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Rastreamento do câncer colorretal: o que muda com a nova recomendação da American Cancer Society

  • há 22 horas
  • 7 min de leitura
rastreamento do câncer colorretal

O rastreamento do câncer colorretal ganhou novas possibilidades além da colonoscopia. Exames de fezes e, mais recentemente, exames de sangue passaram a fazer parte das alternativas para detectar sinais precoces da doença em pessoas sem sintomas e com risco médio. A mudança não substitui a colonoscopia, mas amplia o acesso ao rastreamento e pode ajudar mais pessoas a iniciarem a prevenção.



O que mudou no rastreamento do câncer colorretal?

Em 2026, a American Cancer Society atualizou suas recomendações para o rastreamento do câncer colorretal, mantendo a orientação de início aos 45 anos para pessoas com risco médio e reforçando que a escolha do exame deve considerar adesão, acesso e acompanhamento adequado. A atualização passou a incluir exames de fezes com marcadores moleculares e exames de sangue como alternativas dentro das estratégias de rastreamento.


No entanto, a entidade destaca que colonoscopia e exames de fezes continuam sendo opções preferenciais, enquanto os testes de sangue devem ser oferecidos principalmente a pessoas que recusam ou não conseguem completar os métodos preferenciais, por terem menor sensibilidade para lesões pré-cancerosas e câncer em estágio inicial. Além disso, todo resultado positivo em exame de fezes ou sangue precisa ser seguido de colonoscopia para completar a investigação.

Essas alternativas podem ser importantes para pessoas que têm medo da colonoscopia, dificuldade de acesso ao exame, receio do preparo intestinal ou barreiras financeiras e logísticas.

Em resumo, a mensagem principal é: rastrear continua sendo essencial. A diferença é que agora existem mais caminhos possíveis para começar.

Por que o rastreamento é tão importante?

O câncer colorretal pode se desenvolver lentamente, muitas vezes a partir de pólipos no intestino. Esses pólipos são crescimentos na parede do cólon ou do reto que, em alguns casos, podem se transformar em câncer ao longo dos anos.

O grande benefício do rastreamento é justamente encontrar alterações antes que elas causem sintomas. Quando a doença é detectada cedo, as chances de tratamento bem-sucedido são maiores.

Além disso, alguns exames, como a colonoscopia, podem prevenir o câncer ao permitir a retirada de pólipos antes que eles evoluam.

O problema é que muitas pessoas só procuram atendimento quando aparecem sinais como sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal, dor abdominal persistente ou perda de peso. Nessa fase, a doença pode estar mais avançada.

Por isso, o rastreamento não deve depender da presença de sintomas.

Quais exames podem ser usados?

As opções de rastreamento podem ser divididas em três grupos principais: exames de fezes, exames de sangue e exames que visualizam diretamente o intestino.

Entre os exames de fezes, estão testes que procuram sangue oculto, ou seja, sangue que não é visível a olho nu. Também existem exames que analisam marcadores moleculares, como alterações em DNA ou RNA, que podem estar associados a pólipos avançados ou câncer.

Entre os exames visuais, a colonoscopia é a mais conhecida. Ela permite avaliar todo o cólon e o reto, além de remover pólipos durante o exame.

O exame de sangue é uma opção mais recente. Ele busca sinais de DNA tumoral circulante no sangue. A vantagem é ser mais simples e menos invasivo, mas sua capacidade de detectar lesões pré-cancerosas e câncer muito inicial ainda é menor do que a de outras estratégias.

Exame de fezes substitui colonoscopia?

Depende do contexto. Para pessoas com risco médio e sem sintomas, exames de fezes podem ser usados como opção de rastreamento. Eles são menos invasivos, podem ser feitos em casa e não exigem o mesmo preparo da colonoscopia.

No entanto, se o exame de fezes vier positivo ou alterado, a colonoscopia será necessária para investigar a causa.

Isso acontece porque o exame de fezes não mostra onde está a alteração. Ele apenas indica que pode haver sangue oculto ou marcadores suspeitos. A colonoscopia permite confirmar se há pólipos, inflamação, sangramento, câncer ou outra condição.

