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Nova diretriz nacional para autismo: orientações atualizadas para diagnóstico e tratamento

Nova diretriz nacional para autismo

A mais recente diretriz nacional para o autismo orienta profissionais de saúde, educação e familiares sobre o diagnóstico precoce, o tratamento baseado em evidências e a atenção multidisciplinar à pessoa com TEA. O propósito é oferecer uma abordagem mais eficiente e centrada na pessoa, com foco em qualidade de vida e inclusão.

Por que atualizar a diretriz para o autismo

O autismo é uma condição complexa que afeta o desenvolvimento da comunicação, interação social e comportamento. Com o avanço das pesquisas e a evolução dos critérios diagnósticos internacionais, tornou-se necessário revisar as práticas clínicas, ampliar o acesso e padronizar o cuidado no país. A nova diretriz surge para garantir que crianças, adolescentes e adultos com TEA tenham acesso a diagnóstico mais cedo, tratamento adequado e acompanhamento contínuo, com base em evidências científicas e práticas reconhecidas.

O que muda com a nova diretriz

Entre as principais mudanças da diretriz para o autismo estão:

  • Foco no diagnóstico precoce, destacando sinais de alerta já nos primeiros meses de vida;

  • Uso de ferramentas de rastreamento padronizadas na atenção primária à saúde;

  • Adoção de um Projeto Terapêutico Individualizado para cada pessoa com TEA, envolvendo família, educação, saúde e reabilitação;

  • Integração da rede de atenção (básica, especializada e hospitalar) com os serviços de educação e assistência social;

  • Ênfase em abordagens baseadas em evidências científicas, como intervenções comportamentais, fonoaudiologia, terapia ocupacional e apoio familiar.

Essas mudanças tornam o processo mais transparente, organizado e centrado no indivíduo e na sua família, promovendo inclusão e melhorando a trajetória ao longo da vida.

Entre os principais pontos, estão:



  • História e observação clínica: avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor, antecedentes gestacionais e familiares, além da observação direta e entrevista com os pais.

  • Escalas de avaliação e rastreio: uso de ferramentas como M-Chat, CARS-2, ADI-R e ADOS-2, como apoio à avaliação clínica.

  • Determinação do nível de suporte: definição dos níveis 1, 2 e 3 conforme o DSM-5, com cautela em crianças pequenas.

  • Investigação complementar: exames laboratoriais e de imagem não são essenciais para o diagnóstico, mas podem auxiliar em diagnósticos diferenciais.

  • Como identificar sinais precoces de autismo

Orientações para o diagnóstico


Detectar o autismo cedo faz diferença no desenvolvimento e no prognóstico. Fique atento a sinais como:

  • atraso ou ausência de sorriso social, contato visual ou resposta ao nome;

  • pouca ou nenhuma fala em idade esperada, ou fala atípica;

  • movimentos repetitivos ou foco fixo em objetos;

  • dificuldade para brincar de faz-de-conta ou interagir com outras crianças;

  • sensibilidade excessiva ou reduzida a sons, luzes ou texturas.

Quanto mais cedo for feita a triagem e o encaminhamento, mais eficaz pode ser a intervenção.

Diagnóstico e encaminhamento segundo a diretriz

O diagnóstico do TEA permanece clínico, realizado por equipe multiprofissional e com base na observação comportamental, histórico de desenvolvimento e aplicação de escalas específicas. Após a triagem na atenção primária, o encaminhamento para avaliação especializada deve ser ágil.

Os pontos-chave da diretriz incluem:

  • utilização de instrumentos validados para rastreamento e diagnóstico;

  • avaliação de comorbidades (como TDAH, ansiedade ou atraso no desenvolvimento);

  • definição de grau de suporte necessário para cada pessoa (nível leve, moderado ou grave);

  • elaboração do plano terapêutico que considere contexto familiar, escolar e comunitário.

Tratamento e acompanhamento contínuo

A diretriz evidencia que o tratamento do autismo não se resume a um único método, mas sim a um conjunto integrado de abordagens, adaptadas aos interesses, necessidades e ritmo de cada pessoa.

Entre as intervenções orientadas estão:

  • intervenções comportamentais intensivas, que ajudam na comunicação e nas habilidades sociais;

  • terapia fonoaudiológica, para apoiar a fala, a linguagem e a comunicação não verbal;

  • terapia ocupacional, para desenvolver habilidades do dia a dia e sensoriais;

  • apoio à família, com orientação, formação e suporte emocional;

  • acompanhamento escolar inclusivo, com adaptações e suporte especializado;

  • revisão periódica do plano terapêutico e avaliação de progresso.

Esse modelo favorece a autonomia, a participação social e o acesso à educação e saúde com qualidade.

O papel da família e da escola

A nova diretriz reforça que a família e a escola têm papel central no cuidado da pessoa com autismo. A colaboração entre saúde, educação e assistência social é fundamental. Algumas práticas importantes incluem:

  • comunicação constante entre pais, profissionais de saúde e professores;

  • adaptação do ambiente escolar e familiar às necessidades sensoriais e de aprendizagem;

  • envolvimento dos cuidadores no processo de intervenção, com capacitação adequada;

  • promoção de inclusão real, evitando isolamento ou rotulação;

  • monitoramento contínuo dos avanços e das dificuldades, com ajustes no plano sempre que necessário.

Essas ações garantem que o autista e sua rede de apoio recebam atenção integral e coordenada.

Benefícios esperados com a diretriz

As mudanças previstas na diretriz para o autismo visam:

  • reduzir o tempo entre suspeita e diagnóstico;

  • melhorar a eficácia do tratamento, com melhores resultados funcionais;

  • aumentar a qualidade de vida da pessoa com TEA e de sua família;

  • promover inclusão social, educacional e laboral ao longo da vida;

  • gerar melhor uso dos recursos públicos e privados, com práticas baseadas em evidências.

Com isso, o Brasil avança na garantia de direitos e no cuidado integral da pessoa com autismo.

Conclusão

A nova diretriz nacional para o autismo representa um avanço importante na forma como essa condição é diagnosticada, acompanhada e tratada. O foco no diagnóstico precoce, as intervenções baseadas em evidências e a articulação entre saúde, educação e família mostram um caminho mais eficaz e humano para as pessoas com TEA.

Se você suspeita de autismo em uma criança ou conhece alguém que precise de apoio, busque avaliação especializada. A atenção oportuna e o suporte correto fazem toda a diferença ao longo da vida.


Informações: G1


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