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Vertigem Posicional Paroxística Benigna: quando a tontura aparece ao mudar a posição da cabeça

  • 10 de jun.
  • 6 min de leitura
Vertigem Posicional Paroxística Benigna

A Vertigem Posicional Paroxística Benigna, também chamada de VPPB, é uma das causas mais comuns de vertigem. Ela provoca crises rápidas de sensação de giro, geralmente desencadeadas por movimentos específicos da cabeça, como virar na cama, levantar, deitar, olhar para cima ou abaixar para pegar algo no chão.

Apesar do nome assustar, a VPPB costuma ser uma condição benigna, ou seja, não é causada por tumor, AVC ou doença grave na maioria dos casos. O problema está no ouvido interno, mais especificamente em pequenas partículas de cálcio, chamadas otocônias, que se deslocam para regiões onde não deveriam estar. A Mayo Clinic explica que a VPPB acontece quando partículas chamadas otocônias se soltam e entram nos canais semicirculares do ouvido interno, provocando tontura com certos movimentos da cabeça.

Mesmo sendo benigna, a VPPB pode causar muito desconforto, medo de se movimentar e risco de quedas, principalmente em idosos. A boa notícia é que, em muitos casos, o tratamento é feito com manobras de reposicionamento, como a manobra de Epley, que ajudam a recolocar essas partículas em uma região onde deixam de causar sintomas.

O que é Vertigem Posicional Paroxística Benigna?

A VPPB é um distúrbio do ouvido interno. O ouvido interno tem estruturas responsáveis pela audição e pelo equilíbrio. Dentro dele existem canais semicirculares, que ajudam o cérebro a perceber os movimentos da cabeça.

Na VPPB, pequenos cristais de cálcio que normalmente ficam em uma região chamada utrículo se deslocam para dentro dos canais semicirculares. Quando a pessoa muda a posição da cabeça, esses cristais se movem de forma inadequada e enviam sinais errados ao cérebro, causando a sensação de que tudo está girando.

De forma simples:

Termo

Significado

Vertigem

Sensação de que o ambiente está girando ou de que o corpo está girando

Posicional

Desencadeada por mudança na posição da cabeça

Paroxística

Surge em crises rápidas e repentinas

Benigna

Não costuma indicar doença grave, embora possa incomodar bastante

Otocônias

Pequenos cristais de cálcio do ouvido interno envolvidos no equilíbrio

A Cleveland Clinic descreve a VPPB como um distúrbio do ouvido interno que provoca sensação súbita de giro quando a pessoa movimenta a cabeça.

Quais movimentos costumam provocar a crise?

A crise de VPPB geralmente aparece quando a cabeça muda de posição em relação à gravidade. Por isso, muitas pessoas sentem vertigem em situações bem específicas.

Gatilhos comuns incluem:

  • Virar de lado na cama;

  • Deitar;

  • Levantar da cama;

  • Olhar para cima;

  • Abaixar a cabeça;

  • Inclinar-se para pegar algo;

  • Virar a cabeça rapidamente;

  • Fazer movimentos em salão de beleza, dentista ou exame em que a cabeça fica inclinada.

A vertigem costuma durar segundos a menos de um minuto, mas a pessoa pode ficar com sensação de instabilidade, náusea ou insegurança por mais tempo após a crise.

Quais são os sintomas da VPPB?

O sintoma principal é a vertigem, geralmente descrita como sensação de giro. A pessoa pode sentir que o quarto está rodando ou que ela mesma está girando, mesmo estando parada.

Os sintomas podem incluir:

  • Tontura em crises rápidas;

  • Sensação de rotação;

  • Náuseas;

  • Vômitos em alguns casos;

  • Desequilíbrio;

  • Sensação de instabilidade ao caminhar;

  • Medo de virar a cabeça;

  • Piora ao deitar, levantar ou virar na cama.

