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Otite externa: dor de ouvido depois da piscina pode ser sinal de inflamação

  • 7 de mai.
  • 5 min de leitura

A Otite externa é uma inflamação ou infecção que acomete o canal auditivo externo, a região que vai da entrada do ouvido até a membrana timpânica. Ela é popularmente conhecida como “otite do nadador”, porque pode aparecer com mais frequência após contato repetido com água, especialmente em piscina, mar ou banho prolongado. A umidade facilita a irritação da pele do canal auditivo e favorece a proliferação de microrganismos.

Apesar de ser muito comum no verão, a Otite externa também pode ocorrer em qualquer época do ano. O uso de cotonetes, fones de ouvido, tampões auriculares, arranhões no canal auditivo e dermatites da pele também podem contribuir para o problema. Em geral, a principal queixa é uma dor de ouvido intensa, que costuma piorar ao tocar ou puxar a orelha.

O que é Otite externa?

A Otite externa é uma inflamação da pele que reveste o canal auditivo externo. Essa pele é delicada e pode sofrer pequenas lesões quando há excesso de umidade, manipulação inadequada ou retirada excessiva da cera.

A cera de ouvido, chamada de cerume, muitas vezes é vista como sujeira, mas tem função protetora. Ela ajuda a lubrificar, proteger e dificultar a entrada de agentes irritantes. Quando a pessoa limpa o ouvido com força ou introduz objetos no canal auditivo, essa barreira pode ser prejudicada.

Na prática, a Otite externa pode surgir quando há combinação de três fatores:

  • Umidade dentro do ouvido;

  • Pequenas lesões na pele do canal auditivo;

  • Proliferação de bactérias ou fungos.

A causa mais comum costuma ser bacteriana, e a bactéria Pseudomonas aeruginosa é frequentemente associada aos quadros de Otite externa aguda.

Quais são os sintomas da Otite externa?

O sintoma mais característico é a dor de ouvido, geralmente forte e localizada. Uma pista importante é que a dor costuma piorar quando a pessoa toca a entrada do ouvido, pressiona a região próxima ao canal auditivo ou movimenta a orelha.

Outros sintomas podem incluir:

  • Coceira no ouvido;

  • Sensação de ouvido tampado;

  • Diminuição da audição;

  • Vermelhidão na entrada do ouvido;

  • Inchaço do canal auditivo;

  • Secreção no ouvido;

  • Sensibilidade local;

  • Desconforto ao mastigar;

  • Descamação da pele do canal auditivo.

A febre não costuma ser um sintoma predominante na Otite externa simples. Quando há febre, dor muito intensa, inchaço importante ao redor da orelha ou piora progressiva, é necessário procurar avaliação médica.

Otite externa é diferente de Otite média?

Sim. Essa diferença é importante.

A Otite externa acomete o canal auditivo externo, ou seja, a parte mais superficial do ouvido. Já a Otite média envolve a região atrás do tímpano, geralmente associada a infecções respiratórias, gripes ou resfriados, sendo muito comum em crianças.

Veja a diferença de forma simples:

Tipo de otite

Local afetado

Sintomas comuns

Otite externa

Canal auditivo externo

Dor ao tocar a orelha, coceira, secreção, ouvido tampado

Otite média

Região atrás do tímpano

Dor interna, febre, irritabilidade em crianças, perda auditiva temporária

Na Otite externa, a dor ao mexer na orelha é uma pista clínica muito útil. Na Otite média, o problema costuma estar mais relacionado ao ouvido médio e pode vir após sintomas respiratórios.

O que causa Otite externa?

A Otite externa pode ter várias causas e fatores desencadeantes. Entre os mais comuns estão:

  • Entrada frequente de água no ouvido;

  • Uso de cotonetes dentro do canal auditivo;

  • Pequenos traumas causados por unhas ou objetos;

  • Uso prolongado de fones intra-auriculares;

  • Tampões de ouvido mal higienizados;

  • Excesso de limpeza do cerume;

  • Dermatite seborreica, eczema ou psoríase;

  • Uso inadequado de gotas auriculares;

  • Ambientes quentes e úmidos.

O uso de cotonetes é um dos hábitos mais problemáticos. Além de empurrar a cera para dentro, pode machucar a pele do canal auditivo. Essa pequena lesão pode facilitar inflamação e infecção.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da Otite externa é clínico, feito pelo médico a partir dos sintomas e do exame do ouvido com otoscópio. Durante a avaliação, o profissional observa se há vermelhidão, inchaço, secreção, descamação ou estreitamento do canal auditivo.

