Doença de Takayasu: inflamação rara das artérias que pode afetar jovens
- medicinaatualrevis
- 3 de dez. de 2025
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A Doença de Takayasu é uma vasculite crônica rara que atinge principalmente a aorta e seus ramos principais. Caracteriza-se por inflamação persistente das paredes arteriais, que pode levar a estreitamento, oclusão ou dilatação dos vasos sanguíneos. Embora seja incomum, é uma condição séria que exige diagnóstico precoce e tratamento contínuo.
Ocorre com maior frequência em mulheres jovens, principalmente entre 15 e 40 anos, e é conhecida como “doença sem pulso” devido à diminuição ou ausência de pulso em alguns membros. Com acompanhamento adequado, é possível controlar a inflamação e evitar complicações cardiovasculares.
O que é a Doença de Takayasu
A vasculite de Takayasu provoca inflamação do endotélio e da camada muscular arterial, causando espessamento da parede e redução do fluxo sanguíneo para órgãos e tecidos.
Os mecanismos principais incluem processos autoimunes que desencadeiam:
inflamação persistente das artérias de grande calibre;
espessamento da parede arterial;
redução do calibre dos vasos;
formação de cicatrizes;
possível dilatação ou aneurismas;
redução do fluxo sanguíneo para membros e órgãos.
A doença pode evoluir lentamente e permanece assintomática por meses.
Sinais e sintomas mais comuns
Os sintomas variam conforme a fase da doença. Na fase inicial, predominam sinais inflamatórios. Na fase tardia, surgem sintomas relacionados à isquemia de órgãos e membros.
Entre os sintomas iniciais estão:
febre baixa persistente;
fadiga intensa;
perda de peso;
dores musculares;
mal-estar geral;
suor noturno.
Com a progressão, podem surgir sinais relacionados ao comprometimento arterial:
ausência ou fraqueza de pulso em um dos braços;
dor ao movimentar membros;
tontura e desmaios;
pressão arterial muito diferente entre os braços;
sopros audíveis sobre artérias;
dor torácica ou falta de ar;
visão turva ou episódios visuais transitórios.
Essas manifestações variam conforme o território arterial atingido.
Quais artérias são mais afetadas
A doença envolve principalmente artérias de grande calibre. Os vasos mais atingidos são:
aorta;
artérias subclávias;
carótidas;
artérias renais;
troncos arteriais torácicos e abdominais.
A extensão do comprometimento determina o risco de complicações.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico exige avaliação clínica associada a exames laboratoriais e de imagem. Como os sintomas iniciais podem ser inespecíficos, é comum ocorrer atraso no reconhecimento da doença.
Os exames utilizados incluem:
marcadores inflamatórios aumentados, como VHS e PCR;
angiotomografia para avaliar espessamento e estreitamento das artérias;
ressonância magnética vascular;
ultrassom Doppler de grandes vasos;
PET-CT em casos selecionados para medir atividade inflamatória.
Um conjunto de achados clínicos e de imagem confirma o diagnóstico.
Complicações possíveis
Se não tratada, a Doença de Takayasu pode gerar complicações cardiovasculares importantes devido à obstrução ou dilatação das artérias.
As principais complicações são:
hipertensão renovascular;
aneurismas da aorta;
acidente vascular cerebral;
insuficiência cardíaca;
isquemia de membros;
disfunção de órgãos por redução do fluxo sanguíneo;
trombose arterial.
O acompanhamento contínuo ajuda a prevenir essas complicações.
Tratamento: como é realizado
O tratamento pretende controlar a inflamação, reduzir o risco de dano arterial e prevenir complicações tardias. Ele é prolongado e precisa ser ajustado ao longo do tempo.
As abordagens incluem:
corticoides como primeira linha para reduzir inflamação;
imunossupressores, como metotrexato e azatioprina, quando há recidiva ou dependência de corticoide;
medicamentos biológicos em casos resistentes;
controle rigoroso da pressão arterial;
intervenções vasculares, como angioplastia, quando há estreitamentos importantes.
A resposta ao tratamento é monitorada por exames de imagem e marcadores inflamatórios.
Como viver bem com a doença
A doença exige acompanhamento regular, mas muitas pacientes conseguem levar vida normal com tratamento adequado.
Cuidados essenciais incluem:
seguir o tratamento sem interrupção;
monitorar pressão arterial com frequência;
manter alimentação equilibrada e atividade física orientada;
evitar tabagismo;
tratar infecções rapidamente;
realizar exames periódicos de imagem;
observar sintomas novos de isquemia.
A adesão ao tratamento é decisiva para o prognóstico.
Conclusão
A Doença de Takayasu é uma vasculite rara que afeta grandes artérias e pode comprometer o fluxo sanguíneo para diversos órgãos. Embora seja uma condição complexa, o diagnóstico precoce e o tratamento com corticoides, imunossupressores e, quando necessário, intervenções vasculares permitem controlar a inflamação e reduzir complicações. O acompanhamento contínuo é fundamental para garantir estabilidade e qualidade de vida.



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