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Imunoterapia: o que é, como funciona e quando é indicada

  • 6 de jul.
  • 6 min de leitura
Imunoterapia

Imunoterapia é um tipo de tratamento que estimula, desbloqueia ou modifica o sistema imunológico para ajudar o corpo a reconhecer e combater doenças, especialmente alguns tipos de câncer. Na oncologia, ela pode ser usada para fazer as células de defesa identificarem melhor as células tumorais. Existem diferentes formas de imunoterapia, como inibidores de checkpoint imunológico, terapias com células CAR-T, anticorpos monoclonais, vacinas terapêuticas e citocinas. Apesar de ser uma estratégia inovadora, não é indicada para todos os pacientes e pode causar efeitos colaterais importantes, inclusive inflamações em órgãos.

O que é imunoterapia?

Imunoterapia é um tratamento que utiliza o próprio sistema imunológico como parte da estratégia terapêutica. O sistema imune é responsável por defender o corpo contra infecções, células alteradas e substâncias estranhas.

No câncer, algumas células tumorais conseguem escapar das defesas naturais do organismo. Elas podem se “disfarçar”, bloquear a resposta imune ou criar um ambiente que dificulta a ação das células de defesa.

A imunoterapia tenta reverter esse processo. Em vez de atacar diretamente todas as células de crescimento rápido, como acontece com algumas quimioterapias, ela busca ajudar o sistema imune a reconhecer e agir contra o tumor.

Em resumo, a imunoterapia não é um único medicamento. É um grupo de tratamentos com mecanismos diferentes, usados em situações específicas.

Como a imunoterapia funciona no câncer?

O sistema imunológico tem mecanismos de ativação e freio. Esses freios são importantes para evitar ataques exagerados contra tecidos saudáveis. O problema é que alguns tumores usam esses freios para escapar da resposta imune.

Um dos tipos mais conhecidos de imunoterapia são os inibidores de checkpoint imunológico. Eles bloqueiam proteínas que funcionam como “freios” da resposta imunológica, permitindo que as células de defesa reconheçam melhor o câncer.

Outras formas de imunoterapia podem:

  • aumentar a atividade das células de defesa;

  • modificar células imunes em laboratório;

  • ajudar o corpo a reconhecer antígenos tumorais;

  • bloquear sinais que impedem a resposta imune;

  • direcionar células de defesa contra alvos do tumor;

  • combinar-se com quimioterapia, radioterapia ou terapias-alvo.

Um exemplo prático é a imunoterapia com inibidores de PD-1, PD-L1 ou CTLA-4. Esses medicamentos podem ser usados em alguns cânceres conforme o tipo de tumor, estágio, biomarcadores e condição clínica do paciente.

Quais são os principais tipos de imunoterapia?

Existem diferentes tipos de imunoterapia. Cada um age de forma diferente.

Tipo de imunoterapia

Como funciona

Exemplos de uso

Inibidores de checkpoint

Retiram freios da resposta imune

Melanoma, câncer de pulmão, rim, bexiga e outros

CAR-T cells

Modificam células T do paciente em laboratório

Alguns cânceres hematológicos

Anticorpos monoclonais

Reconhecem alvos específicos em células ou proteínas

Vários tipos de câncer e doenças imunológicas

Vacinas terapêuticas

Estimulam resposta imune contra alvos da doença

Situações específicas em oncologia

Citocinas

Ativam ou modulam células do sistema imune

Usos selecionados

Vírus oncolíticos

Infectam células tumorais e estimulam resposta imune

Casos específicos

Nem todo anticorpo monoclonal é imunoterapia no mesmo sentido dos inibidores de checkpoint. Alguns atuam mais como terapia-alvo. Por isso, a classificação depende do mecanismo do medicamento.

Imunoterapia é a mesma coisa que quimioterapia?

Não. Imunoterapia e quimioterapia são tratamentos diferentes.

A quimioterapia tradicional age principalmente em células que se multiplicam rapidamente. Isso pode atingir células cancerígenas, mas também células saudáveis da medula óssea, cabelo, intestino e mucosas.

