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Doença de Ménière: quando vertigem, zumbido e perda auditiva aparecem em crises

  • 25 de mai.
  • 5 min de leitura
Doença de Ménière

A Doença de Ménière é uma condição crônica do ouvido interno que pode causar crises de vertigem, zumbido, sensação de ouvido tampado ou cheio e perda auditiva flutuante. Em geral, afeta apenas um ouvido, mas pode comprometer os dois em uma parcela dos casos. O NIDCD informa que a Doença de Ménière costuma afetar um ouvido, embora 15% a 25% das pessoas possam apresentar envolvimento bilateral.

O quadro pode ser bastante desconfortável porque as crises de vertigem costumam surgir de forma imprevisível. A pessoa pode sentir que tudo está girando, ter náuseas, vômitos, desequilíbrio e dificuldade para manter atividades habituais durante o episódio.

Embora não exista cura definitiva para a Doença de Ménière, há tratamentos que ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das crises, controlar sintomas, melhorar a qualidade de vida e acompanhar a audição ao longo do tempo.

O que é a Doença de Ménière?

A Doença de Ménière é um distúrbio do ouvido interno, região responsável tanto pela audição quanto pelo equilíbrio. A causa exata ainda não é totalmente esclarecida, mas acredita-se que esteja relacionada a alterações no volume ou na pressão dos líquidos do ouvido interno.

Na prática, essa alteração pode afetar estruturas responsáveis por enviar informações de equilíbrio e som ao cérebro. Por isso, os sintomas principais misturam manifestações auditivas e vestibulares.

Os sintomas clássicos são:

  • Vertigem em crises;

  • Zumbido;

  • Sensação de ouvido cheio;

  • Perda auditiva, geralmente flutuante no início;

  • Náuseas e vômitos durante as crises;

  • Desequilíbrio;

  • Sensação de pressão no ouvido.

A Mayo Clinic descreve a Doença de Ménière como um problema do ouvido interno que pode causar crises de tontura/vertigem e perda auditiva, sendo geralmente uma condição de longa duração.

Como é a vertigem da Doença de Ménière?

A vertigem é um dos sintomas mais marcantes. Diferente de uma tontura leve, a vertigem costuma dar a sensação de que o ambiente está girando ou de que a própria pessoa está em movimento, mesmo parada.

As crises podem durar de minutos a horas. A diretriz clínica da American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery define a Doença de Ménière por episódios espontâneos de vertigem com duração entre 20 minutos e 12 horas, associados a perda auditiva documentada em baixas a médias frequências e sintomas auditivos flutuantes no ouvido afetado.

Durante uma crise, podem ocorrer:

  • Sensação de rotação;

  • Náuseas;

  • Vômitos;

  • Sudorese;

  • Palidez;

  • Dificuldade para andar;

  • Necessidade de ficar parado ou deitado;

  • Cansaço intenso após o episódio.

Esse tipo de crise pode interferir muito na rotina, principalmente quando ocorre de forma imprevisível.

A perda auditiva pode ir e voltar?

Sim. Uma característica importante da Doença de Ménière é que a perda auditiva pode ser flutuante, especialmente no início. A pessoa pode perceber piora da audição antes, durante ou depois das crises, com melhora parcial posteriormente.

Com o tempo, porém, a perda auditiva pode se tornar mais persistente. A Cleveland Clinic destaca que os sintomas podem piorar ao longo do tempo e causar perda auditiva permanente e problemas contínuos de equilíbrio em alguns pacientes.

Por isso, quem apresenta crises de vertigem associadas a zumbido, ouvido cheio e alteração auditiva deve procurar avaliação com otorrinolaringologista.

Zumbido e sensação de ouvido cheio são comuns?

Sim. O zumbido é uma queixa frequente na Doença de Ménière. Pode ser percebido como apito, chiado, pressão sonora, som grave ou ruído constante no ouvido.

A sensação de ouvido cheio ou tampado também é comum. Algumas pessoas descrevem como pressão interna, abafamento ou sensação semelhante à de mudança de altitude.

Esses sintomas podem aparecer antes da crise de vertigem ou permanecer entre os episódios.

Doença de Ménière é a mesma coisa que Labirintite?

Não. No uso popular, muitas pessoas chamam qualquer tontura de “Labirintite”, mas isso não é correto.

A Labirintite verdadeira é uma inflamação do labirinto, geralmente relacionada a infecção, e não deve ser confundida com todas as causas de tontura. Já a Doença de Ménière é uma condição crônica do ouvido interno, caracterizada por crises recorrentes de vertigem associadas a sintomas auditivos.

