Ultraprocessados alteram a resposta do cérebro adolescente e aumentam o risco de comer em excesso, diz pesquisa
- medicinaatualrevis
- 15 de dez. de 2025
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O consumo frequente de alimentos ultraprocessados pode interferir diretamente no funcionamento do cérebro de adolescentes, favorecendo respostas cerebrais inadequadas e aumentando o risco de episódios de alimentação em excesso. Essa é a principal conclusão de um estudo recente divulgado pelo G1, que analisou como o cérebro jovem reage a esse tipo de alimento altamente industrializado.
A pesquisa reforça preocupações já existentes sobre os impactos dos ultraprocessados na saúde física e metabólica, mas avança ao mostrar que o cérebro em desenvolvimento é especialmente vulnerável aos efeitos desses produtos.
Como o cérebro adolescente reage aos ultraprocessados
Segundo a reportagem, o estudo observou que adolescentes que consomem grandes quantidades de alimentos ultraprocessados apresentam respostas alteradas em áreas do cérebro ligadas à recompensa, ao controle do apetite e à tomada de decisões.
Essas regiões são responsáveis por regular sensações como saciedade, prazer ao comer e capacidade de interromper a ingestão quando o corpo já está satisfeito. Quando estimuladas de forma inadequada, aumentam as chances de comer além do necessário.
Os pesquisadores destacam que o cérebro do adolescente ainda está em formação, o que o torna mais sensível a estímulos intensos, como aqueles provocados por alimentos ricos em açúcar, gordura e aditivos.
Por que os ultraprocessados estimulam o consumo exagerado
Os ultraprocessados são formulados para serem altamente palatáveis. A reportagem explica que esses alimentos ativam fortemente os circuitos de recompensa do cérebro, levando a uma resposta mais intensa do que a provocada por alimentos in natura ou minimamente processados.
No cérebro adolescente, essa ativação exagerada pode dificultar o controle do comportamento alimentar. O resultado é maior propensão a episódios de compulsão ou ingestão excessiva, mesmo na ausência de fome fisiológica.
O estudo citado pelo G1 aponta que essa reação cerebral pode contribuir para padrões alimentares desregulados desde cedo.
Impactos no comportamento alimentar ao longo do tempo
Outro ponto destacado na reportagem é que a exposição frequente a ultraprocessados durante a adolescência pode moldar hábitos alimentares que persistem na vida adulta.
Ao estimular repetidamente os circuitos de prazer, o cérebro passa a associar alimentação quase exclusivamente à recompensa imediata, reduzindo a sensibilidade à saciedade natural.
Esse mecanismo favorece:
maior consumo calórico diário;
preferência por alimentos altamente industrializados;
dificuldade em reconhecer sinais de fome e saciedade;
risco aumentado de ganho de peso ao longo dos anos.
Adolescência: fase crítica para o desenvolvimento cerebral
O G1 destaca que a adolescência é um período decisivo para o amadurecimento do cérebro, especialmente das áreas responsáveis pelo autocontrole e pela regulação do comportamento.
Quando essa fase é marcada por alimentação rica em ultraprocessados, há risco de interferência negativa nesse processo de desenvolvimento, o que pode ter repercussões duradouras.
Os pesquisadores alertam que o cérebro jovem ainda não possui plena capacidade de inibir impulsos, tornando o adolescente mais suscetível a estímulos alimentares intensos.
Relação com o aumento de sobrepeso e obesidade
Embora o estudo foque nas respostas cerebrais, a reportagem contextualiza esse achado dentro de um cenário mais amplo: o crescimento do consumo de ultraprocessados entre adolescentes e o aumento das taxas de sobrepeso e obesidade nessa faixa etária.
A alteração na resposta cerebral pode ser um dos mecanismos que explicam por que adolescentes expostos a esses alimentos têm maior dificuldade em manter padrões alimentares equilibrados.
O que os especialistas alertam
De acordo com o G1, os autores do estudo reforçam a importância de estratégias de prevenção que reduzam a exposição de adolescentes a ultraprocessados.
Eles destacam que não se trata apenas de calorias, mas de como esses alimentos impactam o cérebro em uma fase crítica do desenvolvimento, influenciando comportamento, escolhas alimentares e relação com a comida.
A reportagem também ressalta a necessidade de políticas públicas, educação alimentar e apoio familiar para promover hábitos mais saudáveis desde cedo.
Conclusão
O estudo divulgado pelo G1 mostra que os ultraprocessados vão além do impacto metabólico e nutricional: eles alteram a forma como o cérebro adolescente responde aos alimentos, aumentando o risco de comer em excesso.
Em uma fase marcada por intenso desenvolvimento cerebral, esse tipo de estímulo pode moldar comportamentos alimentares duradouros, com consequências para a saúde ao longo da vida. Reduzir o consumo de ultraprocessados na adolescência é uma medida fundamental para proteger não apenas o corpo, mas também o cérebro em formação.



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