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Ultraprocessados alteram a resposta do cérebro adolescente e aumentam o risco de comer em excesso, diz pesquisa


O consumo frequente de alimentos ultraprocessados pode interferir diretamente no funcionamento do cérebro de adolescentes, favorecendo respostas cerebrais inadequadas e aumentando o risco de episódios de alimentação em excesso. Essa é a principal conclusão de um estudo recente divulgado pelo G1, que analisou como o cérebro jovem reage a esse tipo de alimento altamente industrializado.

A pesquisa reforça preocupações já existentes sobre os impactos dos ultraprocessados na saúde física e metabólica, mas avança ao mostrar que o cérebro em desenvolvimento é especialmente vulnerável aos efeitos desses produtos.

Como o cérebro adolescente reage aos ultraprocessados

Segundo a reportagem, o estudo observou que adolescentes que consomem grandes quantidades de alimentos ultraprocessados apresentam respostas alteradas em áreas do cérebro ligadas à recompensa, ao controle do apetite e à tomada de decisões.

Essas regiões são responsáveis por regular sensações como saciedade, prazer ao comer e capacidade de interromper a ingestão quando o corpo já está satisfeito. Quando estimuladas de forma inadequada, aumentam as chances de comer além do necessário.

Os pesquisadores destacam que o cérebro do adolescente ainda está em formação, o que o torna mais sensível a estímulos intensos, como aqueles provocados por alimentos ricos em açúcar, gordura e aditivos.

Por que os ultraprocessados estimulam o consumo exagerado

Os ultraprocessados são formulados para serem altamente palatáveis. A reportagem explica que esses alimentos ativam fortemente os circuitos de recompensa do cérebro, levando a uma resposta mais intensa do que a provocada por alimentos in natura ou minimamente processados.

No cérebro adolescente, essa ativação exagerada pode dificultar o controle do comportamento alimentar. O resultado é maior propensão a episódios de compulsão ou ingestão excessiva, mesmo na ausência de fome fisiológica.

O estudo citado pelo G1 aponta que essa reação cerebral pode contribuir para padrões alimentares desregulados desde cedo.

Impactos no comportamento alimentar ao longo do tempo

Outro ponto destacado na reportagem é que a exposição frequente a ultraprocessados durante a adolescência pode moldar hábitos alimentares que persistem na vida adulta.

Ao estimular repetidamente os circuitos de prazer, o cérebro passa a associar alimentação quase exclusivamente à recompensa imediata, reduzindo a sensibilidade à saciedade natural.

Esse mecanismo favorece:

  • maior consumo calórico diário;

  • preferência por alimentos altamente industrializados;

  • dificuldade em reconhecer sinais de fome e saciedade;

  • risco aumentado de ganho de peso ao longo dos anos.

Adolescência: fase crítica para o desenvolvimento cerebral

O G1 destaca que a adolescência é um período decisivo para o amadurecimento do cérebro, especialmente das áreas responsáveis pelo autocontrole e pela regulação do comportamento.

Quando essa fase é marcada por alimentação rica em ultraprocessados, há risco de interferência negativa nesse processo de desenvolvimento, o que pode ter repercussões duradouras.

Os pesquisadores alertam que o cérebro jovem ainda não possui plena capacidade de inibir impulsos, tornando o adolescente mais suscetível a estímulos alimentares intensos.

Relação com o aumento de sobrepeso e obesidade

Embora o estudo foque nas respostas cerebrais, a reportagem contextualiza esse achado dentro de um cenário mais amplo: o crescimento do consumo de ultraprocessados entre adolescentes e o aumento das taxas de sobrepeso e obesidade nessa faixa etária.

A alteração na resposta cerebral pode ser um dos mecanismos que explicam por que adolescentes expostos a esses alimentos têm maior dificuldade em manter padrões alimentares equilibrados.

O que os especialistas alertam

De acordo com o G1, os autores do estudo reforçam a importância de estratégias de prevenção que reduzam a exposição de adolescentes a ultraprocessados.

Eles destacam que não se trata apenas de calorias, mas de como esses alimentos impactam o cérebro em uma fase crítica do desenvolvimento, influenciando comportamento, escolhas alimentares e relação com a comida.

A reportagem também ressalta a necessidade de políticas públicas, educação alimentar e apoio familiar para promover hábitos mais saudáveis desde cedo.

Conclusão

O estudo divulgado pelo G1 mostra que os ultraprocessados vão além do impacto metabólico e nutricional: eles alteram a forma como o cérebro adolescente responde aos alimentos, aumentando o risco de comer em excesso.

Em uma fase marcada por intenso desenvolvimento cerebral, esse tipo de estímulo pode moldar comportamentos alimentares duradouros, com consequências para a saúde ao longo da vida. Reduzir o consumo de ultraprocessados na adolescência é uma medida fundamental para proteger não apenas o corpo, mas também o cérebro em formação.

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