Ataxia de Friedreich: sintomas neurológicos progressivos e impacto na vida do paciente
- medicinaatualrevis
- 4 de dez. de 2025
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A Ataxia de Friedreich é uma doença neurológica hereditária, progressiva e rara, que afeta a coordenação motora, o equilíbrio e diversas funções do sistema nervoso. Ela ocorre devido a mutações no gene FXN, responsável pela produção da proteína frataxina, essencial para o funcionamento das mitocôndrias.
Sem essa proteína em níveis adequados, células do sistema nervoso e do músculo cardíaco sofrem degeneração gradual, levando a sintomas que começam na infância ou adolescência e evoluem ao longo dos anos.
Apesar de ainda não ter cura, tratamentos multidisciplinares ajudam a desacelerar a progressão, aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida.
O que causa a Ataxia de Friedreich
A doença é causada por uma mutação genética que reduz drasticamente os níveis de frataxina. Essa proteína é fundamental para a produção de energia celular. Sua deficiência afeta principalmente neurônios da medula espinhal, cerebelo e músculos.
Os principais mecanismos envolvidos incluem:
degeneração progressiva das vias nervosas responsáveis pelo equilíbrio;
prejuízo nas conexões cerebelares;
perda de força muscular;
disfunção das mitocôndrias, levando a menor produção de energia;
aumento do estresse oxidativo em tecidos sensíveis.
Essas alterações explicam por que a doença é sistêmica e não apenas neurológica.
Quais são os primeiros sintomas
Os sinais iniciais geralmente aparecem antes dos 20 anos, embora possam surgir mais tarde. Muitos pacientes apresentam dificuldades motoras inespecíficas no início, o que atrasa o diagnóstico.
Os primeiros sintomas mais comuns incluem:
instabilidade ao caminhar;
dificuldade para manter equilíbrio;
quedas frequentes;
perda de coordenação das mãos;
fala mais lenta e arrastada;
fadiga intensa após pequenas atividades.
Com o tempo, esses sintomas se tornam mais evidentes e progressivos.
Como a doença evolui ao longo dos anos
A Ataxia de Friedreich é caracterizada por progressão lenta, mas contínua.A coordenação motora se deteriora, afetando a marcha, a fala e a função das mãos.
Com a evolução, podem surgir:
perda quase completa da coordenação motora fina;
tremores;
dificuldade para engolir;
espasticidade muscular;
necessidade de cadeira de rodas em fases mais avançadas;
escoliose;
deformidades nos pés, como pé cavo ou dedos em martelo.
A velocidade de progressão varia individualmente, mas a maioria dos pacientes apresenta piora ao longo da juventude e vida adulta.
Comprometimento cardíaco e metabólico
Além das alterações neurológicas, a doença pode causar consequências sistêmicas importantes.O coração é um dos órgãos mais afetados.
As alterações possíveis incluem:
cardiomiopatia hipertrófica;
arritmias;
insuficiência cardíaca em fases avançadas;
intolerância ao exercício devido à redução da capacidade cardíaca.
Alterações metabólicas também podem ocorrer:
predisposição ao diabetes;
elevação da glicemia;
disfunção mitocondrial que afeta músculos e nervos.
Por isso, o acompanhamento cardiológico e metabólico é parte fundamental do tratamento.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico combina avaliação clínica, exames neurológicos e testes genéticos. Como os sintomas iniciais podem se confundir com outras ataxias, a confirmação genética é essencial.
Os exames mais utilizados são:
teste genético do gene FXN;
ressonância magnética do encéfalo e medula;
eletroneuromiografia;
avaliação cardiológica completa;
exames laboratoriais metabólicos.
Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de intervenção eficaz.
Tratamento e manejo da doença
Apesar de não haver cura, diversos tratamentos ajudam a controlar sintomas e melhorar o bem-estar. O manejo é sempre multidisciplinar.
As principais abordagens incluem:
fisioterapia regular para equilíbrio e força muscular;
fonoaudiologia para fala e deglutição;
terapia ocupacional para atividades da vida diária;
acompanhamento cardiológico frequente;
controle glicêmico para evitar diabetes;
uso de órteses para pés e coluna;
suporte psicológico e social.
Em alguns pacientes, pode ser indicado:
betabloqueadores;
medicações para arritmias;
tratamento cirúrgico para escoliose;
adaptações ambientais para maior independência.
Novas terapias, como modulação genética e antioxidantes mitocondriais, estão em estudo.
Qual é o impacto na vida do paciente
A doença interfere no cotidiano, especialmente pela perda gradual da autonomia física.Porém, com apoio familiar, acompanhamento de especialistas e uso de tecnologias assistivas, muitos pacientes mantêm vida ativa e produtiva.
Aspectos que impactam a vida do paciente incluem:
dificuldades motoras que exigem adaptações;
limitações na locomoção e comunicação;
impacto emocional pela progressão;
alterações cardíacas que podem limitar o esforço;
necessidade crescente de suporte multidisciplinar.
O suporte psicológico e social é tão importante quanto os cuidados médicos.
Conclusão
A Ataxia de Friedreich é uma doença genética rara que causa sintomas neurológicos progressivos e pode afetar também o coração e o metabolismo. Embora não tenha cura, o diagnóstico precoce, a reabilitação contínua e o acompanhamento multidisciplinar são fundamentais para manter qualidade de vida e autonomia. A evolução varia, mas com intervenções adequadas é possível retardar a progressão e oferecer ao paciente uma vida com mais conforto, segurança e independência.



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