A imunoterapia atua no sistema imunológico, tentando melhorar sua capacidade de combater o câncer. Ela pode ter efeitos colaterais diferentes, muitas vezes relacionados à ativação exagerada da imunidade.

Tratamento

Como age

Principal cuidado

Quimioterapia

Ataca células de crescimento rápido

Pode reduzir células do sangue e causar náuseas, queda de cabelo e infecções

Imunoterapia

Estimula ou desbloqueia a resposta imune

Pode causar inflamação em órgãos

Terapia-alvo

Atua em alterações específicas do tumor

Depende de biomarcadores e pode gerar resistência

Radioterapia

Usa radiação para destruir células tumorais

Efeitos variam conforme a área tratada

Em muitos casos, os tratamentos podem ser combinados. A escolha depende do tipo de câncer, estágio da doença, exames, biomarcadores e resposta individual.

Quando a imunoterapia pode ser indicada?

A imunoterapia pode ser indicada em alguns tipos de câncer, especialmente quando há evidência de benefício para aquele tumor.

Ela pode ser considerada em situações como:

  • doença avançada;

  • doença metastática;

  • tratamento após cirurgia em alguns casos;

  • tratamento antes da cirurgia em casos selecionados;

  • recidiva do câncer;

  • tumores com determinados biomarcadores;

  • combinação com quimioterapia ou terapia-alvo;

  • estudos clínicos.

Cânceres como melanoma, câncer de pulmão, rim, bexiga, cabeça e pescoço, alguns tumores gastrointestinais, linfomas e outros podem ter indicações específicas de imunoterapia.

No entanto, nem todo paciente com esses cânceres receberá imunoterapia. A decisão depende de fatores como subtipo, estágio, expressão de PD-L1, instabilidade de microssatélites, carga mutacional tumoral, tratamentos anteriores e estado geral.

O que são biomarcadores na imunoterapia?

Biomarcadores são características do tumor ou do organismo que ajudam a prever se um tratamento pode funcionar melhor.

Na imunoterapia, alguns biomarcadores podem ajudar a orientar a decisão, como:

  • PD-L1;

  • MSI-H;

  • deficiência de reparo de DNA;

  • alta carga mutacional tumoral;

  • determinados perfis moleculares;

  • características do microambiente tumoral.

Esses marcadores não são perfeitos. Uma pessoa com biomarcador positivo pode não responder, e uma pessoa sem determinado marcador pode responder em alguns contextos. Ainda assim, eles ajudam a personalizar a decisão.

O oncologista define quais testes são úteis de acordo com o tipo de câncer.

Quais são os efeitos colaterais da imunoterapia?

A imunoterapia pode causar efeitos colaterais porque aumenta ou modifica a resposta do sistema imune. Em alguns casos, o sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis, causando inflamações chamadas eventos adversos imunomediados.

Possíveis efeitos incluem:

  • cansaço;

  • coceira;

  • manchas ou erupções na pele;

  • diarreia;

  • náuseas;

  • dor abdominal;

  • tosse;

  • falta de ar;

  • alterações hormonais;

  • alterações da tireoide;

  • inflamação no fígado;

  • inflamação no intestino;

  • inflamação no pulmão;

  • alterações nos rins;

  • dor nas articulações;

  • febre;

  • reações durante a infusão.

Esses efeitos podem aparecer durante o tratamento ou até semanas e meses depois. Por isso, sintomas novos devem ser comunicados à equipe oncológica, mesmo que pareçam leves.

Quais sintomas merecem atenção durante a imunoterapia?

Alguns sintomas podem indicar toxicidade imunomediada e precisam ser avaliados rapidamente.

Sintoma possível

Sinal de alerta

Cansaço leve

Cansaço extremo ou piora rápida

Coceira discreta

Erupções extensas, bolhas ou descamação importante

Diarreia leve

Diarreia intensa, persistente ou com sangue

Tosse leve

Falta de ar ou dor no peito

Náusea ocasional

Vômitos persistentes ou desidratação

Dor abdominal leve

Dor forte ou icterícia

Alteração leve de exames

Pele ou olhos amarelados

Dor muscular discreta

Fraqueza importante ou dificuldade para andar

Sede ou apetite alterado

Confusão, tontura intensa ou desmaio

Procure atendimento rapidamente se houver falta de ar, dor no peito, febre persistente, diarreia intensa, sangue nas fezes, confusão mental, desmaio, pele amarelada, fraqueza importante ou piora rápida do estado geral.

