Novas diretrizes para desengasgo: o que mudou e como agir em emergências
- medicinaatualrevis
- 4 de dez. de 2025
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A atualização das diretrizes de desengasgo divulgada recentemente trouxe mudanças importantes nas manobras utilizadas para remover a obstrução das vias aéreas em situações de emergência. O objetivo é tornar o atendimento mais simples, mais seguro e mais eficaz, especialmente para bebês, crianças pequenas e adultos conscientes.
O engasgo é uma causa frequente de atendimentos de urgência e pode evoluir rapidamente para parada respiratória. Por isso, conhecer as novas recomendações é essencial tanto para profissionais de saúde quanto para cuidadores e para o público geral. As mudanças tornam as condutas mais uniformes entre faixas etárias e reforçam o papel das pancadas nas costas como primeira intervenção.
Novas diretrizes para desengasgo
Em outubro de 2025, a American Heart Association (AHA) publicou a atualização oficial das Diretrizes de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) e Cuidados de Emergência, revisando também o protocolo de desengasgo para bebês, crianças e adultos.
As mudanças incorporam novas evidências científicas que demonstram maior eficácia e segurança ao iniciar o atendimento com pancadas nas costas antes das compressões, além de atualizar a técnica usada em lactentes. Esses ajustes tornam o passo a passo mais uniforme, simples e acessível para profissionais e para o público geral.
As manobras anteriores tinham diferenças significativas entre idades, especialmente na forma de realizar compressões em bebês. Além disso, a técnica de iniciar o atendimento diretamente com a manobra abdominal não se mostrou a mais segura em todos os casos.
Com base em novas análises de eficácia, segurança e facilidade de execução, o grupo responsável pelas diretrizes optou por padronizar os passos e priorizar movimentos que geram menos risco de lesão e maior chance de expulsão do corpo estranho.
Entre os principais motivos para a atualização estão:
necessidade de reduzir erros durante o atendimento;
padronização do protocolo para facilitar o ensino;
prevenção de lesões internas, especialmente em bebês;
maior eficácia quando as pancadas nas costas são realizadas primeiro;
simplificação do passo a passo para leigos.
O novo protocolo reforça que manobras diferentes devem ser aplicadas em bebês menores de 1 ano e em crianças maiores e adultos, mas agora com um modelo mais coerente entre si.
Como identificar um engasgo verdadeiro
Antes de iniciar qualquer manobra, é fundamental reconhecer os sinais de obstrução. Engasgos graves ocorrem quando há bloqueio importante da passagem de ar, impedindo a respiração adequada.
Os sinais de alerta incluem:
incapacidade de tossir;
ausência de sons ao tentar respirar;
mudança de cor no rosto, especialmente cianose (arroxeado);
movimentos ineficazes de respiração;
expressão de pânico;
queda brusca do nível de consciência em casos mais graves.
Se a pessoa ainda consegue tossir, incentive a tosse. Se não houver tosse eficiente ou se o quadro evoluir para silêncio respiratório, as manobras devem ser iniciadas imediatamente.
Desengasgo em bebês menores de 1 ano
Essa é a faixa etária com maior sensibilidade e, portanto, a que recebeu mudanças mais relevantes nas diretrizes.
Passo a passo atualizado
Verifique se o bebê está realmente engasgado: ele não consegue tossir, chorar, respirar, muda de cor ou fica molinho.
Apoie-o de bruços sobre o antebraço, com a cabeça mais baixa que o corpo.
Dê cinco pancadas firmes nas costas, entre as escápulas.
Vire o bebê de barriga para cima e faça cinco compressões torácicas no centro do peito, com a base da palma da mão.
Alterne os dois movimentos até o objeto sair ou o bebê perder a consciência.
Não introduza os dedos na boca se o corpo estranho não estiver visível.
Se o bebê desmaiar, inicie a reanimação (RCP): 30 compressões no peito com os dois polegares + 2 ventilações.
A mudança da técnica de compressão, agora usando a palma da mão, aumenta a estabilidade e diminui o risco de lesão.

Desengasgo em crianças maiores e adultos
As diretrizes tornaram o processo mais simples ao uniformizar os passos para todas as idades acima de 1 ano.
Passo a passo atualizado
Confirme se há obstrução total — ausência de tosse, som ou respiração.
Posicione-se atrás da vítima, levemente inclinado para frente.
Dê cinco pancadas firmes nas costas com o calcanhar da mão.
Se o objeto não sair, realize cinco compressões abdominais (manobra de Heimlich):
Feche um punho e posicione-o acima do umbigo e abaixo do osso do peito.
Segure o punho com a outra mão e comprima com força para dentro e para cima.
Alterne as pancadas e compressões até que o objeto seja expelido ou a pessoa perca a consciência.
Se a vítima desmaiar, deite-a e inicie as compressões torácicas no ritmo da RCP tradicional (100 a 120 por minuto).
Essa sequência se mostrou mais eficaz e menos lesiva, reduzindo a chance de danos internos e facilitando a lembrança do procedimento por leigos.

Cuidados importantes após a desobstrução
Mesmo quando o corpo estranho é expulso, existe risco de irritação das vias aéreas, lesões internas, microaspiração ou permanência de fragmentos. Por isso:
A vítima deve ser avaliada por um profissional de saúde.
Se o engasgo ocorreu com alimento duro, pequenos pedaços podem permanecer na via aérea.
Se houve perda de consciência em algum momento, a avaliação deve ser feita com urgência.
Em bebês, o atendimento médico é sempre obrigatório após as manobras.
Uma observação importante: jamais introduza os dedos na boca da vítima se o objeto não estiver claramente visível. Isso pode empurrá-lo ainda mais para dentro.
Por que todos deveriam aprender as manobras atualizadas
O engasgo é uma emergência súbita e pode ser fatal em poucos minutos. A maior parte dos episódios ocorre em casa, na presença de familiares e não de profissionais de saúde.
Por isso, conhecer o procedimento correto pode:
prevenir óbitos evitáveis;
reduzir sequelas relacionadas à falta de oxigênio;
permitir resposta rápida antes da chegada do socorro;
aumentar a sobrevivência em situações de alto risco.
As novas diretrizes reforçam que a capacitação deve ser ampla, acessível e compartilhada entre pais, professores, cuidadores, profissionais e população em geral.
Conclusão
As novas recomendações para desengasgo tornam o atendimento mais efetivo e seguro, priorizando as pancadas nas costas como primeira abordagem e padronizando as manobras entre diferentes faixas etárias. Em bebês, a mudança no modo de realizar as compressões torácicas reforça a necessidade de cuidado especial.
Saber agir rapidamente diante de um engasgo pode salvar vidas. As atualizações tornam esse conhecimento mais simples, claro e acessível e devem ser incorporadas aos treinamentos de primeiros socorros e à prática clínica cotidiana.
Fonte: G1



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