Vitiligo: o que é, causas e tratamento
- medicinaatualrevis
- há 14 horas
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Perceber o surgimento de manchas brancas na pele costuma gerar preocupação imediata. Muitas pessoas pensam em micose, alergia, falta de vitaminas ou até “algo que pegou”. Porém, existe uma condição bastante conhecida e importante que pode se manifestar exatamente assim: o Vitiligo.
O Vitiligo é uma doença caracterizada pela perda progressiva da pigmentação da pele. Isso acontece quando os melanócitos — células responsáveis por produzir melanina (o pigmento que dá cor à pele, cabelos e olhos) — deixam de funcionar ou são destruídos. Como consequência, surgem áreas mais claras que podem aumentar com o tempo.
Embora o Vitiligo não cause dor e não seja contagioso, ele pode ter grande impacto emocional, principalmente quando aparece no rosto, mãos, braços ou em regiões visíveis. Além disso, muitas pessoas convivem com dúvidas que aumentam o estigma: “tem cura?”, “passa para outras pessoas?”, “é câncer?”, “é sinal de imunidade baixa?”. Por isso, informação clara e correta faz muita diferença.
Neste artigo, você vai entender o que é o Vitiligo, por que ele acontece, quais são os tipos, como é feito o diagnóstico e quais tratamentos realmente funcionam.
O que é Vitiligo?
O Vitiligo é uma condição dermatológica que provoca áreas de despigmentação na pele, ou seja, regiões em que há redução ou ausência de melanina. O resultado são manchas brancas, de bordas bem definidas ou pouco delimitadas, que podem se expandir ou estabilizar ao longo do tempo.
É fundamental reforçar:
Vitiligo não é contagioso;
Vitiligo não é falta de higiene;
Vitiligo não é câncer;
Vitiligo não é “fungo” (não é micose).
A doença pode surgir em qualquer idade, mas é mais comum antes dos 30 anos. Em alguns casos, começa na infância e evolui lentamente; em outros, aparece na vida adulta após um gatilho como estresse intenso, infecções ou traumas na pele.
Por que o Vitiligo acontece?
A causa exata do Vitiligo não é sempre a mesma. Ele é considerado uma condição multifatorial, em que genética + imunidade + ambiente contribuem para o aparecimento.
A teoria mais aceita é a autoimune: o sistema imunológico passa a atacar os melanócitos por engano. Isso explicaria por que o Vitiligo se associa, em alguns casos, a outras doenças autoimunes (principalmente tireoidite).
Além disso, estudos sugerem que estresse oxidativo e disfunções celulares podem participar do processo, criando um ambiente em que os melanócitos ficam mais vulneráveis.
Fatores que podem estar associados
O Vitiligo é mais frequente em pessoas que têm:
histórico familiar (genética);
outras doenças autoimunes;
estresse emocional persistente;
traumas repetidos na pele.
Importante: estresse não é “a causa”, mas pode funcionar como gatilho ou agravante.
Vitiligo é uma doença autoimune?
Em muitos casos, sim. Não em todos de forma comprovada, mas há forte evidência. Isso se reflete em duas coisas:
Pode haver associação com doenças autoimunes (especialmente tireoide);
Parte dos tratamentos visa modular a resposta inflamatória da pele.
Quais doenças autoimunes podem estar associadas?As associações mais conhecidas incluem:
Doença da tireoide (hipotireoidismo e tireoidite autoimune);
diabetes tipo 1 (menos comum);
anemia perniciosa (mais rara);
alopecia areata (queda de cabelo autoimune).
Nem todo mundo com Vitiligo tem outra doença autoimune. Mas, por ser relativamente comum, o médico pode pedir avaliação, principalmente de tireoide.
Como são as manchas do Vitiligo?
A característica mais marcante é a presença de áreas brancas, sem pigmento. Mas existem padrões típicos.
As manchas:
são bem claras (branco leitoso);
não descamam (em geral);
não costumam coçar ou doer;
podem crescer aos poucos;
podem “aparecer” mais no verão, porque a pele ao redor bronzeia e a diferença fica evidente.
Locais mais comuns:
rosto;
mãos e dedos;
cotovelos e joelhos;
axilas;
região genital;
ao redor dos olhos e boca.
Em alguns casos, pode haver:
perda de pigmento em pelos/cabelos (poliose);
manchas em mucosas.
Tipos de Vitiligo (por que isso importa?)
O Vitiligo pode se comportar de formas diferentes, e isso interfere em prognóstico e tratamento.
1) Vitiligo não segmentar (o mais comum)
É o tipo mais frequente. Costuma ter manchas em ambos os lados do corpo (simétricas) e pode progredir de forma variável.
Subtipos:
generalizado;
acrofacial (mãos e face);
universal (mais extenso).
