmonar
Os sintomas podem surgir de forma discreta, confundindo-se com o cansaço do dia a dia. Os mais comuns incluem:
Falta de ar aos esforços;
Cansaço excessivo;
Sensação de aperto no peito;
Tonturas ou desmaios (especialmente ao subir escadas ou caminhar rápido);
Inchaço nos tornozelos ou pernas;
Batimentos cardíacos acelerados;
Cianose (lábios ou pontas dos dedos arroxeadas, em casos mais avançados).
Esses sintomas tendem a piorar com o tempo se não houver tratamento adequado.
Fatores de risco
Algumas condições aumentam o risco de desenvolver HAP:
Doenças autoimunes, como esclerodermia e lúpus;
Cardiopatias congênitas;
Cirrose hepática;
HIV;
Histórico familiar;
Uso de certos medicamentos e drogas recreativas;
Tromboembolismo pulmonar prévio.
Na maioria dos casos, porém, a doença é idiopática — surge sem uma causa claramente definida.
Diagnóstico: como identificar a HAP
Como os sintomas são inespecíficos, o diagnóstico deve ser feito por um especialista, geralmente um cardiologista ou pneumologista.
Os exames mais utilizados incluem:
Ecocardiograma: avaliação inicial da pressão nas artérias pulmonares;
Cateterismo cardíaco direito: exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico;
Provas de função pulmonar, para avaliar o sistema respiratório;
Teste de caminhada de 6 minutos, para medir capacidade funcional;
Exames de sangue e imagem para investigar causas associadas.
O diagnóstico precoce melhora o prognóstico e amplia as opções terapêuticas.
Tratamento da hipertensão arterial pulmonar
A HAP não tem cura definitiva, mas os tratamentos atuais ajudam a controlar os sintomas, reduzir a progressão e melhorar a qualidade de vida.
As abordagens incluem:
Vasodilatadores pulmonares (como antagonistas de endotelina e inibidores de fosfodiesterase-5);
Terapia com prostaciclina em casos mais graves;
Anticoagulação, quando indicada;
Oxigenoterapia em pacientes com queda da saturação;
Diuréticos, para reduzir inchaço;
Transplante pulmonar, em condições avançadas e refratárias.
Além disso, recomenda-se:
Evitar esforço físico extenuante sem orientação;
Vacinação contra gripe e pneumococo;
Evitar viagens para lugares de grande altitude sem orientação médica.
Prognóstico e qualidade de vida
O prognóstico depende da causa, gravidade e resposta ao tratamento. Com o avanço das terapias e acompanhamento adequado, muitas pessoas conseguem levar uma vida ativa e funcional, mesmo convivendo com a doença.
A chave está em reconhecer os sinais, buscar diagnóstico especializado e aderir ao tratamento.
Conclusão
A hipertensão arterial pulmonar é uma condição séria, mas que pode ser controlada com diagnóstico precoce, tratamento específico e cuidados contínuos. Se você percebe falta de ar persistente, cansaço fora do comum ou desmaios ao esforço, procure avaliação médica — o corpo costuma avisar antes que o problema avance.



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