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Hipoparatireoidismo: quando a queda do cálcio afeta músculos, nervos e coração

  • 11 de mai.
  • 5 min de leitura
Hipoparatireoidismo


O Hipoparatireoidismo é uma condição rara em que as glândulas paratireoides produzem pouca quantidade de paratormônio, também chamado de PTH. Esse hormônio é fundamental para controlar os níveis de cálcio e fósforo no sangue. Quando o PTH está baixo ou inadequado, o cálcio tende a cair e o fósforo pode aumentar, provocando sintomas principalmente nos músculos e nervos.

Apesar do nome parecido, o Hipoparatireoidismo não é a mesma coisa que Hipotireoidismo. A tireoide e as paratireoides ficam próximas no pescoço, mas têm funções diferentes. A tireoide produz hormônios relacionados ao metabolismo. Já as paratireoides regulam o equilíbrio do cálcio no organismo.

O que são as paratireoides?

As paratireoides são pequenas glândulas localizadas atrás da tireoide. Em geral, são quatro, mas esse número pode variar de pessoa para pessoa. Mesmo pequenas, elas têm um papel essencial: manter o cálcio do sangue em uma faixa adequada.

O cálcio não serve apenas para formar ossos e dentes. Ele também participa de funções importantes, como:

  • Contração muscular;

  • Funcionamento dos nervos;

  • Batimentos cardíacos;

  • Coagulação do sangue;

  • Atividade de várias enzimas;

  • Saúde óssea.

Quando o cálcio cai demais, o corpo pode apresentar sintomas como formigamento, câimbras, espasmos musculares e, em casos mais graves, convulsões ou alterações cardíacas.

O que causa Hipoparatireoidismo?

A causa mais comum do Hipoparatireoidismo é a lesão ou retirada das glândulas paratireoides durante cirurgias na região do pescoço, especialmente cirurgias de tireoide ou paratireoide. Isso pode acontecer mesmo em procedimentos tecnicamente bem realizados, porque as paratireoides são pequenas e muito próximas da tireoide.

Outras causas possíveis incluem:

  • Doenças autoimunes;

  • Alterações genéticas;

  • Deficiência ou alterações no metabolismo do magnésio;

  • Radioterapia na região cervical;

  • Doenças infiltrativas raras;

  • Síndromes congênitas;

  • Hipoparatireoidismo sem causa definida.

Em alguns casos, o Hipoparatireoidismo aparece logo após uma cirurgia. Em outros, pode ser identificado mais tarde, principalmente quando os sintomas são leves ou confundidos com ansiedade, câimbras comuns ou estresse.

Quais são os sintomas do Hipoparatireoidismo?

Os sintomas geralmente estão ligados à hipocalcemia, ou seja, à queda do cálcio no sangue. Eles podem variar de leves a graves, dependendo do nível de cálcio, da velocidade da queda e da sensibilidade de cada pessoa.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Formigamento nos lábios, dedos das mãos e pés;

  • Câimbras musculares;

  • Espasmos ou contrações involuntárias;

  • Sensação de choque ou “agulhadas”;

  • Fraqueza;

  • Fadiga;

  • Ansiedade ou irritabilidade;

  • Dor muscular;

  • Unhas frágeis;

  • Pele seca;

  • Queda ou alteração dos cabelos.

Em quadros mais intensos, podem ocorrer tetania, convulsões, alterações no ritmo cardíaco e espasmos musculares importantes. A Mayo Clinic orienta atenção especial a sintomas como formigamento em dedos, pés ou lábios e contrações musculares, principalmente após cirurgias de tireoide ou pescoço.

Hipoparatireoidismo pode afetar o cérebro e o coração?

Sim. Quando o cálcio fica muito baixo ou permanece descompensado por muito tempo, podem surgir complicações neurológicas, renais, oculares e cardíacas. Por isso, o Hipoparatireoidismo precisa de acompanhamento regular.

Possíveis complicações incluem:

  • Crises convulsivas;

  • Alterações do ritmo cardíaco;

  • Catarata;

  • Depósitos de cálcio em alguns tecidos;

  • Cálculos renais;

  • Comprometimento da função renal;

  • Alterações de memória, concentração ou humor;

  • Redução da qualidade de vida.

O objetivo do tratamento não é apenas “subir o cálcio”, mas manter o equilíbrio do cálcio, fósforo, vitamina D, magnésio e função renal com segurança. Recomendações recentes reforçam que o tratamento deve buscar controle dos sintomas, manutenção do cálcio em faixa adequada e prevenção de complicações a longo prazo.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito com exames de sangue e avaliação clínica. O médico costuma investigar Hipoparatireoidismo quando há sintomas de hipocalcemia ou histórico de cirurgia cervical.

