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Cólicas: quando a dor em ondas é comum e quando merece atenção

  • há 2 dias
  • 5 min de leitura
Cólicas

As Cólicas são dores que costumam aparecer em ondas, com períodos de piora e alívio. Podem surgir no abdome, na pelve, nas costas ou em regiões próximas, dependendo da causa. Embora muitas pessoas associem o termo apenas à menstruação, existem vários tipos de Cólicas, como as menstruais, intestinais, renais, biliares e até aquelas relacionadas a gases ou alterações digestivas.

Em muitos casos, a cólica é passageira e melhora com medidas simples. Porém, quando a dor é intensa, persistente, vem acompanhada de febre, vômitos, desmaio, sangramento anormal, barriga muito inchada ou piora progressiva, ela pode indicar algo que precisa de avaliação médica. O Manual Merck destaca que dor abdominal aguda e intensa pode ser sinal de doença intra-abdominal importante e deve ser avaliada rapidamente, especialmente quando há sinais de choque, dor contínua importante ou distensão abdominal.

O que são Cólicas?

As Cólicas são dores causadas, em geral, por contrações, distensão ou irritação de órgãos ocos, como intestino, útero, vias urinárias ou vesícula biliar. Por isso, a dor pode parecer “apertar e soltar”, variar de intensidade e surgir em crises.

A localização da dor ajuda a pensar nas possíveis causas:

Local da dor

Possíveis causas

Baixo ventre

Cólica menstrual, alterações ginecológicas, infecção urinária

Abdome difuso

Gases, constipação, viroses, Síndrome do Intestino Irritável

Lado direito superior

Cólica biliar, problemas na vesícula

Região lombar com irradiação

Cólica renal

Abdome com diarreia

Infecção intestinal, intolerâncias, irritação digestiva

A dor em cólica não define sozinha o diagnóstico. O tempo de duração, a intensidade, os sintomas associados e o histórico da pessoa são fundamentais para entender a causa.

Cólica menstrual: uma das causas mais conhecidas

A Cólica Menstrual, também chamada de dismenorreia, é uma dor que aparece antes ou durante o período menstrual. Ela ocorre porque o útero se contrai para eliminar o revestimento interno, processo influenciado por substâncias chamadas prostaglandinas. A Mayo Clinic explica que Cólicas Menstruais são dores pulsáteis ou em cólica na parte inferior do abdome, podendo começar antes ou durante a menstruação.

Ela pode causar:

  • Dor no baixo ventre;

  • Dor nas costas;

  • Dor que irradia para as pernas;

  • Náuseas;

  • Cansaço;

  • Dor de cabeça;

  • Alteração do intestino em algumas pessoas.

Nem toda Cólica Menstrual é igual. Quando a dor é leve a moderada e melhora com medidas simples, pode fazer parte do ciclo. Mas dor incapacitante, que impede escola, trabalho ou atividades diárias, não deve ser normalizada. O NHS orienta procurar avaliação quando a dor menstrual impede atividades habituais, torna-se mais intensa, mais irregular ou vem acompanhada de dor ao urinar, evacuar, sangramento fora do período, perda de peso ou barriga inchada.

Quando a Cólica Menstrual pode indicar outro problema?

A Cólica Menstrual pode ser primária, quando não há uma doença ginecológica associada, ou secundária, quando existe uma causa por trás da dor.

Algumas condições que podem causar Cólicas mais intensas incluem:

  • Endometriose;

  • Adenomiose;

  • Miomas;

  • Doença inflamatória pélvica;

  • Cistos ovarianos;

  • Alterações uterinas;

  • Uso de DIU em algumas situações.

Alguns sinais sugerem que a cólica precisa de investigação:

  • Dor que começa de forma intensa após anos de ciclos sem dor;

  • Piora progressiva a cada mês;

  • Dor fora do período menstrual;

  • Sangramento muito intenso;

  • Sangramento entre menstruações;

  • Dor associada a febre;

  • Dor que não melhora com tratamentos habituais;

  • Dificuldade para manter atividades normais.

A Mayo Clinic recomenda procurar atendimento quando as Cólicas Menstruais atrapalham a vida todo mês, pioram progressivamente ou começam de forma intensa após os 25 anos.

Cólicas intestinais: gases, constipação e alterações do intestino

As Cólicas Intestinais costumam estar relacionadas à distensão do intestino por gases, constipação, infecções, intolerâncias alimentares ou alterações funcionais, como a Síndrome do Intestino Irritável.

A Síndrome do Intestino Irritável pode causar dor abdominal recorrente relacionada às evacuações, associada a diarreia, constipação ou alternância entre os dois. O NIDDK descreve como sintomas comuns da Síndrome do Intestino Irritável a dor abdominal relacionada às evacuações e mudanças no padrão intestinal, como diarreia, constipação ou ambos.

As Cólicas Intestinais podem vir acompanhadas de:

  • Barriga inchada;

  • Gases;

  • Diarreia;

  • Constipação;

  • Sensação de evacuação incompleta;

  • Náuseas;

  • Ruídos intestinais;

  • Alívio parcial após evacuar.

