Síndrome de Alport: doença renal hereditária que afeta rins, audição e visão
- medicinaatualrevis
- 5 de dez. de 2025
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A Síndrome de Alport é uma condição genética rara que compromete principalmente os rins, mas também pode afetar audição e estruturas oculares. Ela se caracteriza por progressão gradual para insuficiência renal, hematuria persistente e alterações na membrana basal glomerular, componente essencial para a filtragem sanguínea.
Identificada na infância ou adolescência, a doença exige diagnóstico precoce, monitoramento contínuo e intervenção especializada para retardar suas complicações.
Embora rara, sua importância clínica é grande, pois sem acompanhamento adequado pode evoluir para doença renal avançada e perda auditiva significativa.
Como surge a Síndrome de Alport
A doença é causada por mutações em genes que codificam o colágeno tipo IV, proteína essencial para a estrutura das membranas basais de vários órgãos.A forma mais comum é hereditária ligada ao cromossomo X, mas também existem formas autossômicas dominantes e recessivas.
A mutação provoca:
fraqueza estrutural da membrana filtrante do glomérulo;
perda progressiva da capacidade renal;
fragilidade em estruturas auditivas;
alterações na córnea ou cristalino.
Essas alterações explicam a variedade de sintomas presentes na síndrome.
Principais sinais e sintomas renais
A doença começa de forma discreta e progressiva, geralmente com presença de sangue na urina, muitas vezes sem dor.
Ao longo do tempo podem surgir:
micro-hematuria persistente detectada em exames;
proteinúria;
hipertensão arterial;
perda gradual da função renal;
evolução para insuficiência renal crônica.
A progressão costuma ocorrer ao longo de anos ou décadas, variando conforme o tipo genético.
Por que a audição também é afetada
As membranas basais do ouvido interno compartilham características com aquelas dos rins.Por isso, alterações no colágeno IV podem comprometer a audição.
Pacientes podem apresentar:
perda auditiva neurossensorial lentamente progressiva;
dificuldade em ouvir sons agudos;
piora após infecções ou envelhecimento;
necessidade de aparelhos auditivos em fases avançadas.
O acompanhamento com otorrinolaringologista é essencial.
Alterações oculares: outro sinal importante
A Síndrome de Alport pode afetar estruturas específicas do olho.Embora nem todos os pacientes apresentem sintomas, as manifestações oculares ajudam no diagnóstico.
Entre elas estão:
lenticono anterior (deformidade no cristalino);
miopia progressiva;
catarata precoce;
alterações corneanas.
O exame oftalmológico anual é recomendado para monitoramento.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico combina história familiar, achados clínicos e exames complementares.
As etapas mais comuns incluem:
análise de urina com hematuria persistente;
avaliação de proteinúria;
função renal sérica;
audiometria;
exame oftalmológico;
estudo genético para confirmação;
biópsia renal em casos duvidosos.
Identificação precoce permite iniciar medidas conservadoras que retardam a progressão da doença.
Tratamento e acompanhamento médico
Não existe cura definitiva para Alport, mas intervenções podem retardar perda renal e melhorar sintomas.
Entre as abordagens estão:
controle rigoroso da pressão arterial;
uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) para reduzir proteinúria;
acompanhamento nefrológico regular;
suporte auditivo com fonoaudiologia;
cirurgia ocular quando necessário.
Em fases avançadas de insuficiência renal, muitos pacientes necessitam:
diálise;
transplante renal.
O transplante costuma ter bons resultados e é frequentemente indicado em estágios finais.
Impacto emocional e suporte familiar
Doenças crônicas hereditárias trazem desafios que vão além dos sintomas físicos.O paciente pode vivenciar ansiedade, estresse familiar e limitações funcionais progressivas.
O apoio multidisciplinar é fundamental:
psicologia para enfrentamento emocional;
aconselhamento genético para famílias;
grupos de suporte para troca de experiências;
acompanhamento contínuo com especialistas.
Quanto maior a rede de apoio, melhor o enfrentamento da doença.
Conclusão
A Síndrome de Alport é uma condição genética rara, mas clinicamente relevante.Ela afeta rins, audição e visão de forma progressiva, exigindo diagnóstico precoce e acompanhamento especializado. Com manejo adequado, controle pressórico e intervenções renais quando necessário, o paciente pode ter boa qualidade de vida por muitos anos.
A informação correta e o suporte familiar fazem grande diferença no tratamento.



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