Portanto, o exame de fezes pode ser uma porta de entrada para o rastreamento, mas não elimina a necessidade da colonoscopia quando o resultado é positivo.

E o exame de sangue?

O exame de sangue para rastreamento do câncer colorretal surge como uma alternativa para pessoas que recusam ou não conseguem fazer os métodos preferenciais, como colonoscopia ou exames de fezes.

A vantagem é a praticidade. Para algumas pessoas, fazer uma coleta de sangue pode ser mais aceitável do que realizar preparo intestinal ou coletar amostras de fezes.

Porém, é importante entender a limitação: o exame de sangue não é considerado a melhor opção para todos. Ele pode detectar alguns cânceres, mas tem menor sensibilidade para lesões pré-cancerosas e tumores em estágio inicial.

Por isso, ele deve ser visto como mais uma opção para ampliar o acesso, e não como substituto universal da colonoscopia ou dos testes de fezes.

Colonoscopia continua sendo importante?

Sim. A colonoscopia continua tendo papel central no rastreamento do câncer colorretal.

Ela é especialmente importante porque permite:

  • visualizar diretamente o cólon e o reto;

  • identificar pólipos;

  • remover pólipos durante o exame;

  • investigar sangramentos;

  • confirmar resultados positivos de exames de fezes ou sangue;

  • avaliar pessoas com sintomas;

  • acompanhar pessoas com maior risco.

Para quem tem histórico familiar de câncer colorretal, síndromes hereditárias, pólipos prévios, doença inflamatória intestinal ou sintomas suspeitos, a colonoscopia costuma ser a estratégia mais indicada.

Também é importante lembrar: quando um exame de fezes ou sangue vem positivo, o rastreamento ainda não terminou. A colonoscopia é necessária para completar a investigação.

Quem deve fazer rastreamento?

De forma geral, pessoas com risco médio devem conversar com o médico sobre iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos, conforme diretrizes internacionais. A decisão pode variar conforme histórico familiar, sintomas, doenças prévias e protocolos adotados em cada país ou serviço de saúde.

Pessoas com risco aumentado podem precisar começar antes.

Entram nesse grupo pessoas com:

  • histórico familiar de câncer colorretal;

  • histórico pessoal de pólipos;

  • doença inflamatória intestinal;

  • síndromes genéticas associadas ao câncer colorretal;

  • sangramento intestinal;

  • alteração persistente do hábito intestinal;

  • anemia sem causa definida;

  • perda de peso inexplicada.

Quem tem sintomas não deve esperar apenas por exame de rastreamento. Sintoma precisa de avaliação diagnóstica.

Quais sintomas merecem atenção?

O câncer colorretal pode não causar sintomas no início. Quando aparecem, os sinais podem ser confundidos com Hemorroidas, constipação, alterações alimentares ou problemas intestinais comuns.

Sintomas que merecem atenção incluem:

  • sangue nas fezes;

  • fezes muito escuras ou com aspecto diferente;

  • alteração do hábito intestinal;

  • diarreia persistente;

  • constipação persistente;

  • sensação de evacuação incompleta;

  • dor abdominal recorrente;

  • perda de peso sem explicação;

  • anemia;

  • cansaço excessivo;

  • muco nas fezes;

  • afinamento das fezes.

Situação

Pode observar com cuidado

Procurar atendimento médico

Alteração intestinal passageira

Quando melhora rapidamente

Se persistir por semanas

Sangue nas fezes

Não deve ser considerado normal

Deve ser avaliado

Constipação ocasional

Pode ocorrer por dieta ou rotina

Se for nova ou persistente

Dor abdominal leve

Pode ter várias causas

Se for recorrente ou progressiva

Perda de peso

Não deve ser ignorada

Precisa de investigação

Anemia sem causa clara

Sinal de alerta

Deve ser investigada

O melhor exame é aquele que a pessoa consegue fazer?