Imunoterapia pode curar o câncer?

Em alguns casos, a imunoterapia pode gerar respostas profundas e duradouras. Em outros, pode controlar a doença por um período, reduzir o tumor ou não funcionar.

O resultado depende de muitos fatores:

  • tipo de câncer;

  • estágio;

  • biomarcadores;

  • extensão da doença;

  • tratamentos anteriores;

  • estado geral do paciente;

  • resposta individual do sistema imune;

  • presença de outras doenças.

Portanto, imunoterapia não deve ser vista como promessa de cura. Ela é uma ferramenta importante da oncologia moderna, mas precisa ser indicada com critério.

Quem não pode fazer imunoterapia?

Algumas pessoas podem ter maior risco de complicações ou precisar de avaliação especial antes de iniciar o tratamento.

Atenção especial pode ser necessária em casos de:

  • doenças autoimunes;

  • transplante de órgão;

  • uso de imunossupressores;

  • doença pulmonar importante;

  • doença hepática ativa;

  • infecções não controladas;

  • gravidez;

  • histórico de toxicidade grave com imunoterapia.

Isso não significa que todas essas pessoas sejam automaticamente proibidas de usar imunoterapia. Significa que a decisão exige análise individual, discussão de riscos e acompanhamento próximo.

Como é feito o tratamento?

A imunoterapia pode ser administrada de diferentes formas, dependendo do medicamento.

Muitas imunoterapias são aplicadas por via intravenosa, em ciclos, em hospital-dia ou clínica especializada. Algumas terapias celulares, como CAR-T, exigem coleta de células do paciente, modificação em laboratório e reinfusão posterior.

Durante o tratamento, a equipe acompanha sintomas, exames de sangue, função de órgãos e exames de imagem. A resposta ao tratamento pode demorar mais do que em outros tipos de terapia, e a interpretação dos exames deve ser feita pelo oncologista.

Nunca suspenda, atrase ou use medicamentos por conta própria durante a imunoterapia sem avisar a equipe. Alguns efeitos colaterais exigem pausa, corticoides ou outros tratamentos específicos.

Resumo rápido

  • Imunoterapia ajuda o sistema imunológico a reconhecer e combater o câncer.

  • Existem diferentes tipos, como inibidores de checkpoint, CAR-T, anticorpos e vacinas terapêuticas.

  • Não é igual à quimioterapia.

  • Nem todo câncer ou paciente tem indicação de imunoterapia.

  • Biomarcadores podem ajudar a orientar a escolha.

  • Os efeitos colaterais podem envolver pele, intestino, pulmões, fígado, rins e hormônios.

  • Sintomas novos durante ou após o tratamento devem ser comunicados ao oncologista.

Perguntas frequentes sobre imunoterapia

1. O que é imunoterapia?

Imunoterapia é um tratamento que usa ou modifica o sistema imunológico para combater doenças, especialmente alguns tipos de câncer.

2. Imunoterapia é quimioterapia?

Não. A quimioterapia age principalmente em células de crescimento rápido. A imunoterapia atua estimulando ou desbloqueando a resposta do sistema imune.

3. Todo câncer pode ser tratado com imunoterapia?

Não. A indicação depende do tipo de câncer, estágio, biomarcadores, tratamentos anteriores e estado geral do paciente.

4. Imunoterapia tem efeitos colaterais?

Sim. Pode causar cansaço, alterações de pele, diarreia, falta de ar, alterações hormonais e inflamações em órgãos, entre outros efeitos.

5. O que são inibidores de checkpoint?

São medicamentos que bloqueiam “freios” do sistema imune, ajudando as células de defesa a reconhecer e atacar células tumorais.

6. Imunoterapia cura o câncer?

Pode gerar respostas duradouras em alguns casos, mas não garante cura. O benefício varia conforme o tipo de câncer e a resposta individual.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

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