Os principais exames incluem:

Exame

O que avalia

Cálcio total e/ou cálcio ionizado

Mostra se há queda do cálcio no sangue

PTH

Avalia a produção do paratormônio

Fósforo

Pode estar elevado no Hipoparatireoidismo

Magnésio

Alterações podem piorar a hipocalcemia

Vitamina D

Ajuda a interpretar e tratar o distúrbio

Creatinina e função renal

Importantes para segurança do tratamento

Cálcio urinário

Ajuda a monitorar risco renal

De forma geral, o Hipoparatireoidismo é sugerido quando há cálcio baixo associado a PTH baixo ou inadequadamente normal para aquele nível de cálcio. Em algumas situações, especialmente quando não há história de cirurgia, pode ser necessário investigar causas genéticas ou autoimunes.

Como é o tratamento do Hipoparatireoidismo?

O tratamento depende da gravidade, dos sintomas e dos resultados dos exames. Em muitos casos, envolve reposição de cálcio e vitamina D ativa, sempre com acompanhamento médico.

As opções podem incluir:

  • Carbonato ou citrato de cálcio;

  • Calcitriol ou outro análogo ativo da vitamina D;

  • Correção de deficiência de vitamina D;

  • Correção de magnésio, quando necessário;

  • Ajuste da dieta;

  • Monitoramento do cálcio na urina;

  • Acompanhamento da função renal;

  • Terapia com PTH ou análogos em casos selecionados.

A terapia convencional continua sendo a primeira linha em muitos pacientes, com suplementação de cálcio, vitamina D ativa e correção de deficiências associadas. Recomendações recentes também destacam que terapias com PTH ou análogos podem ser consideradas em situações específicas, principalmente quando o controle com tratamento convencional não é adequado.

O tratamento é para sempre?

Em alguns casos, sim. Quando o Hipoparatireoidismo é permanente, o tratamento costuma ser contínuo. Isso é comum quando há lesão definitiva das paratireoides após cirurgia ou quando existe uma causa genética ou autoimune.

Por outro lado, após algumas cirurgias de tireoide, pode ocorrer Hipoparatireoidismo temporário. Nesses casos, as paratireoides podem recuperar a função ao longo do tempo. Por isso, o acompanhamento médico é importante para ajustar doses e verificar se a reposição ainda é necessária.

Nunca se deve suspender cálcio, calcitriol ou outros medicamentos por conta própria, porque a queda do cálcio pode causar sintomas importantes e até situações de urgência.

Alimentação ajuda no Hipoparatireoidismo?

A alimentação pode ajudar, mas geralmente não substitui o tratamento medicamentoso quando há deficiência de PTH. Ainda assim, uma dieta adequada pode contribuir para o equilíbrio do cálcio e do fósforo.

Alimentos ricos em cálcio incluem:

  • Leite e derivados;

  • Iogurte;

  • Queijos;

  • Sardinha com espinha;

  • Vegetais verde-escuros;

  • Bebidas ou alimentos fortificados com cálcio.

Em algumas pessoas, pode ser necessário controlar o excesso de fósforo, especialmente quando os níveis estão elevados. Alimentos ultraprocessados, refrigerantes tipo cola e produtos com muitos aditivos fosfatados podem pesar nesse controle. A orientação nutricional deve ser individualizada.

Quando procurar atendimento médico?

A pessoa deve procurar avaliação médica se apresentar sintomas compatíveis com queda do cálcio, principalmente se tiver passado por cirurgia de tireoide, paratireoide ou pescoço.

Sinais que merecem atenção:

  • Formigamento persistente em boca, mãos ou pés;

  • Câimbras frequentes;

  • Espasmos musculares;

  • Fraqueza intensa;

  • Confusão mental;

  • Desmaio;

  • Convulsão;

  • Palpitações;

  • Dor ou aperto no peito.

Sintomas intensos, convulsões, alterações importantes dos batimentos cardíacos ou falta de ar exigem atendimento de urgência.

Conclusão

O Hipoparatireoidismo é uma condição em que há produção insuficiente de PTH, levando principalmente à queda do cálcio no sangue e ao aumento do fósforo. Embora seja raro, pode causar sintomas importantes, como formigamentos, câimbras, espasmos musculares, fadiga e alterações neurológicas.

A causa mais comum é relacionada a cirurgias na região do pescoço, especialmente tireoidectomias, mas também existem causas autoimunes, genéticas e metabólicas.

Com diagnóstico correto, tratamento individualizado e acompanhamento regular, a maioria das pessoas consegue controlar os sintomas e reduzir o risco de complicações. O mais importante é não tratar formigamentos, câimbras persistentes ou sintomas após cirurgia cervical como algo “normal” sem investigação.

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