Síndrome de Sturge-Weber: quando uma mancha no rosto revela algo além da pele
- medicinaatualrevis
- 31 de out. de 2025
- 4 min de leitura

A Síndrome de Sturge-Weber é uma condição congênita rara, presente desde o nascimento, que afeta principalmente a pele, o cérebro e os olhos. Sua marca mais visível é a mancha vinho do Porto — uma coloração avermelhada ou arroxeada na face —, mas o que muitos não sabem é que ela pode estar associada a alterações neurológicas e oftalmológicas importantes.
Embora não tenha cura, o diagnóstico precoce e o acompanhamento multidisciplinar podem garantir qualidade de vida e controlar as complicações.
O que é a Síndrome de Sturge-Weber
A Síndrome de Sturge-Weber (SSW) é uma síndrome neurocutânea, ou seja, uma condição que afeta tanto o sistema nervoso quanto a pele. Ela surge devido a uma malformação dos vasos sanguíneos, causada por uma mutação genética espontânea que ocorre durante o desenvolvimento do embrião — não é hereditária.
Essa malformação faz com que pequenos vasos se formem de maneira anormal em três áreas principais:
Pele, especialmente no rosto, formando a típica mancha vinho do Porto;
Cérebro, onde os vasos alterados podem causar convulsões e alterações neurológicas;
Olhos, levando a aumento da pressão intraocular (glaucoma).
Como identificar os sinais da síndrome
O primeiro sinal é geralmente a mancha vinho do Porto, visível desde o nascimento. Ela costuma se localizar em apenas um lado do rosto, frequentemente na região da testa e ao redor do olho. Apesar de ser o sintoma mais conhecido, nem toda criança com essa mancha tem a síndrome — o diagnóstico depende da presença de outros sinais clínicos.
Os principais sintomas incluem:
Convulsões nos primeiros meses ou anos de vida;
Fraqueza ou paralisia de um lado do corpo (hemiparesia);
Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor;
Problemas de visão, especialmente pelo glaucoma;
Dores de cabeça e crises semelhantes a AVC;
Diferença de crescimento entre os lados do corpo ou do rosto.
A intensidade dos sintomas varia muito de pessoa para pessoa — há casos leves e outros mais graves, dependendo da extensão das malformações vasculares.
Por que a síndrome acontece
A causa é uma mutação no gene GNAQ, que ocorre de forma aleatória ainda na fase embrionária. Essa mutação faz com que os vasos sanguíneos da pele, cérebro e olhos cresçam de maneira desordenada, alterando o fluxo de sangue e a oxigenação dos tecidos.
É importante destacar que essa alteração não é transmitida de pais para filhos, e nada durante a gestação causa ou previne a síndrome — ela simplesmente acontece de forma espontânea.
Como o diagnóstico é feito
O diagnóstico começa pela observação da mancha vinho do Porto e do histórico clínico da criança. A confirmação depende de exames complementares, como:
Ressonância magnética cerebral, para detectar vasos anormais e calcificações típicas no cérebro;
Exames oftalmológicos, que avaliam a pressão intraocular e detectam precocemente o glaucoma;
Avaliação neurológica, para investigar convulsões e atrasos de desenvolvimento;
Testes genéticos, quando disponíveis, para confirmar a mutação GNAQ.
Identificar a síndrome cedo é essencial para iniciar o tratamento e reduzir o impacto das complicações.
Tratamento e acompanhamento
Não existe cura definitiva para a Síndrome de Sturge-Weber, mas os sintomas podem ser controlados com acompanhamento médico especializado. O tratamento varia de acordo com as manifestações de cada paciente.
Convulsões: tratadas com medicamentos anticonvulsivantes, ajustados conforme a resposta clínica;
Glaucoma: pode exigir colírios de controle da pressão ocular ou, em alguns casos, cirurgia;
Mancha vinho do Porto: pode ser tratada com laser de corante pulsado, que ajuda a clarear a pele e reduzir o impacto estético;
Reabilitação motora: fisioterapia e terapia ocupacional ajudam a melhorar força e coordenação;
Apoio psicopedagógico: crianças com atraso de aprendizado podem se beneficiar de acompanhamento escolar especializado.
Além disso, consultas regulares com neurologista, oftalmologista e dermatologista são fundamentais para monitorar o progresso e adaptar o tratamento conforme necessário.
Prognóstico
O prognóstico da Síndrome de Sturge-Weber varia conforme a gravidade e a resposta ao tratamento. Quando as convulsões são bem controladas e o glaucoma é tratado precocemente, muitas pessoas conseguem levar uma vida ativa e independente.
Já em casos mais severos, pode haver comprometimento motor ou cognitivo permanente. O suporte familiar e o acompanhamento multiprofissional são decisivos para o desenvolvimento e o bem-estar geral.
Cuidados e qualidade de vida
Com o avanço da medicina e o diagnóstico precoce, o manejo da Síndrome de Sturge-Weber tem evoluído muito. Hoje, o foco está em garantir qualidade de vida, controle das crises e integração social.
Pais e cuidadores devem estar atentos a sinais de agravamento — como aumento da frequência das convulsões, piora da visão ou dificuldades motoras — e manter contato regular com a equipe médica.
A informação é uma aliada poderosa: entender a síndrome é o primeiro passo para lidar melhor com seus desafios.
Conclusão
A Síndrome de Sturge-Weber é rara, mas quando identificada e tratada desde cedo, permite que o paciente tenha uma vida plena e produtiva. Reconhecer a mancha vinho do Porto e buscar avaliação médica especializada pode fazer toda a diferença no diagnóstico e no controle das complicações neurológicas e oculares.
O conhecimento e o cuidado contínuo são as melhores ferramentas para transformar um desafio em uma história de superação.



Comentários