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Ataxia de Friedreich: sintomas neurológicos progressivos e impacto na vida do paciente

Ataxia de Friedreich

A Ataxia de Friedreich é uma doença neurológica hereditária, progressiva e rara, que afeta a coordenação motora, o equilíbrio e diversas funções do sistema nervoso. Ela ocorre devido a mutações no gene FXN, responsável pela produção da proteína frataxina, essencial para o funcionamento das mitocôndrias. Sem essa proteína em níveis adequados, células do sistema nervoso e do músculo cardíaco sofrem degeneração gradual, levando a sintomas que começam na infância ou adolescência e evoluem ao longo dos anos.

Apesar de ainda não ter cura, tratamentos multidisciplinares ajudam a desacelerar a progressão, aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida.

O que causa a Ataxia de Friedreich

A doença é causada por uma mutação genética que reduz drasticamente os níveis de frataxina. Essa proteína é fundamental para a produção de energia celular. Sua deficiência afeta principalmente neurônios da medula espinhal, cerebelo e músculos.

Os principais mecanismos envolvidos incluem:

  • degeneração progressiva das vias nervosas responsáveis pelo equilíbrio;

  • prejuízo nas conexões cerebelares;

  • perda de força muscular;

  • disfunção das mitocôndrias, levando a menor produção de energia;

  • aumento do estresse oxidativo em tecidos sensíveis.

Essas alterações explicam por que a doença é sistêmica e não apenas neurológica.

Quais são os primeiros sintomas

Os sinais iniciais geralmente aparecem antes dos 20 anos, embora possam surgir mais tarde. Muitos pacientes apresentam dificuldades motoras inespecíficas no início, o que atrasa o diagnóstico.

Os primeiros sintomas mais comuns incluem:

  • instabilidade ao caminhar;

  • dificuldade para manter equilíbrio;

  • quedas frequentes;

  • perda de coordenação das mãos;

  • fala mais lenta e arrastada;

  • fadiga intensa após pequenas atividades.

Com o tempo, esses sintomas se tornam mais evidentes e progressivos.

Como a doença evolui ao longo dos anos

A Ataxia de Friedreich é caracterizada por progressão lenta, mas contínua.A coordenação motora se deteriora, afetando a marcha, a fala e a função das mãos.

Com a evolução, podem surgir:

  • perda quase completa da coordenação motora fina;

  • tremores;

  • dificuldade para engolir;

  • espasticidade muscular;

  • necessidade de cadeira de rodas em fases mais avançadas;

  • escoliose;

  • deformidades nos pés, como pé cavo ou dedos em martelo.

A velocidade de progressão varia individualmente, mas a maioria dos pacientes apresenta piora ao longo da juventude e vida adulta.

Comprometimento cardíaco e metabólico

Além das alterações neurológicas, a doença pode causar consequências sistêmicas importantes.O coração é um dos órgãos mais afetados.

As alterações possíveis incluem:

  • cardiomiopatia hipertrófica;

  • arritmias;

  • insuficiência cardíaca em fases avançadas;

  • intolerância ao exercício devido à redução da capacidade cardíaca.

Alterações metabólicas também podem ocorrer:

  • predisposição ao diabetes;

  • elevação da glicemia;

  • disfunção mitocondrial que afeta músculos e nervos.

Por isso, o acompanhamento cardiológico e metabólico é parte fundamental do tratamento.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico combina avaliação clínica, exames neurológicos e testes genéticos. Como os sintomas iniciais podem se confundir com outras ataxias, a confirmação genética é essencial.

Os exames mais utilizados são:

  • teste genético do gene FXN;

  • ressonância magnética do encéfalo e medula;

  • eletroneuromiografia;

  • avaliação cardiológica completa;

  • exames laboratoriais metabólicos.

Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de intervenção eficaz.

Tratamento e manejo da doença

Apesar de não haver cura, diversos tratamentos ajudam a controlar sintomas e melhorar o bem-estar. O manejo é sempre multidisciplinar.

As principais abordagens incluem:

  • fisioterapia regular para equilíbrio e força muscular;

  • fonoaudiologia para fala e deglutição;

  • terapia ocupacional para atividades da vida diária;

  • acompanhamento cardiológico frequente;

  • controle glicêmico para evitar diabetes;

  • uso de órteses para pés e coluna;

  • suporte psicológico e social.

Em alguns pacientes, pode ser indicado:

  • betabloqueadores;

  • medicações para arritmias;

  • tratamento cirúrgico para escoliose;

  • adaptações ambientais para maior independência.

Novas terapias, como modulação genética e antioxidantes mitocondriais, estão em estudo.

Qual é o impacto na vida do paciente

A doença interfere no cotidiano, especialmente pela perda gradual da autonomia física.Porém, com apoio familiar, acompanhamento de especialistas e uso de tecnologias assistivas, muitos pacientes mantêm vida ativa e produtiva.

Aspectos que impactam a vida do paciente incluem:

  • dificuldades motoras que exigem adaptações;

  • limitações na locomoção e comunicação;

  • impacto emocional pela progressão;

  • alterações cardíacas que podem limitar o esforço;

  • necessidade crescente de suporte multidisciplinar.

O suporte psicológico e social é tão importante quanto os cuidados médicos.

Conclusão

A Ataxia de Friedreich é uma doença genética rara que causa sintomas neurológicos progressivos e pode afetar também o coração e o metabolismo. Embora não tenha cura, o diagnóstico precoce, a reabilitação contínua e o acompanhamento multidisciplinar são fundamentais para manter qualidade de vida e autonomia. A evolução varia, mas com intervenções adequadas é possível retardar a progressão e oferecer ao paciente uma vida com mais conforto, segurança e independência.

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