Suplementos à venda no Brasil: 2 em cada 3 produtos aprovados pela Anvisa apresentam irregularidades
- medicinaatualrevis
- 3 de dez. de 2025
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Um levantamento da Anvisa mostrou que aproximadamente 65% dos suplementos alimentares avaliados até julho deste ano apresentavam irregularidades graves: falhas na composição, rotulagem, dosagens ou ausência de testes de pureza e estabilidade.
Esse dado alarmante revela como o mercado de suplementos pode representar uma ameaça à saúde pública quando não há fiscalização, e reforça a necessidade de cautela, especialmente diante da crescente popularização dessas substâncias em busca de emagrecimento, ganhos de massa ou melhora do desempenho físico.
O que a Anvisa encontrou: irregularidades em larga escala
A Anvisa revisou uma série de suplementos alimentares e constatou que muitos não atendem aos requisitos mínimos de segurança e qualidade. Entre os problemas identificados:
ausência de comprovação de pureza ou estabilidade — ou seja, o produto não garante que o conteúdo se mantém seguro até a validade declarada;
rotulagem com alegações de benefícios exagerados ou terapêuticos: emagrecimento rápido, cura de doenças, aumento de desempenho — proibidas por lei;
inclusão de ingredientes não autorizados ou fora dos limites permitidos — o que pode trazer riscos à saúde;
dosagens acima do permitido ou incorretas, tornando o consumo imprevisível.
Além disso, a própria agência reforçou que entre 2020 e 2025, 63% das investigações sanitárias sobre alimentos diziam respeito a suplementos, o que indica que o segmento lidera as denúncias de irregularidades.
Por que tantos suplementos são problemáticos
O mercado brasileiro de suplementos cresceu de forma rápida e desorganizada. Com a demanda elevada, muitos fabricantes — ou vendedores — lançam produtos sem respeitar rigorosos controles de qualidade.
Os fatores que favorecem esse cenário incluem:
fiscalização sanitária insuficiente frente ao volume de produtos;
dificuldades técnicas e de capacidade laboratorial para realizar testes de estabilidade, pureza e controle de qualidade. Por isso, a Anvisa prorrogou o prazo de adequação para setembro de 2026.
comércio on-line e vendas informais, com produtos muitas vezes irregulares, falsificados ou sem procedência conhecida.
marketing agressivo com promessas de “resultados rápidos” que despertam o apelo emocional de consumidores, mesmo na ausência de evidência científica.
Essa combinação favorece a circulação de suplementos inseguros, sem que o consumidor consiga distinguir os produtos confiáveis dos arriscados.
Quais são os riscos reais para a saúde
O uso indiscriminado de suplementos irregulares pode trazer consequências severas, especialmente quando envolver vitaminas, estimulantes ou composição duvidosa. Entre os riscos identificados por especialistas estão:
sobrecarga do fígado e risco de lesões hepáticas, especialmente com excesso de vitaminas lipossolúveis ou compostos tóxicos não declarados;
sobrecarga renal: risco maior em suplementos proteicos ou com substâncias estimulantes;
problemas cardiovasculares: arritmias, hipertensão, taquicardia, especialmente em termogênicos ou produtos com substâncias estimulantes não declaradas;
desequilíbrios metabólicos e hormonais;
ineficácia terapêutica: pois muitos produtos não contêm a dosagem anunciada ou nem mesmos os ingredientes declarados, prejudicando quem busca um benefício real.
Casos graves já levaram à interdição de marcas no Brasil, que comercializavam suplementos como “naturais”, mas com substâncias proibidas ou perigosas.
Quando a suplementação realmente faz sentido
Apesar dos riscos, suplementos podem ter papel legítimo quando bem indicados e supervisionados. As situações em que há justificativa científica para suplementação incluem:
deficiências nutricionais confirmadas por exames laboratoriais;
restrições alimentares evidentes (por exemplo, dietas vegetarianas ou fatores que dificultam absorção de nutrientes);
necessidades aumentadas: como atletas, idosos, gestantes ou recuperação nutricional;
manejo de doenças crônicas ou pós-operatório, quando indicado por profissional de saúde;
uso de suplementos com registro regularizado, acompanhados por nutricionista ou médico.
Mesmo nesses casos, é fundamental que haja indicação clara, monitorização de efeitos colaterais e reavaliação periódica da necessidade.
Como escolher suplementos com segurança
Para reduzir riscos e aumentar as chances de que o suplemento seja confiável, vale seguir algumas orientações:
verificar se o produto está registrado ou notificado na base da Anvisa;
checar o número de notificação/registro, CNPJ e dados da empresa fabricante;
desconfiar de alegações milagrosas: emagrecimento rápido, ganho de massa “sem dieta”, “cura” de doenças — promessas proibidas para suplementos.
evitar produtos muito baratos ou vendidos exclusivamente pela internet sem nota fiscal ou procedência clara;
consultar profissionais de saúde antes de iniciar qualquer suplementação;
priorizar dieta equilibrada e hábitos de vida saudáveis como base da nutrição: suplementos devem ser exceção, não regra.
Conclusão
O alerta feito pela Anvisa em 2025 é um sinal de alerta para profissionais de saúde, estudantes e usuários. Em um mercado em plena expansão, a vigilância sanitária não consegue acompanhar todos os lançamentos, e o risco de intoxicação, prejuízo renal, hepático ou cardiovascular não deve ser subestimado.
Suplementos não são sinônimo automático de saúde. Eles precisam ser prescritos com critério, baseados em necessidade real e com respaldo científico. Alimentação equilibrada, estilo de vida saudável e acompanhamento profissional permanecem como base da saúde — o suplemento, quando indicado, deve ser um complemento, nunca substituto.
Informações: G1


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