Creatina retém líquido? mito ou verdade
- medicinaatualrevis
- há 3 horas
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Quem começa a tomar creatina costuma ouvir uma frase quase automática: “Creatina retém líquido”. Para algumas pessoas, isso vira motivo de medo — principalmente para quem está tentando emagrecer ou não quer se sentir inchado. Outras acreditam que a creatina “incha” o corpo como um todo e que o aumento de peso observado nas primeiras semanas seria sinal de retenção e piora estética.
Mas afinal: isso é mito ou verdade?
A resposta é mais interessante (e mais tranquila) do que parece. A creatina realmente aumenta a quantidade de água no corpo, mas não da forma como muita gente imagina. Em geral, ela não causa retenção líquida subcutânea (aquele inchaço perceptível no rosto, tornozelos ou barriga). O efeito principal é outro: a creatina tende a aumentar a hidratação dentro do músculo, um fenômeno chamado “volumização celular”, o que está ligado ao próprio mecanismo de ação do suplemento.
Neste artigo, vamos explicar de forma clara:
por que o peso pode aumentar no início;
que tipo de “retenção” pode ocorrer;
se creatina causa inchaço;
se creatina é segura para rins;
e quando vale ter cautela.
O que é creatina e por que ela funciona?
A creatina é uma substância naturalmente presente no organismo e também encontrada em alimentos (especialmente carnes). No corpo, ela participa da regeneração rápida de energia (ATP), principalmente em exercícios de força e alta intensidade.
Por isso, a creatina costuma melhorar:
desempenho em treinos de força e explosão;
volume total de treino (mais repetições/carga);
ganho de massa magra ao longo do tempo;
recuperação.
Ou seja: ela não é “mágica”, mas ajuda o corpo a sustentar um treino melhor e isso, com consistência, favorece hipertrofia.
Creatina retém líquido? verdade, mas com um detalhe essencial
Sim, creatina pode aumentar água corporal total, mas esse aumento ocorre principalmente dentro das células musculares, e não no tecido subcutâneo.
Isso significa que:
a água vai para o músculo (intramuscular);
não é a mesma retenção típica de sal, ciclo hormonal ou inflamação;
não costuma causar edema em tornozelo, rosto inchado ou “barriga d’água”.
Em termos simples: creatina pode aumentar “hidratação muscular”, não “inchaço” generalizado.
Por que algumas pessoas ganham peso no início?
Esse é o ponto que mais assusta.
Nas primeiras semanas de uso, algumas pessoas observam:
aumento de 1 a 2 kg (em alguns casos mais);
sensação de músculos mais “cheios”;
pouca alteração de gordura corporal.
Isso acontece porque o músculo passa a armazenar mais creatina e, junto com ela, mais água dentro da fibra muscular. Como água tem peso, o número na balança sobe.
Esse peso inicial:
não é gordura;
não significa “engordar”;
não indica retenção prejudicial.
Para quem está em processo de emagrecimento, isso é importante: é possível perder gordura e mesmo assim ver a balança subir no início, por causa da água intramuscular.
Creatina causa inchaço?
Na maior parte das pessoas, não.
O inchaço que preocupa geralmente é:
rosto “inchado”;
tornozelos com edema;
sensação de corpo pesado e estufado.
Isso é mais típico de:
excesso de sal;
ciclo menstrual/alterações hormonais;
sono ruim e estresse;
inflamação por alimentação;
uso de certos medicamentos.
A creatina, quando gera percepção estética, geralmente deixa o músculo mais volumoso e firme, e não “fofo” ou inchado.
Algumas pessoas podem relatar desconforto gastrointestinal ou sensação de “estufamento” se tomarem creatina com pouca água ou em doses muito altas. Isso é diferente de retenção.
E a famosa “fase de saturação”? piora retenção?
A saturação (tomar doses maiores por alguns dias) pode aumentar mais rápido o estoque muscular e, consequentemente, o aumento de água intramuscular pode aparecer mais cedo.
Mas isso não é obrigatório. A forma mais simples e mais usada hoje é:
3 a 5 g por dia, continuamente.
Com isso, o corpo satura mais lentamente, porém com boa tolerância e ótimos resultados.
Creatina atrapalha definição?
Depende do que você chama de definição.
Se “definição” é:
reduzir gordura corporal;
diminuir medidas;
melhorar contorno;
A creatina não atrapalha e pode até ajudar indiretamente, já que melhora desempenho e sustenta melhor o treino.
O que pode confundir é:
subir 1–2 kg na balança;
ou sentir o músculo mais cheio.
Definição vem de gordura corporal baixa + massa muscular. Creatina ajuda na parte muscular, desde que o treino e a dieta estejam alinhados.
Creatina faz mal para os rins?
Esse é outro mito muito comum.
Para pessoas saudáveis, a creatina é considerada segura nas doses habituais. O que ocorre é que a creatina aumenta creatinina no sangue em algumas situações, porque creatinina é um marcador derivado do metabolismo muscular — isso pode gerar interpretação equivocada em exames, sem significar doença renal.
Quem deve ter cautela:
pessoas com doença renal prévia;
quem tem insuficiência renal crônica;
quem usa medicações que afetam o rim;
pessoas com acompanhamento nefrológico.
Nesses casos, a suplementação deve ser discutida com médico.
Como usar creatina de forma segura e sem sustos
Algumas orientações simples reduzem desconfortos e dúvidas:
tomar 3 a 5 g por dia;
manter boa hidratação;
escolher creatina monohidratada de qualidade;
evitar doses excessivas;
ter paciência: resultado é de semanas/meses.
Não é necessário “ciclar” creatina na maioria dos casos.
Quando interromper e procurar avaliação?
Se houver:
inchaço em pernas/rosto (edema verdadeiro);
dor lombar intensa;
redução do volume urinário;
fraqueza intensa e sintomas sistêmicos;
o ideal é suspender e procurar avaliação, porque isso não é o padrão esperado da creatina e pode indicar outro problema associado.
Conclusão
Creatina pode aumentar água corporal, sim — mas o principal efeito é retenção intramuscular, dentro do músculo, e não inchaço generalizado. Por isso, o aumento de peso inicial costuma ser esperado e não significa ganho de gordura.
Quando usada corretamente, a creatina é um suplemento seguro, bem estudado e com benefícios claros para desempenho e ganho de massa muscular. Se houver dúvidas, principalmente em pessoas com doença renal, o melhor caminho é orientação profissional.



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