Em alguns casos, quando há secreção persistente, infecção recorrente, suspeita de fungos ou falta de resposta ao tratamento inicial, o médico pode solicitar exames complementares ou encaminhar para o otorrinolaringologista.

Como é o tratamento da Otite externa?

O tratamento depende da intensidade do quadro, da causa provável e da condição do ouvido. Em muitos casos, envolve medidas locais, controle da dor e uso de medicamentos em gotas prescritos pelo médico.

As medidas mais comuns incluem:

  • Analgésicos para controle da dor, quando indicados;

  • Gotas auriculares com antibiótico, antifúngico ou anti-inflamatório, conforme avaliação;

  • Limpeza do canal auditivo por profissional de saúde, quando há secreção ou acúmulo importante;

  • Manter o ouvido seco durante o tratamento;

  • Evitar piscina, mar e entrada de água no ouvido até melhora;

  • Não usar cotonetes ou objetos dentro do canal auditivo.

O tratamento tópico é uma das principais estratégias para Otite externa aguda, mas a escolha da gota depende do exame do ouvido. Algumas medicações não devem ser usadas se houver suspeita de perfuração do tímpano ou tubos de ventilação, por isso não é recomendado pingar qualquer produto sem orientação médica.

Pode pingar álcool, óleo ou receita caseira no ouvido?

Não é recomendado.

Receitas caseiras podem irritar ainda mais a pele do canal auditivo, piorar a dor ou causar complicações, especialmente se houver perfuração no tímpano. O ouvido é uma estrutura delicada, e nem toda dor de ouvido é Otite externa.

Também não se deve colocar no ouvido:

  • Álcool;

  • Óleo;

  • Vinagre sem orientação;

  • Água oxigenada;

  • Pomadas;

  • Gotas antigas guardadas em casa;

  • Misturas caseiras;

  • Objetos para “desentupir” o canal.

A conduta mais segura é procurar avaliação médica, principalmente quando há dor intensa, secreção ou perda auditiva.

Quando a Otite externa pode ser grave?

A maioria dos casos melhora bem com tratamento adequado. Porém, algumas situações exigem mais cuidado.

Procure atendimento médico com urgência se houver:

  • Dor muito intensa;

  • Febre;

  • Inchaço ao redor da orelha;

  • Vermelhidão se espalhando pela face;

  • Secreção com mau cheiro;

  • Perda auditiva importante;

  • Tontura;

  • Diabetes;

  • Imunidade baixa;

  • Uso de quimioterapia ou imunossupressores;

  • Falta de melhora após tratamento inicial.

Pessoas com Diabetes ou imunossupressão merecem atenção especial, porque existe risco de formas mais graves, como a Otite externa necrosante, também chamada de Otite externa maligna. Essa condição é rara, mas potencialmente grave e exige avaliação médica especializada.

Como prevenir Otite externa?

Alguns hábitos simples ajudam a reduzir o risco de Otite externa, especialmente em pessoas que têm episódios repetidos.

Medidas úteis incluem:

  • Secar a parte externa da orelha após banho, piscina ou mar;

  • Inclinar a cabeça para ajudar a água a sair;

  • Evitar cotonetes dentro do canal auditivo;

  • Não coçar o ouvido com unhas, grampos ou objetos;

  • Higienizar fones e tampões auriculares;

  • Evitar uso prolongado de tampões úmidos;

  • Procurar atendimento se houver coceira persistente ou descamação;

  • Tratar dermatites da pele quando presentes.

A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que a prevenção envolve evitar manipulação do canal auditivo e controlar a umidade, especialmente em crianças que têm episódios frequentes de Otite externa.

Conclusão

A Otite externa é uma inflamação do canal auditivo externo que pode causar dor intensa, coceira, secreção e sensação de ouvido tampado. Ela é comum após contato com água, mas também pode estar relacionada ao uso de cotonetes, pequenos traumas e alterações da pele.

Embora geralmente tenha boa evolução, a Otite externa precisa ser tratada corretamente. O uso de receitas caseiras ou gotas sem prescrição pode piorar o quadro, principalmente quando não se sabe se o tímpano está íntegro.

A melhor forma de prevenir é evitar excesso de umidade, não introduzir objetos no ouvido e procurar avaliação médica diante de dor persistente, secreção ou piora dos sintomas.

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