Veja a diferença de forma simples:

Condição

Característica principal

Doença de Ménière

Crises de vertigem + zumbido + perda auditiva flutuante + ouvido cheio

Vertigem posicional paroxística benigna

Crises curtas desencadeadas por movimentos da cabeça

Neurite vestibular

Vertigem intensa, geralmente sem perda auditiva

Labirintite

Inflamação/infeção do labirinto, podendo envolver audição e equilíbrio

Enxaqueca vestibular

Tontura/vertigem associada a história de enxaqueca ou sensibilidade sensorial

Por isso, tontura recorrente precisa de diagnóstico adequado. O tratamento muda conforme a causa.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da Doença de Ménière é clínico e depende da combinação de sintomas, exame físico e exames complementares. O médico avalia duração e frequência das crises, presença de zumbido, sensação de ouvido cheio e alterações auditivas.

Exames que podem ser solicitados incluem:

  • Audiometria;

  • Testes vestibulares;

  • Avaliação com otorrinolaringologista;

  • Ressonância magnética em casos selecionados;

  • Exames para descartar outras causas de tontura.

A Mayo Clinic informa que a avaliação pode incluir teste auditivo, avaliação do equilíbrio e exames de imagem ou laboratoriais quando há necessidade de descartar outras doenças.

A audiometria é especialmente importante porque documenta a perda auditiva e ajuda no acompanhamento da evolução.

Como tratar a Doença de Ménière?

O tratamento tem como objetivo reduzir crises, aliviar sintomas e preservar a qualidade de vida. Não existe uma única abordagem para todos os casos.

As opções podem incluir:

  • Medicamentos para aliviar vertigem, náuseas e vômitos durante crises;

  • Mudanças na alimentação, como redução de sal em alguns casos;

  • Controle de cafeína e outros possíveis gatilhos, conforme orientação;

  • Tratamento do zumbido;

  • Reabilitação vestibular;

  • Aparelhos auditivos quando há perda auditiva;

  • Injeções no ouvido médio em casos selecionados;

  • Cirurgia em situações raras e graves.

O NHS Inform cita como possibilidades terapêuticas medicamentos para sintomas e prevenção de ataques, dieta com baixo teor de sal, tratamento para zumbido, tratamento da perda auditiva, reabilitação vestibular, técnicas de relaxamento e cirurgia apenas em casos mais graves.

A alimentação influencia?

Em alguns pacientes, mudanças alimentares podem ajudar a reduzir crises. A redução do sal pode ser orientada porque o sal influencia a retenção de líquidos, e a Doença de Ménière pode estar relacionada a alterações dos líquidos do ouvido interno.

Também pode ser recomendado observar gatilhos individuais, como excesso de cafeína, álcool, alimentos muito ricos em sódio ou situações de estresse.

Essas mudanças devem ser individualizadas. O objetivo não é fazer uma dieta extremamente restritiva, mas identificar fatores que possam piorar as crises.

Reabilitação vestibular pode ajudar?

Sim, principalmente quando há desequilíbrio persistente entre as crises ou após fases mais avançadas da doença. A reabilitação vestibular é feita com exercícios específicos para ajudar o cérebro a compensar alterações do equilíbrio.

Ela não substitui o tratamento médico, mas pode melhorar estabilidade, segurança ao caminhar e confiança nas atividades diárias. O NHS também cita a reabilitação vestibular como uma opção de apoio para melhorar o equilíbrio em pessoas com Doença de Ménière.

Quando procurar atendimento com urgência?

Nem toda tontura é Doença de Ménière. Algumas causas de tontura podem ser neurológicas, cardiovasculares ou emergenciais. Por isso, alguns sinais exigem atendimento imediato.

Procure urgência se houver:

  • Fraqueza em um lado do corpo;

  • Dificuldade para falar;

  • Confusão mental;

  • Desmaio;

  • Dor no peito;

  • Dor de cabeça súbita e intensa;

  • Visão dupla;

  • Perda súbita da audição;

  • Tontura com dificuldade para andar de forma importante;

  • Vômitos persistentes com sinais de desidratação.

Esses sinais podem indicar condições diferentes da Doença de Ménière e precisam de avaliação rápida.

Conclusão

A Doença de Ménière é uma condição crônica do ouvido interno que causa crises de vertigem, zumbido, sensação de ouvido cheio e perda auditiva flutuante. Embora não tenha cura definitiva, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e reduzir o impacto na rotina.

O diagnóstico depende da história clínica, avaliação otorrinolaringológica e exames como audiometria. Como várias doenças podem causar tontura, é importante não tratar todo quadro como “Labirintite”.

Crises recorrentes de vertigem associadas a zumbido e alteração auditiva merecem investigação. Quanto mais cedo a causa é identificada, melhor o controle dos sintomas e o acompanhamento da audição.

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