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Coccidioidomicose: a infecção pulmonar causada por fungos do deserto

Coccidioidomicose

A coccidioidomicose é uma infecção causada pelos fungos Coccidioides immitis e Coccidioides posadasii, encontrados principalmente em áreas áridas e semiáridas das Américas. A doença é mais conhecida como “febre do vale”, pois ocorre com frequência em regiões do deserto sudoeste dos Estados Unidos.

Embora menos comum no Brasil, casos já foram identificados, especialmente em pessoas que retornam de viagens às áreas endêmicas. O fungo é adquirido pela inalação de esporos presentes no solo, e a infecção costuma afetar principalmente os pulmões, podendo se espalhar para outros órgãos em casos raros.

Com manifestações que variam de assintomáticas a graves, a coccidioidomicose exige atenção médica quando há febre persistente, tosse prolongada, fadiga intensa ou sintomas respiratórios após viagens a regiões de risco.

O que é coccidioidomicose

A coccidioidomicose é uma micose sistêmica causada pela inalação de esporos fúngicos presentes no solo seco e poeirento. Os esporos se tornam aerossolizados quando o solo é perturbado por ventos fortes, escavações ou atividades agrícolas.

A infecção atinge principalmente os pulmões, onde os esporos se transformam e iniciam o processo inflamatório. Em muitos casos, o organismo controla a infecção espontaneamente; em outros, ela evolui para formas graves.

Alguns padrões ajudam a reconhecer a doença:

  • febre prolongada;

  • tosse seca ou produtiva;

  • dor torácica;

  • cansaço extremo;

  • perda de peso;

  • suores noturnos.

Os sintomas geralmente aparecem entre 1 e 3 semanas após a exposição.

Formas clínicas da coccidioidomicose

A doença apresenta espectro amplo, desde infecções assintomáticas até formas disseminadas que atingem pele, ossos e sistema nervoso central.

Forma pulmonar primária

É a mais comum e costuma ser leve, com sintomas semelhantes aos da gripe:

  • febre;

  • tosse;

  • dor torácica;

  • mal-estar;

  • dores articulares.

A maioria dos pacientes se recupera espontaneamente.

Forma pulmonar complicada

Alguns indivíduos desenvolvem quadros mais severos, como:

  • pneumonia extensa;

  • derrame pleural;

  • nódulos pulmonares;

  • cavitações pulmonares.

Forma disseminada

É rara, porém grave, e ocorre quando o fungo se espalha para outros órgãos. Pode atingir a pele, ossos, articulações, fígado e meninges. Além disso, pacientes imunossuprimidos apresentam maior risco.

Quem está mais vulnerável à coccidioidomicose

Embora qualquer pessoa possa ser infectada, certos grupos apresentam maior risco de desenvolver formas graves.

Os grupos vulneráveis incluem:

  • imunossuprimidos;

  • pessoas com HIV;

  • receptores de transplantes;

  • gestantes (especialmente no terceiro trimestre);

  • idosos;

  • diabéticos;

  • pessoas expostas a grandes quantidades de poeira.

Além disso, trabalhadores rurais e militares em áreas endêmicas têm maior chance de exposição.

Como ocorre a transmissão da coccidioidomicose

A transmissão ocorre exclusivamente pela inalação de esporos presentes no ambiente. Não há transmissão direta entre pessoas ou animais.

Situações comuns de exposição incluem:

  • tempestades de poeira;

  • escavações;

  • construção civil;

  • agricultura em solo seco;

  • trilhas em regiões áridas.

A prevenção depende do controle da exposição ao solo seco e da proteção respiratória em áreas endêmicas.

Sintomas respiratórios que merecem investigação

A coccidioidomicose pode se confundir com gripe, resfriado ou pneumonia, e por isso o diagnóstico é frequentemente atrasado.

Os sintomas mais frequentes são:

  • tosse persistente;

  • febre prolongada;

  • falta de ar;

  • cansaço extremo;

  • perda de peso;

  • dor torácica.

Quando a doença se dissemina, podem surgir lesões de pele, artralgias e dor óssea.

Complicações da coccidioidomicose

Alguns pacientes evoluem com complicações importantes, especialmente quando há demora no diagnóstico.

As complicações mais relatadas incluem:

  • pneumonia grave;

  • derrame pleural;

  • cavitações pulmonares;

  • disseminação cutânea;

  • osteomielite;

  • meningite fúngica.

A meningite por Coccidioides é uma das formas mais graves e pode ser fatal sem tratamento adequado.

Como é feito o diagnóstico da coccidioidomicose

O diagnóstico requer combinação de exames clínicos, laboratoriais e radiológicos.

Os exames mais utilizados incluem:

  • sorologias específicas;

  • cultura fúngica (em casos selecionados);

  • PCR para Coccidioides;

  • radiografia de tórax;

  • tomografia de tórax;

  • biópsias quando há lesões cutâneas.

O histórico de viagens e exposição ao solo seco é fundamental para orientar o médico.

Tratamento da coccidioidomicose

Nem todos os casos precisam de tratamento antifúngico. Pacientes saudáveis com formas leves geralmente apresentam recuperação espontânea. Já os quadros graves e indivíduos imunossuprimidos requerem terapia medicamentosa.

Os medicamentos mais utilizados incluem:

  • fluconazol;

  • itraconazol;

  • anfotericina B (em casos severos).

O tempo de tratamento varia de alguns meses a anos nos casos disseminados.

Como prevenir a coccidioidomicose

A prevenção depende principalmente da redução da exposição a poeira e solo seco em áreas endêmicas.

Algumas medidas importantes incluem:

  • uso de máscaras adequadas (N95) em ambientes com poeira;

  • evitar escavações desnecessárias;

  • manter ambientes fechados durante tempestades de poeira;

  • umedecer o solo antes de atividades agrícolas;

  • utilizar proteção respiratória no trabalho.

Viajantes devem estar cientes dos riscos em regiões áridas.

Conclusão

A coccidioidomicose é uma infecção fúngica adquirida pela inalação de esporos presentes em solos de regiões áridas. Embora muitos casos sejam leves e se resolvam espontaneamente, quadros graves podem ocorrer, especialmente em indivíduos vulneráveis.

Reconhecer sintomas respiratórios persistentes após viagens a áreas endêmicas, procurar avaliação médica e iniciar tratamento adequado são medidas essenciais para evitar complicações graves, como pneumonia extensa e meningite.

Com cuidado, diagnóstico precoce e prevenção, é possível reduzir significativamente os impactos dessa infecção.

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