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Cirrose biliar primária: quando o sistema imunológico destrói os ductos biliares

Cirrose biliar primária

A Cirrose Biliar Primária é uma doença hepática crônica, progressiva e de origem autoimune, caracterizada pela destruição gradual dos ductos biliares intra-hepáticos. Esses ductos são responsáveis por conduzir a bile produzida pelo fígado até o intestino. Quando eles são danificados, a bile se acumula no próprio fígado, provocando inflamação persistente e lesão hepática ao longo do tempo.

Apesar do nome, a doença pode permanecer por muitos anos antes de evoluir para cirrose propriamente dita. Ainda assim, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações graves.

Qual é a função da bile e por que sua obstrução é perigosa

A bile desempenha papel essencial na digestão das gorduras e na eliminação de substâncias tóxicas do organismo.Quando o fluxo biliar é interrompido, ocorre o que se chama de colestase, condição que prejudica várias funções metabólicas.

A retenção de bile leva a:

  • inflamação crônica do fígado;

  • acúmulo de ácidos biliares tóxicos;

  • prejuízo na absorção de vitaminas lipossolúveis;

  • progressão para fibrose e cirrose.

Esse processo costuma ser lento, silencioso e progressivo.

Por que a Cirrose Biliar Primária acontece

A causa exata ainda não é totalmente esclarecida, mas sabe-se que a doença resulta de uma resposta autoimune inadequada.O sistema imunológico passa a atacar as células que revestem os ductos biliares, como se fossem invasores.

Fatores associados incluem:

  • predisposição genética;

  • alterações na regulação imunológica;

  • maior incidência em mulheres;

  • associação com outras doenças autoimunes.

Essa combinação leva à destruição progressiva dos ductos biliares.

Quem tem maior risco de desenvolver a doença

A Cirrose Biliar Primária é mais frequente em mulheres de meia-idade, embora possa ocorrer em homens e em outras faixas etárias. Também é comum em pessoas que apresentam outras doenças autoimunes.

Entre as condições associadas estão:

  • tireoidite autoimune;

  • síndrome de Sjögren;

  • artrite reumatoide;

  • esclerodermia;

  • doença celíaca.

Essa associação reforça o caráter sistêmico da disfunção imunológica.

Sintomas iniciais costumam ser discretos

Um dos maiores desafios no diagnóstico é que os sintomas iniciais podem ser leves ou inexistentes. Muitos pacientes descobrem a doença por alterações em exames de sangue de rotina.

Quando surgem sintomas, os mais comuns são:

  • fadiga intensa e persistente;

  • coceira generalizada, muitas vezes sem lesões visíveis;

  • mal-estar inespecífico;

  • desconforto no lado direito do abdômen.

A coceira é um dos sintomas mais característicos e pode preceder outros sinais por anos.

Sinais de progressão da doença

À medida que a inflamação e a colestase avançam, outros sinais podem aparecer:

  • icterícia;

  • urina escura;

  • fezes claras;

  • perda de massa óssea;

  • inchaço abdominal;

  • aumento do fígado e do baço.

Esses achados indicam comprometimento mais avançado da função hepática.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da Cirrose Biliar Primária envolve a combinação de achados clínicos, laboratoriais e, em alguns casos, histológicos.

A investigação costuma incluir:

  • elevação persistente de enzimas colestáticas;

  • presença de autoanticorpos específicos;

  • exames de imagem para excluir obstrução biliar;

  • biópsia hepática em situações selecionadas.

Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de retardar a progressão da doença.

Tratamento e acompanhamento

Embora não haja cura definitiva, o tratamento visa reduzir a progressão da lesão hepática e aliviar sintomas. A abordagem inclui:

  • uso de medicamentos que melhoram o fluxo biliar;

  • controle da coceira;

  • suplementação de vitaminas lipossolúveis quando necessário;

  • monitoramento regular da função hepática.

Em estágios avançados, pode ser necessário avaliar transplante hepático.

Importância do acompanhamento contínuo

A Cirrose Biliar Primária é uma doença crônica que exige acompanhamento médico regular, mesmo quando os sintomas estão controlados. A progressão pode ser silenciosa, e exames periódicos são fundamentais para detectar complicações precocemente.

Conclusão

A Cirrose Biliar Primária é uma doença autoimune que destrói gradualmente os ductos biliares, levando à colestase e inflamação crônica do fígado. Apesar do curso lento, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para preservar a função hepática e melhorar a qualidade de vida. Diante de sintomas como fadiga persistente e coceira sem causa aparente, a investigação médica é indispensável.

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