Cirrose biliar primária: quando o sistema imunológico destrói os ductos biliares
- medicinaatualrevis
- 17 de dez. de 2025
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A Cirrose Biliar Primária é uma doença hepática crônica, progressiva e de origem autoimune, caracterizada pela destruição gradual dos ductos biliares intra-hepáticos. Esses ductos são responsáveis por conduzir a bile produzida pelo fígado até o intestino. Quando eles são danificados, a bile se acumula no próprio fígado, provocando inflamação persistente e lesão hepática ao longo do tempo.
Apesar do nome, a doença pode permanecer por muitos anos antes de evoluir para cirrose propriamente dita. Ainda assim, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações graves.
Qual é a função da bile e por que sua obstrução é perigosa
A bile desempenha papel essencial na digestão das gorduras e na eliminação de substâncias tóxicas do organismo.Quando o fluxo biliar é interrompido, ocorre o que se chama de colestase, condição que prejudica várias funções metabólicas.
A retenção de bile leva a:
inflamação crônica do fígado;
acúmulo de ácidos biliares tóxicos;
prejuízo na absorção de vitaminas lipossolúveis;
progressão para fibrose e cirrose.
Esse processo costuma ser lento, silencioso e progressivo.
Por que a Cirrose Biliar Primária acontece
A causa exata ainda não é totalmente esclarecida, mas sabe-se que a doença resulta de uma resposta autoimune inadequada.O sistema imunológico passa a atacar as células que revestem os ductos biliares, como se fossem invasores.
Fatores associados incluem:
predisposição genética;
alterações na regulação imunológica;
maior incidência em mulheres;
associação com outras doenças autoimunes.
Essa combinação leva à destruição progressiva dos ductos biliares.
Quem tem maior risco de desenvolver a doença
A Cirrose Biliar Primária é mais frequente em mulheres de meia-idade, embora possa ocorrer em homens e em outras faixas etárias. Também é comum em pessoas que apresentam outras doenças autoimunes.
Entre as condições associadas estão:
tireoidite autoimune;
síndrome de Sjögren;
artrite reumatoide;
esclerodermia;
doença celíaca.
Essa associação reforça o caráter sistêmico da disfunção imunológica.
Sintomas iniciais costumam ser discretos
Um dos maiores desafios no diagnóstico é que os sintomas iniciais podem ser leves ou inexistentes. Muitos pacientes descobrem a doença por alterações em exames de sangue de rotina.
Quando surgem sintomas, os mais comuns são:
fadiga intensa e persistente;
coceira generalizada, muitas vezes sem lesões visíveis;
mal-estar inespecífico;
desconforto no lado direito do abdômen.
A coceira é um dos sintomas mais característicos e pode preceder outros sinais por anos.
Sinais de progressão da doença
À medida que a inflamação e a colestase avançam, outros sinais podem aparecer:
icterícia;
urina escura;
fezes claras;
perda de massa óssea;
inchaço abdominal;
aumento do fígado e do baço.
Esses achados indicam comprometimento mais avançado da função hepática.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da Cirrose Biliar Primária envolve a combinação de achados clínicos, laboratoriais e, em alguns casos, histológicos.
A investigação costuma incluir:
elevação persistente de enzimas colestáticas;
presença de autoanticorpos específicos;
exames de imagem para excluir obstrução biliar;
biópsia hepática em situações selecionadas.
Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de retardar a progressão da doença.
Tratamento e acompanhamento
Embora não haja cura definitiva, o tratamento visa reduzir a progressão da lesão hepática e aliviar sintomas. A abordagem inclui:
uso de medicamentos que melhoram o fluxo biliar;
controle da coceira;
suplementação de vitaminas lipossolúveis quando necessário;
monitoramento regular da função hepática.
Em estágios avançados, pode ser necessário avaliar transplante hepático.
Importância do acompanhamento contínuo
A Cirrose Biliar Primária é uma doença crônica que exige acompanhamento médico regular, mesmo quando os sintomas estão controlados. A progressão pode ser silenciosa, e exames periódicos são fundamentais para detectar complicações precocemente.
Conclusão
A Cirrose Biliar Primária é uma doença autoimune que destrói gradualmente os ductos biliares, levando à colestase e inflamação crônica do fígado. Apesar do curso lento, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para preservar a função hepática e melhorar a qualidade de vida. Diante de sintomas como fadiga persistente e coceira sem causa aparente, a investigação médica é indispensável.



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