SUS adota novo exame para detectar câncer de intestino antes dos sintomas
- 27 de mai.
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O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contar com um novo protocolo nacional para o rastreamento do Câncer Colorretal, também conhecido como Câncer de Intestino. A medida foi anunciada pelo Ministério da Saúde em maio de 2026 e define o Teste Imunoquímico Fecal, chamado de FIT, como exame de referência para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos.
A mudança é importante porque o Câncer Colorretal pode se desenvolver de forma silenciosa. Em muitos casos, a doença não causa sintomas nas fases iniciais, justamente quando as chances de tratamento bem-sucedido costumam ser maiores. Por isso, rastrear pessoas sem sintomas é uma estratégia essencial de prevenção e diagnóstico precoce.
De acordo com o Ministério da Saúde, o FIT poderá ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à prevenção e ao diagnóstico oportuno. A medida ganha ainda mais relevância porque o Câncer de Intestino é o segundo tipo de câncer mais incidente no Brasil, quando excluídos os tumores de pele não melanoma. Para cada ano do triênio 2026-2028, a estimativa do INCA é de 53,8 mil novos casos de Câncer Colorretal no país.
O que é o Teste Imunoquímico Fecal?
O Teste Imunoquímico Fecal, ou FIT, é um exame de fezes usado para detectar pequenas quantidades de sangue oculto, ou seja, sangue que não pode ser visto a olho nu. Esse achado pode estar relacionado a pólipos, lesões pré-cancerígenas ou Câncer Colorretal.
A principal diferença em relação a exames mais antigos de sangue oculto nas fezes é que o FIT utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano. Isso aumenta a precisão do rastreamento e reduz interferências relacionadas à alimentação. Segundo o Ministério da Saúde, o teste apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.
Na prática, o exame é simples: a pessoa recebe um kit, faz a coleta em casa e envia a amostra para análise laboratorial. Caso o resultado indique presença de sangue oculto, o paciente é encaminhado para investigação complementar.
Quem deve fazer o rastreamento pelo SUS?
Pelo novo protocolo anunciado, o FIT será voltado para homens e mulheres sem sintomas, com idade entre 50 e 75 anos. Essa informação é essencial: o rastreamento é pensado para pessoas aparentemente saudáveis, antes que sinais de alerta apareçam.
Pessoas com sintomas intestinais, histórico familiar importante, doenças inflamatórias intestinais ou fatores de risco específicos podem precisar de uma avaliação individualizada, independentemente da faixa etária de rastreamento populacional.
Por que o rastreamento do Câncer Colorretal é tão importante?
O Câncer Colorretal pode surgir a partir de pólipos intestinais, que são lesões inicialmente benignas, mas que podem se transformar em câncer ao longo do tempo. Quando essas alterações são encontradas precocemente, algumas podem ser removidas antes de evoluírem.
Por isso, o rastreamento não serve apenas para encontrar câncer em fase inicial. Ele também pode ajudar a identificar lesões precursoras.
O INCA destaca que o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028, sendo aproximadamente 518 mil casos anuais quando excluídos os tumores de pele não melanoma. Entre homens e mulheres, os tumores de cólon e reto estão entre os mais incidentes.
FIT substitui a colonoscopia?
Não exatamente. O FIT é um exame de triagem. Ele ajuda a identificar quem precisa de investigação complementar. Quando o resultado detecta sangue oculto, a pessoa deve ser encaminhada para exames adicionais, principalmente a colonoscopia.
A colonoscopia continua sendo considerada o exame padrão para avaliação direta do cólon e do reto. Além de permitir a visualização do intestino, ela possibilita a retirada de pólipos durante o procedimento, o que pode impedir que algumas lesões evoluam para câncer.
Em resumo:
Exame | Função principal |
FIT | Detectar sangue oculto nas fezes e selecionar quem precisa de investigação |
Colonoscopia | Avaliar diretamente o intestino, confirmar alterações e retirar pólipos quando possível |
Quais são as vantagens do FIT?
O FIT pode facilitar a adesão ao rastreamento porque é simples, menos invasivo e não exige preparo intestinal.
Entre as principais vantagens estão:
Não exige preparo intestinal;
Não precisa de dieta restritiva antes da coleta;
Pode ser feito com apenas uma amostra;
É menos invasivo;
Facilita a realização em larga escala;
Pode aumentar a adesão da população ao rastreamento.
Esses pontos são relevantes para o SUS porque ajudam a ampliar o acesso à prevenção, especialmente em pessoas que nunca fizeram exames de rastreamento intestinal.
Quais sintomas não devem ser ignorados?
O rastreamento com FIT é voltado para pessoas sem sintomas. Porém, quem apresenta sinais de alerta deve procurar atendimento médico, e não apenas aguardar um exame de rotina.
Sintomas que merecem avaliação incluem:
Sangue nas fezes;
Mudança persistente do hábito intestinal;
Diarreia ou constipação sem explicação;
Sensação de evacuação incompleta;
Dor abdominal persistente;
Perda de peso sem causa aparente;
Fraqueza ou cansaço importante;
Anemia sem explicação.
O CDC lista como possíveis sintomas do Câncer Colorretal a mudança no hábito intestinal, sangue nas fezes, diarreia, constipação, sensação de evacuação incompleta, dor abdominal persistente e perda de peso sem explicação. A presença desses sinais não significa necessariamente câncer, mas exige investigação médica.
O que essa mudança representa para a prevenção?
A adoção do FIT como exame de referência no SUS representa um avanço importante na prevenção do Câncer Colorretal. A estratégia pode tornar o rastreamento mais acessível, simples e viável para milhões de pessoas.
Além disso, reforça uma mensagem essencial: o Câncer de Intestino não deve ser lembrado apenas quando surgem sintomas. A prevenção começa antes.
Medidas como alimentação equilibrada, prática de atividade física, controle do peso, redução do consumo de álcool, não fumar e investigação de sinais intestinais persistentes também fazem parte do cuidado. O rastreamento, por sua vez, permite identificar alterações silenciosas em uma fase em que a intervenção pode ser mais efetiva.
Conclusão
O novo protocolo do SUS para rastreamento do Câncer Colorretal com o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) representa um passo importante para a detecção precoce da doença no Brasil.
Indicado para pessoas assintomáticas entre 50 e 75 anos, o exame é simples, feito a partir de uma amostra de fezes, não exige dieta restritiva nem preparo intestinal e ajuda a identificar quem precisa seguir para avaliação complementar com colonoscopia.
Como o Câncer de Intestino pode evoluir silenciosamente, ampliar o rastreamento é uma estratégia fundamental para reduzir diagnósticos tardios. Ao mesmo tempo, sintomas como sangue nas fezes, mudança persistente do funcionamento intestinal, dor abdominal sem explicação e perda de peso devem sempre motivar avaliação médica.



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