Rastreamento do câncer colorretal: o que muda com a nova recomendação da American Cancer Society
- há 22 horas
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O rastreamento do câncer colorretal ganhou novas possibilidades além da colonoscopia. Exames de fezes e, mais recentemente, exames de sangue passaram a fazer parte das alternativas para detectar sinais precoces da doença em pessoas sem sintomas e com risco médio. A mudança não substitui a colonoscopia, mas amplia o acesso ao rastreamento e pode ajudar mais pessoas a iniciarem a prevenção.
O que mudou no rastreamento do câncer colorretal?
Em 2026, a American Cancer Society atualizou suas recomendações para o rastreamento do câncer colorretal, mantendo a orientação de início aos 45 anos para pessoas com risco médio e reforçando que a escolha do exame deve considerar adesão, acesso e acompanhamento adequado. A atualização passou a incluir exames de fezes com marcadores moleculares e exames de sangue como alternativas dentro das estratégias de rastreamento.
No entanto, a entidade destaca que colonoscopia e exames de fezes continuam sendo opções preferenciais, enquanto os testes de sangue devem ser oferecidos principalmente a pessoas que recusam ou não conseguem completar os métodos preferenciais, por terem menor sensibilidade para lesões pré-cancerosas e câncer em estágio inicial. Além disso, todo resultado positivo em exame de fezes ou sangue precisa ser seguido de colonoscopia para completar a investigação.
Essas alternativas podem ser importantes para pessoas que têm medo da colonoscopia, dificuldade de acesso ao exame, receio do preparo intestinal ou barreiras financeiras e logísticas.
Em resumo, a mensagem principal é: rastrear continua sendo essencial. A diferença é que agora existem mais caminhos possíveis para começar.
Por que o rastreamento é tão importante?
O câncer colorretal pode se desenvolver lentamente, muitas vezes a partir de pólipos no intestino. Esses pólipos são crescimentos na parede do cólon ou do reto que, em alguns casos, podem se transformar em câncer ao longo dos anos.
O grande benefício do rastreamento é justamente encontrar alterações antes que elas causem sintomas. Quando a doença é detectada cedo, as chances de tratamento bem-sucedido são maiores.
Além disso, alguns exames, como a colonoscopia, podem prevenir o câncer ao permitir a retirada de pólipos antes que eles evoluam.
O problema é que muitas pessoas só procuram atendimento quando aparecem sinais como sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal, dor abdominal persistente ou perda de peso. Nessa fase, a doença pode estar mais avançada.
Por isso, o rastreamento não deve depender da presença de sintomas.
Quais exames podem ser usados?
As opções de rastreamento podem ser divididas em três grupos principais: exames de fezes, exames de sangue e exames que visualizam diretamente o intestino.
Entre os exames de fezes, estão testes que procuram sangue oculto, ou seja, sangue que não é visível a olho nu. Também existem exames que analisam marcadores moleculares, como alterações em DNA ou RNA, que podem estar associados a pólipos avançados ou câncer.
Entre os exames visuais, a colonoscopia é a mais conhecida. Ela permite avaliar todo o cólon e o reto, além de remover pólipos durante o exame.
O exame de sangue é uma opção mais recente. Ele busca sinais de DNA tumoral circulante no sangue. A vantagem é ser mais simples e menos invasivo, mas sua capacidade de detectar lesões pré-cancerosas e câncer muito inicial ainda é menor do que a de outras estratégias.
Exame de fezes substitui colonoscopia?
Depende do contexto. Para pessoas com risco médio e sem sintomas, exames de fezes podem ser usados como opção de rastreamento. Eles são menos invasivos, podem ser feitos em casa e não exigem o mesmo preparo da colonoscopia.
No entanto, se o exame de fezes vier positivo ou alterado, a colonoscopia será necessária para investigar a causa.
