Síndrome de Sjögren: quando a falta de lágrimas e saliva pode indicar uma doença autoimune
- 23 de fev.
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A Síndrome de Sjögren é uma doença autoimune crônica caracterizada pela inflamação e destruição progressiva das glândulas exócrinas, principalmente as glândulas lacrimais e salivares. Como consequência, os sintomas mais típicos são olhos secos (xeroftalmia) e boca seca (xerostomia).
Embora frequentemente subdiagnosticada, a doença pode comprometer a qualidade de vida e, em alguns casos, apresentar manifestações sistêmicas importantes. O reconhecimento precoce é essencial para o manejo adequado e prevenção de complicações.
O que é a Síndrome de Sjögren?
Na Síndrome de Sjögren, o sistema imunológico passa a atacar as próprias glândulas produtoras de secreção, levando à infiltração linfocitária e redução da função glandular.
A doença pode ocorrer de duas formas:
Primária: quando ocorre isoladamente;
Secundária: associada a outras doenças autoimunes, como:
Artrite Reumatoide;
Lúpus Eritematoso Sistêmico;
Esclerodermia.
A condição é mais comum em mulheres, especialmente entre a quarta e a sexta décadas de vida.
Principais sintomas
Os sintomas decorrem principalmente da redução das secreções glandulares, mas podem variar em intensidade.
Sintomas oculares
Sensação de areia ou corpo estranho nos olhos;
Ardência ou irritação;
Vermelhidão;
Fotossensibilidade;
Visão borrada em alguns momentos.
Sintomas orais
Boca seca persistente;
Dificuldade para mastigar ou engolir alimentos secos;
Necessidade frequente de beber água;
Alterações do paladar;
Aumento do risco de cáries e infecções bucais.
Outras manifestações sistêmicas
Embora a síndrome seja conhecida pelas manifestações glandulares, outros órgãos também podem ser afetados.
Possíveis manifestações extraglandulares:
Fadiga crônica;
Dor articular ou muscular;
Aumento das glândulas parótidas;
Ressecamento da pele e mucosas;
Fenômeno de Raynaud;
Comprometimento pulmonar, renal ou neurológico (em casos menos frequentes).
Pacientes com Sjögren também apresentam risco aumentado de linfoma não Hodgkin, o que reforça a necessidade de acompanhamento regular.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico e laboratorial, baseado em critérios que avaliam sintomas, exames imunológicos e testes de função glandular.
Avaliação clínica
História de olhos e boca secos por período prolongado;
Avaliação oftalmológica e odontológica.
Exames complementares
Teste de Schirmer: avalia produção lacrimal;
Dosagem de autoanticorpos:
Anti-Ro (SSA);
Anti-La (SSB);
Fator reumatoide e FAN;
Ultrassonografia ou biópsia de glândula salivar em casos selecionados.
O diagnóstico precoce permite melhor controle dos sintomas e monitoramento de possíveis complicações.
Tratamento da Síndrome de Sjögren
O tratamento é direcionado principalmente ao controle dos sintomas e à prevenção de complicações, já que não há cura definitiva.
Medidas para olhos secos
Uso regular de lágrimas artificiais;
Lubrificantes oculares sem conservantes;
Evitar ambientes secos ou com ar-condicionado intenso.
Medidas para boca seca
Hidratação frequente;
Uso de saliva artificial;
Estímulo da salivação com gomas ou pastilhas sem açúcar;
Cuidados rigorosos com higiene bucal.
Tratamento sistêmico
Em casos com manifestações extraglandulares, podem ser necessários:
Anti-inflamatórios;
Imunossupressores;
Corticosteroides, conforme gravidade.
O acompanhamento multidisciplinar, envolvendo reumatologista, oftalmologista e dentista, é fundamental.
Impacto na qualidade de vida
A Síndrome de Sjögren pode causar desconforto significativo e interferir em atividades diárias, como leitura, alimentação e fala. A fadiga crônica também é uma queixa frequente.
O diagnóstico e o manejo adequados permitem melhor controle dos sintomas e prevenção de complicações a longo prazo.
Conclusão
A Síndrome de Sjögren é uma doença autoimune crônica que afeta principalmente as glândulas produtoras de lágrimas e saliva, causando ressecamento ocular e oral persistente. Apesar de muitas vezes subdiagnosticada, pode apresentar manifestações sistêmicas relevantes.
O reconhecimento dos sintomas, a investigação adequada e o acompanhamento contínuo são essenciais para melhorar a qualidade de vida e reduzir o risco de complicações.



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