2) Vitiligo segmentar
Atinge uma região específica do corpo, geralmente unilateral, como se seguisse um “segmento”.
Características:
aparece mais cedo;
progride rapidamente no início;
tende a estabilizar depois.
O segmentar costuma responder de forma diferente aos tratamentos.
Vitiligo é perigoso? pode virar câncer?
Não. O Vitiligo não se transforma em câncer. O principal risco indireto é a maior sensibilidade ao sol nas áreas despigmentadas, já que a melanina é uma proteção natural.
Por isso, pessoas com Vitiligo devem ter cuidado especial com:
queimaduras solares;
exposição prolongada sem proteção.
A proteção solar é parte do tratamento e da prevenção.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é geralmente clínico, feito por dermatologista, com avaliação do padrão das manchas e história do paciente.
Algumas ferramentas ajudam:
luz de Wood, que realça as áreas despigmentadas;
em casos raros, biópsia (quando há dúvida com outras doenças).
Muitas pessoas confundem Vitiligo com micoses, como pano branco. A diferença é que o pano branco costuma descamar finamente, tem outra distribuição e não causa despigmentação verdadeira.
Diagnósticos diferenciais: o que pode parecer Vitiligo?
Algumas condições podem causar manchas claras e confundir:
Pitiríase versicolor (pano branco);
hipopigmentação pós-inflamatória (após dermatite/lesões);
pitiríase alba;
hanseníase (em manchas com alteração de sensibilidade);
leucodermia química (por exposição a substâncias).
Por isso, “mancha branca” não tem um único diagnóstico — mas Vitiligo precisa ser lembrado quando a mancha é branco-leitosa e sem descamação.
Tratamento do Vitiligo: o que realmente funciona?
A principal mensagem é: há tratamento, e os resultados variam conforme o tipo, extensão, tempo de doença e região do corpo.
O objetivo do tratamento pode ser:
estabilizar a progressão;
repigmentar manchas;
melhorar uniformidade da cor;
reduzir impacto psicológico.
1) Tratamento tópico (pomadas)
Em áreas limitadas, pomadas podem ajudar, especialmente no início.
Exemplos (em linhas gerais):
corticoides tópicos;
inibidores de calcineurina (como tacrolimo/pimecrolimo).
O uso deve ser orientado pelo dermatologista para evitar efeitos adversos (principalmente com corticoide).
2) Fototerapia
Um dos tratamentos com melhor evidência, especialmente no Vitiligo não segmentar.
A fototerapia (UVB narrowband) ajuda a estimular repigmentação e modulação imune.
3) Terapias sistêmicas (casos selecionados)
Em casos mais extensos ou com progressão rápida, podem ser consideradas estratégias sistêmicas, sempre com acompanhamento médico.
4) Procedimentos cirúrgicos (casos específicos)
Em Vitiligo estabilizado, pode haver:
enxertos;
transplante de melanócitos (em centros especializados).
5) Novas terapias (perspectivas)
Nos últimos anos, surgiram opções novas, incluindo medicações que modulam vias inflamatórias específicas, ampliando possibilidades terapêuticas (em avaliação e uso conforme indicação e disponibilidade).
Cuidados diários essenciais (parte do tratamento)
Mesmo com pomadas e fototerapia, alguns cuidados diários são fundamentais:
usar protetor solar diariamente;
evitar queimaduras;
hidratar a pele;
evitar atrito repetido na pele (traumas);
cuidado com depilação agressiva;
atenção ao estresse e sono (como parte do cuidado global).
Algumas pessoas também se beneficiam de camuflagem cosmética, que pode melhorar qualidade de vida enquanto a repigmentação ocorre.
O impacto emocional do Vitiligo (não é “mimimi”)
Embora o Vitiligo seja benigno do ponto de vista físico, ele pode ser muito pesado emocionalmente. O rosto e as mãos são áreas sociais e visíveis. É comum que o paciente:
se sinta observado;
evite fotos;
evite praia/piscina;
tenha queda de autoestima;
desenvolva ansiedade.
Por isso, o cuidado ideal envolve acolhimento e, se necessário, apoio psicológico. Tratar Vitiligo não é apenas tratar pele, mas tratar o impacto na vida.
Conclusão
O Vitiligo é uma condição dermatológica caracterizada por manchas brancas devido à perda de pigmentação. Ele não é contagioso e não é causado por falta de higiene. Em muitos casos, tem relação com mecanismos autoimunes e pode estar associado a alterações de tireoide.
O diagnóstico é clínico e o tratamento pode incluir pomadas, fototerapia e outras estratégias, com bons resultados principalmente quando iniciado cedo. Além do tratamento médico, proteção solar e cuidados diários com a pele são fundamentais.



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