Essa frase tem sido cada vez mais usada em saúde pública. Isso porque um exame excelente, mas que a pessoa nunca realiza, não ajuda na prevenção.

A colonoscopia é muito importante, mas parte da população evita ou adia o exame. Exames de fezes e sangue podem reduzir barreiras e aumentar a adesão ao rastreamento.

Ainda assim, a escolha do exame deve ser feita com orientação médica. O profissional avalia idade, risco individual, histórico familiar, sintomas, acesso aos exames e necessidade de acompanhamento.

O ideal não é escolher o exame “mais fácil” sem critério, mas encontrar uma estratégia segura, eficaz e possível de ser realizada.

Como reduzir o risco de câncer colorretal?

Além do rastreamento, alguns hábitos podem ajudar a reduzir o risco de câncer colorretal.

Medidas importantes incluem:

  • manter alimentação rica em fibras;

  • consumir frutas, verduras, legumes e grãos integrais;

  • reduzir carnes processadas;

  • evitar excesso de álcool;

  • não fumar;

  • praticar atividade física regularmente;

  • controlar o peso;

  • tratar doenças intestinais quando presentes;

  • investigar sintomas persistentes;

  • manter consultas preventivas.

Esses cuidados não substituem o rastreamento, mas ajudam na prevenção geral e na saúde intestinal.

O que essa mudança representa?

A inclusão de exames de fezes mais modernos e exames de sangue nas diretrizes mostra uma tentativa de tornar o rastreamento mais acessível.

Na prática, isso pode significar que mais pessoas terão a chance de fazer algum tipo de triagem, mesmo que não consigam realizar colonoscopia de imediato.

Mas a mensagem precisa ser equilibrada: novas opções não tornam a colonoscopia dispensável. Elas ampliam as possibilidades, especialmente para pessoas com risco médio e sem sintomas.

Quando há sintomas, risco aumentado ou resultado positivo em teste não invasivo, a colonoscopia continua sendo fundamental.

Resumo rápido

  • O rastreamento do câncer colorretal agora conta com mais opções além da colonoscopia.

  • Exames de fezes podem detectar sangue oculto e marcadores associados a pólipos ou câncer.

  • Exames de sangue são uma alternativa mais recente, mas não são a opção preferencial para todos.

  • Resultado positivo em exame de fezes ou sangue precisa ser seguido de colonoscopia.

  • Pessoas com sintomas ou risco aumentado geralmente precisam de avaliação mais direta.

  • O objetivo é aumentar o acesso ao rastreamento e detectar alterações antes que o câncer avance.

Perguntas frequentes sobre rastreamento do câncer colorretal

Exame de fezes detecta câncer colorretal?

Pode ajudar a detectar sinais indiretos, como sangue oculto ou marcadores moleculares associados a câncer e pólipos. Se o resultado for positivo, a colonoscopia é necessária para confirmar a causa.

Exame de sangue substitui colonoscopia?

Não de forma geral. O exame de sangue pode ser uma alternativa para pessoas que recusam ou não conseguem fazer outros métodos, mas tem limitações e não substitui a colonoscopia quando há resultado positivo ou sintomas.

Colonoscopia ainda é necessária?

Sim. A colonoscopia continua sendo fundamental para investigar sintomas, confirmar testes positivos, remover pólipos e acompanhar pessoas com maior risco.

Quem deve começar o rastreamento?

Pessoas com risco médio devem conversar com o médico sobre iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos. Quem tem histórico familiar, sintomas ou doenças intestinais pode precisar começar antes.

Sangue nas fezes sempre é câncer?

Não. Pode ocorrer por Hemorroidas, Fissuras, inflamações e outras causas. Mesmo assim, sangue nas fezes nunca deve ser ignorado e precisa de avaliação.

Qual é o melhor exame para rastreamento?

Depende do risco, sintomas, histórico e acesso. Em saúde pública, o melhor exame é aquele que a pessoa consegue fazer corretamente e repetir conforme a recomendação, mas resultados positivos exigem colonoscopia.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.


Fonte: G1

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