Quando a dor intestinal é leve e associada a alimentação, gases ou constipação, pode melhorar com hidratação, fibras, alimentação equilibrada e rotina intestinal adequada. Porém, dor intensa, febre, sangue nas fezes, perda de peso, vômitos persistentes ou diarreia intensa exigem avaliação.

Cólica renal: dor forte nas costas ou lateral do abdome

A Cólica Renal costuma ocorrer quando há obstrução no trato urinário, muitas vezes por cálculo renal. A dor geralmente é forte, em ondas, localizada nas costas ou na lateral do abdome, podendo irradiar para a região inferior do abdome.

Pode vir acompanhada de:

  • Náuseas;

  • Vômitos;

  • Sangue na urina;

  • Ardência ao urinar;

  • Vontade frequente de urinar;

  • Inquietação pela intensidade da dor.

Dor intensa associada a febre, calafrios, vômitos persistentes ou dificuldade para urinar exige atendimento urgente, pois pode indicar infecção associada ou obstrução importante.

Cólica biliar: quando a vesícula pode estar envolvida

A Cólica Biliar costuma estar relacionada a cálculos na vesícula. A dor aparece mais frequentemente na parte superior direita do abdome ou na região central superior, podendo irradiar para as costas ou ombro direito.

Ela pode surgir após refeições mais gordurosas e vir acompanhada de náuseas ou vômitos. Quando há febre, pele ou olhos amarelados, urina escura ou dor persistente, é necessário procurar atendimento, pois pode haver inflamação da vesícula ou obstrução das vias biliares.

Cólicas em crianças

Em crianças, a palavra “cólica” pode ser usada para diferentes situações. Em bebês pequenos, pode estar relacionada a imaturidade digestiva, gases e choro frequente. Em crianças maiores, dor abdominal pode surgir por constipação, viroses, intolerâncias alimentares, infecção urinária ou outras causas.

Atenção especial quando a criança apresenta:

  • Dor muito intensa;

  • Febre;

  • Vômitos repetidos;

  • Barriga distendida;

  • Sonolência excessiva;

  • Sangue nas fezes;

  • Recusa alimentar persistente;

  • Dor localizada que piora ao tocar;

  • Sinais de desidratação.

Nesses casos, a avaliação pediátrica é importante.

O que pode aliviar Cólicas leves?

O alívio depende da causa. Para Cólicas Menstruais leves, algumas medidas podem ajudar, como compressa morna, repouso relativo, hidratação e medicamentos analgésicos ou anti-inflamatórios quando indicados e seguros para a pessoa. Para Cólicas Intestinais associadas a gases ou constipação, pode ajudar melhorar a ingestão de líquidos, ajustar fibras, evitar alimentos que desencadeiam sintomas e manter atividade física regular.

Medidas gerais que podem ajudar em quadros leves:

  • Beber água ao longo do dia;

  • Evitar refeições muito pesadas quando há desconforto digestivo;

  • Usar calor local em algumas situações;

  • Observar alimentos que pioram sintomas;

  • Manter rotina intestinal;

  • Evitar automedicação repetida;

  • Procurar avaliação se a dor se repetir com frequência.

É importante lembrar que analgésicos e anti-inflamatórios não são seguros para todos. Pessoas com Gastrite, Úlcera, doença renal, uso de anticoagulantes, alergias, gravidez ou doenças crônicas devem ter orientação profissional antes de usar medicamentos.

Quando procurar atendimento médico?

Algumas Cólicas precisam ser avaliadas rapidamente. Procure atendimento se houver:

  • Dor abdominal intensa ou súbita;

  • Dor que não melhora ou piora progressivamente;

  • Febre;

  • Vômitos persistentes;

  • Desmaio, palidez ou suor frio;

  • Sangue nas fezes ou na urina;

  • Fezes muito escuras;

  • Barriga muito inchada;

  • Rigidez abdominal;

  • Dor durante a gravidez;

  • Sangramento vaginal intenso ou fora do padrão;

  • Perda de peso sem explicação;

  • Dor que impede atividades habituais;

  • Cólicas que se repetem com frequência.

O Manual Merck aponta como sinais de alerta na dor abdominal aguda a dor intensa, sinais de choque, dor que piora ao toque ou movimento e distensão abdominal.

Conclusão

As Cólicas são dores em ondas que podem ter várias causas. Podem ser menstruais, intestinais, renais, biliares ou relacionadas a outras condições do abdome e da pelve. Muitas são leves e passageiras, mas algumas indicam problemas que exigem investigação.

O mais importante é observar o padrão da dor: onde dói, quando começou, quanto tempo dura, se melhora ou piora com alguma coisa e quais sintomas aparecem junto. Cólicas muito fortes, recorrentes, incapacitantes ou acompanhadas de febre, vômitos, sangramento, perda de peso ou alteração importante do estado geral não devem ser ignoradas.

Dor frequente é um sinal do corpo. Entender a causa é o primeiro passo para tratar corretamente e evitar complicações.

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