A VPPB geralmente não causa perda auditiva, zumbido persistente, desmaio, fraqueza em um lado do corpo ou dificuldade para falar. Quando esses sinais aparecem, é preciso pensar em outras causas de tontura e procurar atendimento com urgência.

VPPB é a mesma coisa que Labirintite?

Não. No uso popular, muitas pessoas chamam qualquer tontura de “Labirintite”, mas esse termo é usado de forma muito ampla e, muitas vezes, incorreta.

A VPPB é uma causa específica de vertigem, relacionada ao deslocamento de cristais do ouvido interno. Já a Labirintite verdadeira envolve inflamação do labirinto, geralmente associada a infecção, e pode ter sintomas diferentes.

Condição

Característica principal

VPPB

Crises curtas de vertigem provocadas por posição da cabeça

Doença de Ménière

Vertigem em crises + zumbido + ouvido cheio + perda auditiva flutuante

Neurite vestibular

Vertigem intensa e prolongada, geralmente sem perda auditiva

Enxaqueca vestibular

Tontura/vertigem associada a histórico de enxaqueca

Labirintite

Inflamação/infeção do labirinto, menos comum do que o uso popular do termo sugere

Por isso, dizer apenas “estou com labirintite” pode atrasar o diagnóstico correto. O tratamento muda conforme a causa da vertigem.

Por que a VPPB acontece?

Em muitos casos, não se identifica uma causa clara. A VPPB pode aparecer espontaneamente, especialmente com o envelhecimento. Também pode ocorrer após trauma na cabeça, longos períodos de repouso, cirurgias, alterações do ouvido interno ou outros problemas vestibulares.

Possíveis fatores associados incluem:

  • Idade mais avançada;

  • Trauma craniano;

  • Permanecer muito tempo deitado;

  • Cirurgias ou procedimentos com posição prolongada da cabeça;

  • Doenças do ouvido interno;

  • Episódios anteriores de VPPB;

  • Osteopenia, osteoporose ou alterações metabólicas em alguns estudos.

A Cleveland Clinic informa que a VPPB pode desaparecer sozinha em algumas semanas, mas um procedimento simples em consultório pode aliviar os sintomas quando eles persistem.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico costuma ser clínico, feito com a história dos sintomas e testes de posicionamento. O mais conhecido é a manobra de Dix-Hallpike, usada principalmente para investigar VPPB do canal semicircular posterior, que é uma das formas mais comuns.

Durante o teste, o profissional posiciona a cabeça e o corpo do paciente de forma específica para tentar desencadear a vertigem e observar movimentos involuntários dos olhos, chamados nistagmo. A diretriz da American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery destaca a importância do diagnóstico correto por testes clínicos, como o Dix-Hallpike, e do uso adequado das manobras de reposicionamento.

Em muitos casos típicos, exames de imagem, como tomografia ou ressonância, não são necessários. A mesma diretriz reforça a importância de reduzir exames complementares inadequados quando o quadro é compatível com VPPB.

Como é o tratamento da VPPB?

O tratamento mais usado é feito com manobras de reposicionamento canalicular. Essas manobras movimentam a cabeça e o corpo em posições específicas para conduzir os cristais deslocados para uma área do ouvido interno onde eles deixam de causar sintomas.

Entre as manobras mais conhecidas estão:

  • Manobra de Epley;

  • Manobra de Semont;

  • Manobras específicas para o canal horizontal;

  • Exercícios de Brandt-Daroff em alguns casos;

  • Reabilitação vestibular quando há instabilidade persistente.

A Mayo Clinic informa que o procedimento de reposicionamento canalicular ajuda a mover as partículas para o utrículo, uma região do ouvido onde elas não causam tontura.

O que é a manobra de Epley?

A manobra de Epley é uma sequência de movimentos da cabeça e do corpo usada para tratar principalmente a VPPB do canal posterior. Ela deve ser feita por profissional treinado, especialmente na primeira avaliação, porque é importante confirmar o lado e o canal acometidos.