Isso acontece porque o exame de fezes não mostra onde está a alteração. Ele apenas indica que pode haver sangue oculto ou marcadores suspeitos. A colonoscopia permite confirmar se há pólipos, inflamação, sangramento, câncer ou outra condição.
Portanto, o exame de fezes pode ser uma porta de entrada para o rastreamento, mas não elimina a necessidade da colonoscopia quando o resultado é positivo.
E o exame de sangue?
O exame de sangue para rastreamento do câncer colorretal surge como uma alternativa para pessoas que recusam ou não conseguem fazer os métodos preferenciais, como colonoscopia ou exames de fezes.
A vantagem é a praticidade. Para algumas pessoas, fazer uma coleta de sangue pode ser mais aceitável do que realizar preparo intestinal ou coletar amostras de fezes.
Porém, é importante entender a limitação: o exame de sangue não é considerado a melhor opção para todos. Ele pode detectar alguns cânceres, mas tem menor sensibilidade para lesões pré-cancerosas e tumores em estágio inicial.
Por isso, ele deve ser visto como mais uma opção para ampliar o acesso, e não como substituto universal da colonoscopia ou dos testes de fezes.
Colonoscopia continua sendo importante?
Sim. A colonoscopia continua tendo papel central no rastreamento do câncer colorretal.
Ela é especialmente importante porque permite:
visualizar diretamente o cólon e o reto;
identificar pólipos;
remover pólipos durante o exame;
investigar sangramentos;
confirmar resultados positivos de exames de fezes ou sangue;
avaliar pessoas com sintomas;
acompanhar pessoas com maior risco.
Para quem tem histórico familiar de câncer colorretal, síndromes hereditárias, pólipos prévios, doença inflamatória intestinal ou sintomas suspeitos, a colonoscopia costuma ser a estratégia mais indicada.
Também é importante lembrar: quando um exame de fezes ou sangue vem positivo, o rastreamento ainda não terminou. A colonoscopia é necessária para completar a investigação.
Quem deve fazer rastreamento?
De forma geral, pessoas com risco médio devem conversar com o médico sobre iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos, conforme diretrizes internacionais. A decisão pode variar conforme histórico familiar, sintomas, doenças prévias e protocolos adotados em cada país ou serviço de saúde.
Pessoas com risco aumentado podem precisar começar antes.
Entram nesse grupo pessoas com:
histórico familiar de câncer colorretal;
histórico pessoal de pólipos;
doença inflamatória intestinal;
síndromes genéticas associadas ao câncer colorretal;
sangramento intestinal;
alteração persistente do hábito intestinal;
anemia sem causa definida;
perda de peso inexplicada.
Quem tem sintomas não deve esperar apenas por exame de rastreamento. Sintoma precisa de avaliação diagnóstica.
Quais sintomas merecem atenção?
O câncer colorretal pode não causar sintomas no início. Quando aparecem, os sinais podem ser confundidos com Hemorroidas, constipação, alterações alimentares ou problemas intestinais comuns.
Sintomas que merecem atenção incluem:
sangue nas fezes;
fezes muito escuras ou com aspecto diferente;
alteração do hábito intestinal;
diarreia persistente;
constipação persistente;
sensação de evacuação incompleta;
dor abdominal recorrente;
perda de peso sem explicação;
anemia;
cansaço excessivo;
muco nas fezes;
afinamento das fezes.
Situação | Pode observar com cuidado | Procurar atendimento médico |
Alteração intestinal passageira | Quando melhora rapidamente | Se persistir por semanas |
Sangue nas fezes | Não deve ser considerado normal | Deve ser avaliado |
Constipação ocasional | Pode ocorrer por dieta ou rotina | Se for nova ou persistente |
Dor abdominal leve | Pode ter várias causas | Se for recorrente ou progressiva |
Perda de peso | Não deve ser ignorada | Precisa de investigação |
Anemia sem causa clara | Sinal de alerta | Deve ser investigada |
O melhor exame é aquele que a pessoa consegue fazer?
