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Suplementos à venda no Brasil: 2 em cada 3 produtos aprovados pela Anvisa apresentam irregularidades

Suplementos

Um levantamento da Anvisa mostrou que aproximadamente 65% dos suplementos alimentares avaliados até julho deste ano apresentavam irregularidades graves: falhas na composição, rotulagem, dosagens ou ausência de testes de pureza e estabilidade. Esse dado alarmante revela como o mercado de suplementos pode representar uma ameaça à saúde pública quando não há fiscalização, e reforça a necessidade de cautela, especialmente diante da crescente popularização dessas substâncias em busca de emagrecimento, ganhos de massa ou melhora do desempenho físico.


O que a Anvisa encontrou: irregularidades em larga escala

A Anvisa revisou uma série de suplementos alimentares e constatou que muitos não atendem aos requisitos mínimos de segurança e qualidade. Entre os problemas identificados:

  • ausência de comprovação de pureza ou estabilidade — ou seja, o produto não garante que o conteúdo se mantém seguro até a validade declarada;

  • rotulagem com alegações de benefícios exagerados ou terapêuticos: emagrecimento rápido, cura de doenças, aumento de desempenho — proibidas por lei;

  • inclusão de ingredientes não autorizados ou fora dos limites permitidos — o que pode trazer riscos à saúde;

  • dosagens acima do permitido ou incorretas, tornando o consumo imprevisível.

Além disso, a própria agência reforçou que entre 2020 e 2025, 63% das investigações sanitárias sobre alimentos diziam respeito a suplementos, o que indica que o segmento lidera as denúncias de irregularidades.

Por que tantos suplementos são problemáticos

O mercado brasileiro de suplementos cresceu de forma rápida e desorganizada. Com a demanda elevada, muitos fabricantes — ou vendedores — lançam produtos sem respeitar rigorosos controles de qualidade.

Os fatores que favorecem esse cenário incluem:

  • fiscalização sanitária insuficiente frente ao volume de produtos;

  • dificuldades técnicas e de capacidade laboratorial para realizar testes de estabilidade, pureza e controle de qualidade. Por isso, a Anvisa prorrogou o prazo de adequação para setembro de 2026.

  • comércio on-line e vendas informais, com produtos muitas vezes irregulares, falsificados ou sem procedência conhecida.

  • marketing agressivo com promessas de “resultados rápidos” que despertam o apelo emocional de consumidores, mesmo na ausência de evidência científica.

Essa combinação favorece a circulação de suplementos inseguros, sem que o consumidor consiga distinguir os produtos confiáveis dos arriscados.

Quais são os riscos reais para a saúde

O uso indiscriminado de suplementos irregulares pode trazer consequências severas, especialmente quando envolver vitaminas, estimulantes ou composição duvidosa. Entre os riscos identificados por especialistas estão:

  • sobrecarga do fígado e risco de lesões hepáticas, especialmente com excesso de vitaminas lipossolúveis ou compostos tóxicos não declarados;

  • sobrecarga renal: risco maior em suplementos proteicos ou com substâncias estimulantes;

  • problemas cardiovasculares: arritmias, hipertensão, taquicardia, especialmente em termogênicos ou produtos com substâncias estimulantes não declaradas;

  • desequilíbrios metabólicos e hormonais;

  • ineficácia terapêutica: pois muitos produtos não contêm a dosagem anunciada ou nem mesmos os ingredientes declarados, prejudicando quem busca um benefício real.

Casos graves já levaram à interdição de marcas no Brasil, que comercializavam suplementos como “naturais”, mas com substâncias proibidas ou perigosas.

Quando a suplementação realmente faz sentido

Apesar dos riscos, suplementos podem ter papel legítimo quando bem indicados e supervisionados. As situações em que há justificativa científica para suplementação incluem:

  • deficiências nutricionais confirmadas por exames laboratoriais;

  • restrições alimentares evidentes (por exemplo, dietas vegetarianas ou fatores que dificultam absorção de nutrientes);

  • necessidades aumentadas: como atletas, idosos, gestantes ou recuperação nutricional;

  • manejo de doenças crônicas ou pós-operatório, quando indicado por profissional de saúde;

  • uso de suplementos com registro regularizado, acompanhados por nutricionista ou médico.

Mesmo nesses casos, é fundamental que haja indicação clara, monitorização de efeitos colaterais e reavaliação periódica da necessidade.

Como escolher suplementos com segurança

Para reduzir riscos e aumentar as chances de que o suplemento seja confiável, vale seguir algumas orientações:

  • verificar se o produto está registrado ou notificado na base da Anvisa;

  • checar o número de notificação/registro, CNPJ e dados da empresa fabricante;

  • desconfiar de alegações milagrosas: emagrecimento rápido, ganho de massa “sem dieta”, “cura” de doenças — promessas proibidas para suplementos.

  • evitar produtos muito baratos ou vendidos exclusivamente pela internet sem nota fiscal ou procedência clara;

  • consultar profissionais de saúde antes de iniciar qualquer suplementação;

  • priorizar dieta equilibrada e hábitos de vida saudáveis como base da nutrição: suplementos devem ser exceção, não regra.

Conclusão

O alerta feito pela Anvisa em 2025 é um sinal de alerta para profissionais de saúde, estudantes e usuários. Em um mercado em plena expansão, a vigilância sanitária não consegue acompanhar todos os lançamentos, e o risco de intoxicação, prejuízo renal, hepático ou cardiovascular não deve ser subestimado.

Suplementos não são sinônimo automático de saúde. Eles precisam ser prescritos com critério, baseados em necessidade real e com respaldo científico. Alimentação equilibrada, estilo de vida saudável e acompanhamento profissional permanecem como base da saúde — o suplemento, quando indicado, deve ser um complemento, nunca substituto.


Informações: G1

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