A Cleveland Clinic descreve a manobra de Epley como o procedimento de reposicionamento canalicular mais conhecido, usado para aliviar sintomas de VPPB por meio de uma série de movimentos da cabeça.

Embora existam vídeos e orientações na internet, tentar fazer manobras sem diagnóstico pode não ajudar e, em alguns casos, pode piorar náuseas, provocar queda ou atrasar a identificação de uma causa diferente de tontura.

Remédios resolvem VPPB?

Medicamentos podem ajudar a aliviar náuseas ou mal-estar em alguns momentos, mas não corrigem a causa mecânica da VPPB, que é o deslocamento dos cristais no ouvido interno. Por isso, o tratamento principal costuma ser a manobra de reposicionamento, não o uso prolongado de remédios para tontura.

A diretriz da AAO-HNS tem como um dos objetivos reduzir o uso inadequado de medicamentos supressores vestibulares e aumentar o uso de manobras terapêuticas apropriadas.

Usar remédios por conta própria pode mascarar sintomas, causar sonolência e aumentar risco de quedas, principalmente em idosos.

VPPB pode voltar?

Sim. A VPPB pode recorrer. Algumas pessoas têm um único episódio na vida, enquanto outras apresentam crises repetidas ao longo dos anos. Quando os episódios são recorrentes, pode ser necessário investigar fatores associados e orientar manobras ou reabilitação vestibular.

Mesmo quando melhora, é importante procurar nova avaliação se os sintomas voltarem com padrão diferente, se houver sinais neurológicos ou se a tontura passar a ser contínua.

Quando a tontura pode ser sinal de algo grave?

Nem toda vertigem é VPPB. Alguns sinais de alerta sugerem que a causa pode ser neurológica, cardiovascular, infecciosa ou outra condição que exige atendimento rápido.

Procure atendimento imediatamente se a tontura vier acompanhada de:

  • Fraqueza em um lado do corpo;

  • Boca torta;

  • Dificuldade para falar;

  • Confusão mental;

  • Desmaio;

  • Dor no peito;

  • Falta de ar;

  • Dor de cabeça súbita e muito intensa;

  • Visão dupla;

  • Perda súbita da audição;

  • Dificuldade importante para andar;

  • Febre alta e rigidez na nuca;

  • Vômitos persistentes com desidratação.

Esses sinais não são típicos de VPPB e precisam de avaliação urgente.

O que fazer durante uma crise?

Durante uma crise de vertigem, o mais importante é evitar quedas.

Algumas medidas podem ajudar:

  • Sentar ou deitar com cuidado;

  • Evitar levantar rapidamente;

  • Manter os olhos abertos e fixar um ponto, se isso ajudar;

  • Evitar dirigir durante sintomas;

  • Evitar escadas ou locais altos;

  • Pedir ajuda se houver instabilidade;

  • Procurar avaliação se for a primeira crise ou se os sintomas forem intensos.

Após melhora, o ideal é procurar atendimento para confirmar a causa e, se for VPPB, realizar a manobra adequada.

Conclusão

A Vertigem Posicional Paroxística Benigna é uma causa comum de vertigem em crises rápidas, geralmente provocadas por movimentos da cabeça. Ela ocorre quando pequenos cristais do ouvido interno se deslocam para os canais semicirculares e enviam sinais incorretos ao cérebro.

Embora seja benigna, a VPPB pode causar muito desconforto e aumentar risco de quedas. O diagnóstico costuma ser feito por testes clínicos, como a manobra de Dix-Hallpike, e o tratamento mais efetivo geralmente envolve manobras de reposicionamento, como a manobra de Epley.

Tontura não deve ser tratada automaticamente como “Labirintite”. Identificar a causa correta é essencial, principalmente quando há sinais de alerta como fraqueza, fala alterada, desmaio, dor no peito, visão dupla ou perda auditiva súbita.

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