Essa frase tem sido cada vez mais usada em saúde pública. Isso porque um exame excelente, mas que a pessoa nunca realiza, não ajuda na prevenção.
A colonoscopia é muito importante, mas parte da população evita ou adia o exame. Exames de fezes e sangue podem reduzir barreiras e aumentar a adesão ao rastreamento.
Ainda assim, a escolha do exame deve ser feita com orientação médica. O profissional avalia idade, risco individual, histórico familiar, sintomas, acesso aos exames e necessidade de acompanhamento.
O ideal não é escolher o exame “mais fácil” sem critério, mas encontrar uma estratégia segura, eficaz e possível de ser realizada.
Como reduzir o risco de câncer colorretal?
Além do rastreamento, alguns hábitos podem ajudar a reduzir o risco de câncer colorretal.
Medidas importantes incluem:
manter alimentação rica em fibras;
consumir frutas, verduras, legumes e grãos integrais;
reduzir carnes processadas;
evitar excesso de álcool;
não fumar;
praticar atividade física regularmente;
controlar o peso;
tratar doenças intestinais quando presentes;
investigar sintomas persistentes;
manter consultas preventivas.
Esses cuidados não substituem o rastreamento, mas ajudam na prevenção geral e na saúde intestinal.
O que essa mudança representa?
A inclusão de exames de fezes mais modernos e exames de sangue nas diretrizes mostra uma tentativa de tornar o rastreamento mais acessível.
Na prática, isso pode significar que mais pessoas terão a chance de fazer algum tipo de triagem, mesmo que não consigam realizar colonoscopia de imediato.
Mas a mensagem precisa ser equilibrada: novas opções não tornam a colonoscopia dispensável. Elas ampliam as possibilidades, especialmente para pessoas com risco médio e sem sintomas.
Quando há sintomas, risco aumentado ou resultado positivo em teste não invasivo, a colonoscopia continua sendo fundamental.
Resumo rápido
O rastreamento do câncer colorretal agora conta com mais opções além da colonoscopia.
Exames de fezes podem detectar sangue oculto e marcadores associados a pólipos ou câncer.
Exames de sangue são uma alternativa mais recente, mas não são a opção preferencial para todos.
Resultado positivo em exame de fezes ou sangue precisa ser seguido de colonoscopia.
Pessoas com sintomas ou risco aumentado geralmente precisam de avaliação mais direta.
O objetivo é aumentar o acesso ao rastreamento e detectar alterações antes que o câncer avance.
Perguntas frequentes sobre rastreamento do câncer colorretal
Exame de fezes detecta câncer colorretal?
Pode ajudar a detectar sinais indiretos, como sangue oculto ou marcadores moleculares associados a câncer e pólipos. Se o resultado for positivo, a colonoscopia é necessária para confirmar a causa.
Exame de sangue substitui colonoscopia?
Não de forma geral. O exame de sangue pode ser uma alternativa para pessoas que recusam ou não conseguem fazer outros métodos, mas tem limitações e não substitui a colonoscopia quando há resultado positivo ou sintomas.
Colonoscopia ainda é necessária?
Sim. A colonoscopia continua sendo fundamental para investigar sintomas, confirmar testes positivos, remover pólipos e acompanhar pessoas com maior risco.
Quem deve começar o rastreamento?
Pessoas com risco médio devem conversar com o médico sobre iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos. Quem tem histórico familiar, sintomas ou doenças intestinais pode precisar começar antes.
Sangue nas fezes sempre é câncer?
Não. Pode ocorrer por Hemorroidas, Fissuras, inflamações e outras causas. Mesmo assim, sangue nas fezes nunca deve ser ignorado e precisa de avaliação.
Qual é o melhor exame para rastreamento?
Depende do risco, sintomas, histórico e acesso. Em saúde pública, o melhor exame é aquele que a pessoa consegue fazer corretamente e repetir conforme a recomendação, mas resultados positivos exigem colonoscopia.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
Fonte: G1



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